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22-07-2010 12:10

 
       
 
       
Ultima Edição Artigos Técnicos Revelações do Mês
 
       
   

Ultima Edição

Artigos Técnicos

Revelações do Mês

 

REVELAÇÕES EM 2010

Ø Revelação do Mês / Reebok - Janeiro 10

Ø Revelação do Mês / Reebok - Fevereiro 2010

Ø Revelação do Mês / Reebok - Março 2010

Ø Revelação do Mês / Reebok - Abril 2010

Ø Revelação do Mês / Reebok - Maio 2010

 
 

REVELAÇÕES DO ANO

Ø Revelação do Ano 2009/ Reebok

Ø Revelação do Ano 2008/ Reebok

Ø As revelações ano a ano

 

REVELAÇÃO DO MÊS 

MAIO 2010 - Rubem Miranda (SL Benfica)

 

Recordista juvenil da vara

com um ano de atletismo

 

«Quero ser o primeiro juvenil a passar os 5 m na vara…»

 

Nascido no Brasil (Recife), filho de brasileiros, Ruben Miranda, novo recordista nacional juvenil de salto com vara, veio viver para Portugal com a mãe e o padrasto aos oito anos de idade. E desde sempre se lembra de gostar de desporto. “Sempre pratiquei na escola e, para além do atletismo, do que mais gostei foi de escalada e natação. Mas o atletismo superou tudo. Lembro-me perfeitamente – eu ainda não era atleta – de ver na televisão o Nelson Évora a sagrar-se campeão mundial, primeiro, e olímpico, depois, e sonhar ser um dia como ele…” Há um ano, participou no MegaSprint mas não foi feliz. “As coisas não me correram bem na corrida e pedi para ir ao salto em comprimento. Fiz seis metros e ganhei, mas como não estava inscrito, não fui eu o apurado para a fase nacional.” No entanto, a professora da escola que frequentava, a D. Pedro V, em Lisboa (Sete Rios), a antiga recordista nacional do dardo Terezinha Vaz, viu nele qualidades e indicou-o ao Benfica. “Com a profª Ana Oliveira experimentei as várias especialidades e, no dia seguinte, também fiz vara com o meu treinador Raposo Borges. E nunca mais deixei a vara…” Estava-se em Maio do ano passado e, depois de uma estreia a 3,30, o jovem Ruben Miranda foi progredindo até ser campeão nacional de juvenis e chegar a 4,15.

Este inverno, continuou a progredir, foi vice-campeão nacional júnior e por bem pouco falhou o recorde nacional de juvenis de pista coberta (4,55), chegando aos 4,48. Mas, ao ar livre, com 4.70 e 4,80, bateu mesmo o recorde e foi seleccionado para a fase de apuramento dos Jogos Olímpicos da Juventude, em Moscovo. “A qualificação correu-me bem, passei 4,60 e fui apurado para a final. Mas no dia seguinte não consegui acertar a corrida de balanço – fez-me muita falta a presença do meu treinador Raposo Borges, funcionamos como um todo… - caí no aquecimento de 4 metros de altura, magoei-me na anca e, depois fiquei limitado, não estava em condições físicas de saltar. E não teria sido difícil qualificar-me para os Jogos, em Singapura. Bastaria ter feito 4,55…”

Ultrapassado esse percalço, Ruben Miranda, que se diz bastante calmo, sonhava com os cinco metros ainda esta época [a entrevista foi realizada no início de Junho]. “Tinha dois objectivos esta época. Um, ir a Moscovo, já concretizei. O outro é tornar-me o primeiro juvenil a cinco metros. O Raposo Borges, no início da época, escreveu essa marca num quadro…” Missão cumprida.

Admirador dos varistas Sergey Bubka, Steven Hooker e Renaud Lavillenie, Ruben Miranda, que continua a ser um bom aluno (passou para o 10º ano, área de ciência e tecnologia, e quer seguir desporto), treina diariamente na Escola de Salto com Vara do Estádio Universitário de Lisboa com Edi Maia, Diogo Ferreira e… o seu irmão, um ano mais novo, Ícaro Miranda (que já tem 4,12). Para além do atletismo, tem como hobbies o desenho e a fotografia… 

 

Um jovem responsável

 

Raposo Borges, o treinador de mais esta revelação do salto com vara, considera Ruben Miranda “um jovem muito responsável, pontual, interessado, que escuta com toda a atenção as indicações que lhe dou. E é muito educado e sociável”, acrescenta.

Em termos atléticos, o treinador considera que “sem ser um sobredotado fisicamente, o Ruben tem boas condições físicas para a sua idade”. E acrescenta: “tento desenvolver-lhe condições de coragem e determinação que considero muito importantes num varista. Está a assimilar muito bem o modelo técnico que lhe transmito, tendo já uma técnica apreciável para quem tem pouco mais de um ano de treino de salto com vara. Espero que na próxima época passe os cinco metros e se torne o oitavo varista da nossa escola a fazê-lo em 15 anos de actividade daquele que considero ser um projecto de sucesso da federação”, concluiu, orgulhoso, o responsável pela Escola de Salto com Vara do Estádio Universitário de Lisboa. Ruben antecipou-se um ano…

 

QUEM É QUEM

 

Nome: RUBEN MIRANDA

Local/data de nascimento: Recife (Brasil), 10-6-1993 (17 anos)

Clube: Benfica (desde 2009)

Treinador: Raposo Borges

 

EVOLUÇÃO (vara)

2009 – 4,15

2010 – 5,00

 

PALMARÉS (vara)

-     Recordista nacional de juvenis: 4,70 em 12-5-2010; 4,80 em 15-5-2010 ; 4,85 em 23-6-2010; 4,86 em 7-7-2010; e 4,90 e 5,00 em 10-7-2010, em Lisboa (U)

-     Internacional nos Jogos Olímpicos da Juventude – apuramento (2010)

-     Campeonatos nacionais: 2009 – 1º juv.; 2010 – 2º jun. (pc), 1º juv., 1º jun.

 

 

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ABRIL 2010 - Francisco Belo (J. Vidigalense)

 

«Nunca liguei ao desporto...»

 

 

Depois de ter batido o recorde pessoal com o peso de 7,26 kg por cinco vezes ao longo do inverno, de 15,23 até 15,82, Francisco Belo, atleta de Castelo Branco que desde a época passada representa a Juventude Vidigalense, conseguiu os 18 metros exactos com o peso de 6kg, mínimo para o Mundial de Juniores a realizar no Canadá (Moncton), em final de Julho. Era o seu grande objectivo desta época e valeu-lhe o título de Revelação do Mês de Abril. Já em Maio, melhorou para 18,15.

Curiosamente, Francisco Belo chegou ao atletismo por mero acaso. “Nunca fui muito dado à prática desportiva e foi a família que me levou a praticar”, conta o atleta, actualmente com 19 anos, 1,93 m de altura para 110 kg de peso. “Ainda joguei ténis para acompanhar o meu irmão, mas não me entusiasmou. E acabei por ir para o atletismo por mero acaso. Os meus pais conheciam o técnico regional de atletismo de Castelo Branco e foi através dele que cheguei à modalidade. E como já era bastante alto e até um bocado gordo, fui logo encaminhado para os lançamentos e conheci de imediato o meu primeiro treinador, David Santos.”

Recuando uns anos: “Nunca liguei ao desporto, não fazia ideia do que era atletismo, só corria, com sacrifício, o corta-mato na escola uma vez por ano, por causa da nota. E mesmo o futebol nunca me entusiasmou. Alinhava às vezes porque os meus colegas jogavam e me colocavam à defesa, pois era grande e, por isso, tapava bem os caminhos para a baliza!...”

O certo é que, apesar desses antecedentes, Francisco Belo rapidamente deu nas vistas. “Fui ficando adepto do lançamento do peso, fui evoluindo normalmente, comecei a treinar mais e a gostar. Foi uma evolução natural.” Tendo-se iniciado apenas no primeiro ano de juvenil (foi logo 2º no Olímpico Jovem), conseguiu rápidos progressos: com o peso de 5 kg, passou de 14,28 na primeira época para 16,68 na segunda. E, como júnior (6 kg), progrediu de 16,21 em 2008 para 16,65 em 2009 e 18,00 recentemente.

O peso é a sua principal especialidade. Mas a sua compleição física também o ajuda no disco, especialidade na qual já chegou a 50,04 com o engenho júnior (1,75 kg) e a 46,53 com o de 2 kg. “Mas este ano estou a ter dificuldades no treino pois o Estádio Universitário de Lisboa está sem gaiola de lançamentos…”, lamenta. O martelo é que nunca o entusiasmou, apesar de o seu primeiro treinador, David Santos, ser um especialista.

 

Estudante de medicina

Este ano lectivo, Francisco Belo, que é natural e sempre viveu em Castelo Branco, ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa, mesmo em frente ao Estádio Universitário, onde passou a treinar com Luís Herédio Costa, o seu novo treinador. “Claro que o curso é bastante exigente e não me deixa muito tempo livre. Mas eu aproveito todos os furos que tenho para ir treinar e tenho a vantagem de poder ter comigo quase sempre o Herédio Costa, qualquer que seja a hora. Chego a treinar às sete e meia da manhã, antes das aulas, mas também há dias em que treino às oito da noite…”

Nada que perturbe o atleta, curiosamente um dos três lançadores que este ano ingressaram no curso de Medicina, no qual Arnaldo Abrantes é a figura do atletismo mais conhecida. Os novatos, para além de Francisco Belo, são Irina Rodrigues, em Coimbra, e Sara Custódio, em Lisboa (Campo de Santana). “Se o Arnaldo conseguiu praticar atletismo e tirar o curso, penso que também eu o poderei conseguir…”, garante. E recorda: “Embora não praticasse desporto, eu já antes era muito activo, tinha várias actividades, integrando clubes de jornalismo, de geografia, rádio, etc. Depois, ao começar com o desporto, reduzi essas actividades. Consigo conciliar bem as coisas…”

 

Ir melhorando…

Os 18,00 com o peso de 6 kg foram algo inesperados, tão cedo na época. Era o objectivo. Francisco Belo mantém-se reservado. “Não tenho nenhuma marca definida. É treinar e apontar o pico de forma para a altura dos Mundiais.” Com o peso de 7,26 kg, já passou (por pouco) os 16 metros nos Regionais Universitários. “O mínimo para o Mundial é 16,30 (ou então os 18 m com o peso de 6 kg). Penso que poderei lá chegar também. Mas não quero impor metas, nem agora nem para o futuro a mais longo prazo. Não penso nisso, não traço objectivos desses. Não gosto de sonhar muito alto. Prefiro pensar época a época e ir melhorando…”

Luís Herédo Costa, o seu treinador, é mais concreto: “É um atleta com grandes qualidades, tanto para o peso como para o disco, com boa coordenação técnica. Chegou recentemente aos 18 metros certos no peso de 6 kg e acho que pode fazer pelo menos mais meio metro este ano. O problema é o facto de estar no 1º ano de medicina e isso é complicado…”, referiu.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: FRANCISCO Miguel Pereira Boavida Pires BELO

Local/data de nascimento: Castelo Branco, 27-3-1991 (19 anos)

Clubes: ARC Bairro Valongo (2007 e 2008) e Juventude Vidigalense (desde 2009)

Treinadores: David Santos (2007 a 2009), Herédio Costa (2010)

EVOLUÇÃO

              PESO/5   PESO/6   PESO/7,26  DISCO/1,5 DISCO/1,75  DISCO/2

2007   juv.   14,28

2008          16,68    16,21                43,54     41,50      34,69

2009   jun.   -        16,65    15,23pc     -         50,04      46,24

2010          -        18,15    16,07       -         48,68      46,53

 

PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS (no peso excepto indicado)

2007 (juv.) – 2º Olímp. Jov.

2008 (juv.) – 1º CN Juv.; 2º CN Jun.

2009 (jún.) – 2º CN Jun. (pc); 1º CN Jun. (disco); 2º CN Jun.; 3º CN S23

2010 (jún.) – 5º C. Port. (pc); 2º CN S23 (pc)

 

 

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MARÇO 2010 - Ana Queirós Alves (J. Vidigalense)

 

Campeã de crosse

com jeito para o futebol

 

 

Recente campeã nacional juvenil de corta-mato, Ana Queirós Alves conseguiu na época passada 4.36,62 aos 1500 metros, marca que, desde 1990, apenas uma iniciada conseguiu superar (Sónia Fernandes, com 4.36,01 em 1998). Natural de Hamburgo, na Alemanha, onde os pais trabalhavam, veio viver para Portugal (Leiria) aos 4 anos e iniciou-se no atletismo aos 10… por acaso. “Não fazia a mínima ideia que corria bem mas entrei num corta-mato distrital pela minha escola e fui segunda. O coordenador da Juventude Vidigalense, Paulo Reis, conhecia o meu professor de educação física, Rui Machado, e ingressei no clube.” Antes, Ana Alves praticava natação (“não era nada de especial”) e jogava futebol de sete (“era defesa”). Iniciou-se no atletismo e continuou mais um ano no futebol (“o clube onde estava entretanto acabou”) e mais dois na natação. Depois, dedicou-se apenas ao atletismo. “Mas ainda continuo a jogar futebol com os rapazes, como hobbie, e não acho – nem eles… - que jogue mal!”, acrescenta.

No atletismo, ganhou logo a primeira prova (1000 m) que correu como federada mas foi depois, como iniciada, que se começou a dar a conhecer a nível nacional ao vencer os 1000 metros do Olímpico Jovem em 2008 e sendo segunda (derrotada por Liliana Cabral) em 2009, enquanto no Nacional de Juvenis subiu aos pódios de 1500 m (3ª em 2008 e 2ª em 2009). “As minhas distâncias preferidas são os 1000 m, primeiro, e os 1500 m, depois. Mas ainda gosto mais de corta-mato”, afirma Ana Queirós Alves, candidata a um lugar na selecção nacional para os Jogos Olímpicos da Juventude, que terão a sua fase de apuramento europeu em Moscovo, entre 21 e 23 de Maio.

Aluna (com média superior a 14) do 10º ano, admite a hipótese de vir a ser veterinária (“gosto bastante de animais mas ainda não decidi…”). O seu treinador de sempre, Rui Militão, considera-a uma rapariga muito dedicada ao treino. “Nunca falta (5 vezes por semana, no Estádio de Leiria) e concilia-os bem com os estudos”, afirma. “Os resultados estão à vista…” Salientando a sua simpatia e simplicidade (“é muito reservada, nada extrovertida”), garante não estar nada “puxada”, apesar dos resultados já conseguidos. “Nunca fez um treino muito específico, nem muito exigente. Corre muito menos quilómetros que outras atletas da sua idade e tem feito um trabalho bastante diversificado. Ainda tem, por isso, uma grande margem de progressão, o que deixa antever um bom futuro. Vamos a ver… Para já, está no bom caminho”, conclui Rui Militão.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: ANA QUEIRÓS ALVES

Local/data de nascimento: Hamburgo (Alemanha), 7-10-94 (15 anos)

Clube: Juventude Vidigalense (desde 2005)

Treinador: Rui Militão (desde 2005)

 

EVOLUÇÃO

              800 M      1000 M     1500 M

2007   inf.   -          3.13,91    -           

2008   inic.  2.18,09    2.59,17    4.48,90

2009          2.14,55    2.56,17    4.36,62

2010   juv.   2.16,18pc  2.55,79    4.40,56pc   

 

PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS

       CN Jun.(pc)  CN Juv.      Olimp. Jov.  Km Jov.      C- Mato

2008   -            3ª – 1500m   1ª – 1000m   2ª           -

2009   -            2ª – 1500m   2ª – 1000m   2ª           -

1010   3ª – 800m    -            -            -            1ª juv.

 

 

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FEVEREIRO 2010 - Bruno Moreira (Individual)

 

Campeão iniciado e juvenil

«regressa» aos… 23 anos

 

Sobrinho de Albertina Dias, abateu 21 quilos e, sem clube e tendo o pai como treinador, foi vice-campeão nacional de 800 e 1500 m a trabalhar, de pé, oito horas por dia…

 

Bruno Moreira chegou a ser recordista nacional de pista coberta de infantis e juvenis e ficou a centésimos de o ser também ao ar livre, conquistando vários títulos nacionais como iniciado e juvenil, nos primeiros anos deste século. Já não foi tão feliz como júnior e “desapareceu” em 2007, só regressando, como individual, em 2009, para se salientar este inverno, em pista coberta, ao chegar a vice-campeão nacional de 800 e 1500 m, dando trabalho a Tiago Rodrigues e batendo os recordes pessoais com 1.51,62 e 3.46,42, respectivamente. Aos 23 anos, sonha agora com a presença no Campeonato da Europa de Barcelona…

Sobrinho de Albertina Dias (irmã da mãe dele), Bruno Moreira foi, juntamente com o irmão Paulo, incentivado a praticar atletismo pelo pai, José Fontes, que foi o primeiro treinador de Albertina no NA Esperança. O irmão, dois anos mais velho e que também se salientou enquanto jovem, deixou entretanto o atletismo e ingressou na Força Aérea. Bruno começou mais a sério aos 12 anos, como infantil, no Luz e Vida Gondomarense, salientando-se desde logo. Foi campeão do Norte no Atleta Completo e quarto na final nacional e, depois, como iniciado e juvenil, ganhou no Olímpico Jovem e nos Campeonatos Nacionais. Chegou a ir ao Festival Olímpico da Juventude Europeia, ficando a 21 centésimos da final de 800 metros, desde sempre a sua prova preferida.

Não foi tão feliz enquanto júnior (quatro anos seguidos vice-campeão nacional da categoria em 800 metros!) e acabou por desistir da modalidade em 2007, aos 20 anos, numa altura em que chegou a treinar sob a orientação de João Campos. “Foi um acumular de situações, desde duas lesões de média intensidade ao desinteresse do clube, que me deixou de pagar…”, recorda o atleta, que entretanto engordou, chegando aos 83 quilos (tem agora 62!). “A minha mãe incentivou-me a regressar, o meu pai prontificou-se a voltar a treinar-me e recomecei em Fevereiro do ano passado.”

Entretanto, terminou o 12º ano e fez um curso de programador de máquinas industriais, começando a trabalhar. “Estou oito horas por dia em pé, num ofício que exige muita atenção…”. O facto não tem prejudicado, para já, a sua prestação desportiva nem impede que, em determinados períodos, treine duas vezes por dia, de manhã às 6.45 h e à tarde a partir das 18.30 horas. “E nunca treinei em pista desde que regressei. Quando preciso, faço as séries na estrada. Treino de manhã em Ermesinde, à noite em Valongo e faço o ‘rolamento’ em Travagem.”

Com um ano de treino, chegou à sua melhor forma de sempre. E já sonha com as grandes competições internacionais, para já nos 800 metros, futuramente nos 1500 metros. Mantém o emprego (de momento nada recebe do atletismo), mas espera poder dedicar-se mais à modalidade na próxima época, abandonando o trabalho para treinar mais e ingressar na Faculdade. “Já tive algumas sondagens por parte de clubes, mas ainda sem nada de muito concreto. Há muito tempo para isso ainda…”, afirma, cauteloso. Entretanto, vai dividindo o tempo entre o trabalho e o treino, aproveitando os poucos momentos livres para descansar. “Por exemplo, à hora do almoço. Como depressa e vou para o carro descansar um pouco…”

 

QUEM É QUEM

 

Nome: BRUNO Miguel Jesus MOREIRA

Local/data de nascimento: Miragaia (Porto), 8-3-1987 (23 anos)

Clubes: Luz e Vida Gondomarense (2000 a 2007) e individual (desde 2008)

Treinador: José Fontes

 

EVOLUÇÃO

                  800M             1500M

2000    inf.      2.47,1 (1000 m)

2001    inic.     1.58,25          4.05,05

2001              1.57,34          4.05,08

2003    juv.      1.54,04          3.56,39

2004              1.53,88          3.56,78

2005    jun.      1.52,25          3.52,79

2006              1.52,39pc        3.58,95

2007    s23       1.53,73pc        3.57,70pc

2008                -              -

2009              1.55,69          -

2010    sen.      1.51,62pc        3.46,42pc

 

Outro recorde pessoal: 400 m – 50,88 (2010)

 

RECORDES

Ex-recordista nacional de pista coberta de 1000 m – infantis (2.54,44 em 2000) e 1500 m – juvenis (4.01,667 em 2004)

 

PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES

Atleta Completo (inf.): 4º em 2000

Olímpico Jovem (inic.): 1º em 2001 e 2002 (800 e 1500 m).

Olímpico Jovem (juv.): 1º em 2004 (800 m), 2º em 2004 (3000 m), 3º em 2003 (1500 m).

Camp. Nac. Corta-Mato (juv.): 4º em 2004

Camp. Nac. Juvenis: 1º em 2003 e 2004 (800 e 1500 m), 2º em 2001 (800 m), 3º em 2002 (800 m).

Camp. Nac. Juniores: 2º em 2003, 2004, 2005 e 2006 (800 m), 3º em 2006 (1500 m)

Camp. Nac. Juniores (p. cob.): 3º em 2004 (800 m)

Camp. Nac. Sub23: 3º em 2005 (800 m)

Camp. Nac. Sub23 (p. cob.): 2º em 2007 (800 m), 3º em 2006 (800 m)

Campeonato de Portugal (p. cob.): 2º em 2010 (800 e 1500 m)

 

INTERNACIONALIZAÇÕES

Festival Olímpico da Juventude Europeia (2003): 3º na eliminatória de 800 m

 

 

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JANEIRO 2010 - Tiago Silvestre (S. L. Benfica)

 

Megasprint "roubou-o" ao futebol

 

Vitória no torneio levou-o ao Arneirense e, três anos passados, foi titular do Benfica nos 60 m do Nacional de Clubes

 

Era ainda há pouco um ilustre desconhecido. Mas, ao fazer 6,93 nos 60 metros, tornou-se o 7º júnior de sempre em pista coberta e, beneficiando embora da lesão de dois outros atletas, foi o velocista do Benfica no recente Nacional de Clubes, classificando-se em terceiro lugar. Tiago Silvestre, 18 anos, nascido nas Caldas da Raínha, onde continua a viver, foi descoberto no MegaSprint de 2007. Ganhou os 50 metros (juvenis) e foi convidado pelo seu actual treinador, Vítor Zabumba, a ingressar no Arneirense. “Eu jogava futebol, desde os oito anos, no Caldas Sport Clube, que até tinha uma boa equipa. Era defesa-central, sabia que era rápido, mas nunca pensei que o fosse tanto. Nas várias fases do MegaSprint, a começar na escola, ganhei sempre. E acabei por entrar para o atletismo, embora sem deixar o futebol.” Logo a seguir ao MegaSprint, surpreendeu ao fazer 11,13 aos 100 metros, batendo o recorde distrital (Leiria) de juvenis. Regressou ao futebol no final dessa época e, em 2008, não correu. Mas, em Abril do ano passado, resolveu optar em definitivo pelo atletismo. “Foram muitos anos de futebol, já estava um bocado cansado. E, depois, como as coisas me correram bem no atletismo...”, explica.

Tiago Silvestre melhorou para 10,85 na época passada, subindo ao pódio do Nacional de juniores (3º). E este inverno para além de conseguir 6,93 nos 60 metros, foi campeão nacional júnior e terceiro nos sub-23. “Nunca pensei progredir tanto. No ano passado, não sabia correr e treinei essencialmente a técnica. Uma vez esta adquirida, pude então começar a fazer um treino mais específico. Talvez seja essa a razão dos progressos.” No final da época, acompanhou vários outros atletas do Arneirense (entre os quais Eva Vital) que se tranferiram para o Benfica, clube  no qual Vítor Zabumba também é treinador. “Continuo a residir nas Caldas e a treinar na pista do Arneirense, todos os dias ao fim da tarde, excepto aos domingos. E tenho como objectivo para esta época chegar ao mínimo para o Mundial de Juniores (10,64).”

Entretanto, estuda no 12º ano da Escola Rafael Bordado Pinheiro, área de electrónica, automação e computadores. “Ainda não sei qual o ramo que seguirei, mas será desse tipo. Sou um aluno médio, mas gosto de matemática...”

 

QUEM É QUEM

 

Nome: TIAGO SILVESTRE

Local/data de nascimento: Caldas da Raínha, 18-6-1991 (18 anos)

Clubes: Arneirense (2007 e 2009) e Benfica (2010)

Treinador: Vítor Zabumba

 

EVOLUÇÃO

60 m (pc): 6,93 (2010)

100 m: 11,13 (2207), 10,85 (2009)

200 m: 22,57 (2009), 22,68pc (2010)

 

PALMARÉS

-     2007: 1º no MegaSprint (50 m – juvenis)

-     2009: 3º no Nacional de Juniores (100 m)

-     2010 (p. cob.): Campeão nacional de juniores (60 m) e 3º (200 m); 3º no Nacional de sub-23 (60 m)

-     Recordista nacional sub-23 de 4x200 m (2010)

 

 

 

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Maratonista foi

dupla revelação

 

Ao longo dos 28 anos que já leva esta iniciativa da Revista Atletismo, é a primeira vez que um maratonista é eleito Revelação do Ano. E bem pode dizer-se que José Moreira, 29 anos, atleta do Cyclones, foi uma dupla revelação: quando foi quarto na Maratona de Hamburgo, em Abril, com 2.14.57, marca que lhe valeu a selecção para o Mundial de Berlim… e a escolha como Revelação do Mês; e, principalmente, quando foi 9º nesse Mundial, melhor português e segundo europeu, logo após o consagrado espanhol Chema Martinez. E daí a sua escolha como Revelação do Ano, sucedendo ao benfiquista Marcos Chuva, eleito em 2008.

José Moreira era um ilustre desconhecido. Como referimos no número de Junho último, fora campeão nacional de 10000 m em 2004 (mas com uma marca modesta), título que repetiria este ano (com 29.55,13). Trabalhando num armazém em S. João da Madeira, passou a representar o Cyclones em 2007. Dois anos depois, saiu do anonimato. Foi a grande revelação deste ano…

 

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Julho 2009 - Ricardo Freitas (GRECAS)

 

Acompanhava a madrinha

Teresa Machado aos treinos

 

… e já foi quinto no lançamento do disco do Festival Olímpico da Juventude Europeia, no seu primeiro ano de juvenil

 

 

Ricardo Freitas é afilhado de Teresa Machado e, em pequeno, acompanhava os treinos da madrinha, na Gafanha da Nazaré, onde ambos residem. Um dia, o treinador da antiga atleta olímpica, Júlio Cirino, convenceu o jovem Ricardo a experimentar. Gostou e… ficou. Agora, com mais uma época de juvenil pela frente, é já o segundo melhor discóbolo de sempre da categoria (56,58 com o engenho de 1,5 kg), apenas atrás do recordista António Vital Silva (59,57) e do ex-recordista Jorge Grave (57,12). “Tem todas as condições para ser um excelente lançador juvenil e júnior”, refere Júlio Cirino, seu treinador. “É muito dedicado e cumpridor, sempre pontual e responsável. O problema poderá surgir quando ingressar na universidade. Mas se, nessa altura, tiver o apoio necessário, poderá ir longe…”

A poucos dias de completar 16 anos, Ricardo Freitas pratica atletismo desde 2005, aos 11 anos. Antes, ainda experimentou o basquetebol (durante dois anos) e esteve (pouco tempo) na natação. Mas foi o atletismo que o conquistou. E, dentro do atletismo, o lançamento do disco, mais que o peso, embora nesta especialidade também tenha chegado ao quarto lugar entre os melhores iniciados de sempre e já seja o nono entre os juvenis. Ricardo Freitas estuda (11º ano) na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré (área de ciências e tecnologias) – mas ainda não decidiu que curso seguirá – e treina cinco vezes por semana (quatro na época passada) na lota, junto à ria de Aveiro, num terreno que os pescadores cederam e onde foi construído um círculo para lançamentos. “Agora vejo mais raramente a minha madrinha (Teresa Machado), pois ela já não treina e está ocupada no trabalho dela. Mas quando a encontro vai-me dando conselhos…” O atleta do Grecas esteve este ano no Mundial de Juvenis (20º na qualificação do disco) e no Festival Olímpico da Juventude Europeia, um autêntico Europeu de Juvenis (5º classificado). Em 2010, quer estar nos novos Jogos Olímpicos da Juventude, em Singapura. “Penso conseguir chegar aos 61 ou 62 metros no disco e aos 17 metros e tal, quase 18 m no peso”, prevê o atleta, em quem o treinador, se tudo correr bem, vê um futuro atleta olímpico em 2016. “Vamos ver com o tempo, mas se ele o diz…”, comenta um reservado Ricardo Freitas.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: RICARDO Jorge Machado FREITAS

Local/data de nascimento: Aveiro, 14-11-1993

Altura/peso: 1,86 m / 92 kg

Clube: Grecas (desde 2005)

Treinador: Júlio Cirino

 

EVOLUÇÃO

                          PESO               DISCO

2006   inf.     11,96 / 3kg   38,89 / 1kg

2007   inic.    15,57 / 4kg   53,47 / 1kg

2008   inic.    16,70 / 4kg   63,76 / 1kg

                   14,59 / 5kg   52,43 / 1,5kg

2009   juv.    16,61 / 5kg   56,58 / 1,5kg

                   13,49 / 6kg   44,14 / 1,75kg

 

INTERNACIONALIZAÇÕES

- Camp. Mundo Juvenis’2009: 20ºqual. (52,30)

- Fest. Olímp. Juv. Europeia’2009: 5º (56,28) 

 

COMPETIÇÕES NACIONAIS

                          OLÍMP. JOV.     NAC. JUV.

2008   inic.    1º peso           2º disco

2009   juv.    1º peso/disco   1º peso/disco

 

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Julho 2009 - Bruno Gualberto (Juventude Vidigalense)

 

Dos mínimos à tangente

a 9º português de sempre

 

Nasceu no Brasil e chegou a Portugal aos 12 anos. Quando experimentou o atletismo só conhecia as corridas na estrada e, nove anos depois, finalmente português, chegou a internacional  e tornou-se campeão nacional

 

Bruno Gualberto nasceu (há 21 anos) no Brasil, numa pequena localidade do Estado do Paraná. Quando tinha 12 anos, acompanhou os pais, que emigraram para Portugal, ele camionista, ela educadora de infância. “Foi uma adaptação fácil, só sentia muito frio, mas já me habituei...”, recorda.

Chegou a Portugal em Dezembro de 2000 e, em Abril de 2002, o atletismo entrou na sua vida. “Foi através da escola, nos Jogos de Leiria, em várias modalidades. Escolhi o BTT e o atletismo, pensando que atletismo significava corrida de estrada. Quando cheguei ao estádio de Leiria, puseram-me a saltar em altura (fiz 1,35) e comprimento (cerca de 4,90), a lançar o peso e a correr 80 e 1000 m. Ganhei o pentatlo, sendo primeiro nas corridas e segundo nos concursos! Vi os outros fazer e tentava imitá-los...”

Presente no estádio, o prof. Paulo Reis, responsável da Juventude Vidigalense, apressou-se a convidá-lo a ingressar no seu clube. “Aceitei e... nunca mais parei”, refere Bruno Gualberto, então iniciado de 1º ano. “A princípio gostei mais das corridas de velocidade – os 1000 m cansavam muito... .Das barreiras só comecei a gostar no ano seguinte, depois de ser terceiro nos 100 m barreiras do Olímpico Jovem. Havia sido 14º no ano anterior...”

A primeira grande vitória que recorda foi a de 200 metros no Nacional de Juniores de 2007, na sua segunda época na categoria. “Comecei então a dedicar-me mais aos 400 m barreiras. Sou relativamente rápido, tenho boa resistência e como sempre passei bem as barreiras...” De qualquer forma, os seus progressos nos 400 m barreiras, esta época, foram surpreendentes, de 52,64 para 51,14, marca que o coloca já no top-10 nacional de sempre, em 9º lugar. “Uma vez que me naturalizara português em Abril, só queria fazer os mínimos para o Europeu de Sub-23, que eram de 52,20. E se fizesse 51,99 já ficaria muito satisfeito. Passei toda a época a tentar o mínimo, sem o conseguir, até que, finalmente, na última prova, o Nacional de Sub-23, o obtive e logo com 51,29. Foi a maior alegria que tive até agora...” Depois, em Kaunas, no Europeu, conseguiu melhorar para 51,14 nas eliminatórias, fazendo a seguir 51,31 nas meias-finais. Com o abandono anunciado de Edivaldo Monteiro, ficou sendo o melhor especialista nacional, comprovando-o com o título nacional. “Não sei se serei o melhor”, acautela. “O João Ferreira pensa dedicar-se aos 400 m barreiras e fará certamente grandes marcas. Não será nada fácil lutar com ele...”

 

Ligado ao desporto

Bruno Gualberto concluiu o 12º ano mas, devido aos Jogos da Lusofonia, não pode fazer os exames de ingresso no ensino superior. Quer seguir desporto e terá agora pela frente um ano a trabalhar. “Mas ainda não comecei a procurar emprego. Para já estou de férias”, afirmou o jovem, que mantém um pequeno sotaque brasileiro. Antes de se naturalizar e ao longo de vários anos, ganhou campeonatos mas ficou fora do pódio e das medalhas. “Claro que é sempre triste ficar na bancada e ver os outros, a quem ganhámos, subir ao pódio. Mas eu sabia que valia as medalhas, os tempos contavam e a motivação manteve-se sempre. Fui evoluindo mesmo sem medalhas...”, conclui.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: BRUNO GUALBERTO

Local/data de nascimento: Diamantes do Norte, Paraná (Brasil), 1-8-1988 (português desde 21-4-2009)

Clube: Juventude Vidigalense (desde 2002)

Treinador: Pedro Custódio

 

EVOLUÇÃO

                        100 M   200 M   400 M   110 B    400 B

2006     jún.      -           -           51,36    -           55,06

2007                 10,90    21,69    48,78    14,61    53,49

2008     s23       10,94    21,85pc 49,54    14,74    52,64

2009                 -           22,08pc 48,40    14,41    51,14

 

Marcas nos escalões jovens:

2003 (inic.): 80 m – 9,87; 300 m – 38,88; 100 bar. - 14,60; 300 bar. - 41,47.

2004 (juv.): 110 b/91 – 15,30; 400 b/84 – 59,52

2005 (juv.): 110 b/91 – 14,44; 400 b/84 – 57,08

 

Marcas nos escalões jovens:

2003 (inic.): 80 m – 9,87; 300 m – 38,88; 100 bar. - 14,60; 300 bar. - 41,47.

2004 (juv.): 110 b/91 – 15,30; 400 b/84 – 59,52

2005 (juv.): 110 b/91 – 14,44; 400 b/84 – 57,08

 

INTERNACIONALIZAÇÕES (todas em 2009)

- Campeonato da Europa de Selecções (4x400 m – 11º)

- Jogos da Lusofonia (400 bar. - 4º; 4x400 m – 2º)

- Campeonato da Europa de Sub-23 (400 bar. - 6º mf)

 

PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS

       CP         CPpc        CNs23       Cns23pc     CNJun

2006   -          -           -           -           1º – 110b

2007   -          -           3º – 200m   3º – 60b    1º - 200m

                              3º - 400b               2º – 400b

2008   -          -           1º – 110b   -           -

                              1º – 400b

2009   1º – 400b  1º – 400m   1º – 400b   1º – 400m   -

       2º – 400m              2º – 110b   2º – 200m

                                          3º – 60b

Nota: Sendo ainda brasileiro e já maior de 18 anos, não subiu ao pódio nos campeonatos de 2007, 2008 e nos campeonatos de pista coberta de 2009

 

             CNJuv        OJ

2003   inic.  -            3º – 300m

                           3º – 100b

2005   juv.   2º – 110b    2º – 400b

                           3º – 110b

 

 

 

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Junho 2009 - Liliana Cabral (SC Reboleira Damaia)

 

Uma nova Carla Sacramento?

 

Em iniciadas, só a antiga campeã, com quem tem muitas parecenças, conseguiu melhor tempo que ela nos 800 m. Mas Liliana ainda tem mais um ano no escalão…

 

Tem apenas 14 anos, é iniciada de primeiro ano e já conseguiu 2.12,29 aos 800 metros, ao ganhar o Nacional de Juvenis. Chama-se Liliana Cabral e é já a segunda melhor iniciada de sempre na distância, a seguir à recordista Carla Sacramento (2.10,48), com quem tem grandes parecenças físicas e na forma de correr. “Não, não a conheço, nunca a vi correr”, afirma a atleta, a quem o presidente da Federação, Fernando Mota, prometeu apresentar a antiga campeã no Seixal, aquando dos Campeonatos de Portugal.

Habitante no problemático Bairro de Santa Filomena, na Amadora, Liliana Cabral começou por praticar atletismo no clube local “Cá Te Espero” e no SFRAA (Filarmónica da Amadora), ainda muito jovem. “Fui com umas amigas e o treino era corridas e brincadeira”, recorda. Depois, há cinco anos, ingressou, ainda nem benjamim era, no Sporting Clube da Reboleira e Damaia, onde desde o ano seguinte passou a ser orientada pelo actual treinador, Luís Mugarro. “Sempre foi muito certinha, raramente falha os treinos e só andou durante uns tempos com problemas nos estudos. Mas já conseguiu entretanto conciliá-los e voltou a ser boa aluna”, conta o treinador, que diariamente a vai buscar e levar a casa (a ela e a vários outros jovens da zona) para treinarem no Estádio Nacional. “Temos uma carrinha de nove lugares que normalmente leva 11 ou 12. E há aqueles que são da zona do Estádio e vão lá ter”, explica.

Liliana Cabral sempre se dedicou ao meio-fundo. No ano passado, ainda infantil, ganhou o Km Jovem, e baixou dos três minutos (2.59,43). E, surpreendentemente, foi segunda no pentatlo do Atleta Completo. “Só treinou as outras especialidades pouco tempo antes da fase regional. Mas, inesperadamente, ganhou-a e então intensificámos um pouco o treino das disciplinas técnicas e ela acabou por ser vice-campeã nacional”, explica o treinador. “Ela tem jeito para tudo e na escola ganha tanto a correr como na altura ou no comprimento. Só não gosta é de lançamentos…” A atleta confirma, mas diz não abdicar do meio-fundo. “Do que gosto mais é de 800 e 1000 m e, no futuro, quero ser corredora de 800 m. Mas também gosto de fazer barreiras e comprimento, na escola…”

Esta época, como iniciada, Liliana teve problemas no corta-mato (“as coisas não correram muito bem”, reconhece o treinador, Luís Mugarro) mas brilhou na pista, ganhando novamente o Km Jovem, batendo o recorde nacional de 1000 m (2.55,41) no Olímpico Jovem e surpreendendo no Nacional de Juvenis, ao derrotar as favoritas Diana Soares e Mariana Brás nos 800 m, com um tempo (2.12,29) que era mínimo para o Mundial de Juvenis! “Eu nem queria acreditar que tinha ganho”, recorda a atleta, que só no dia seguinte soube que tinha feito o mínimo mas, ao mesmo tempo, que, por ser ainda iniciada, não poderia ir à competição. “Foi um choque, mas já passou”, afirma o treinador. “Ela terá muitas oportunidades…” Nesse dia, Liliana Cabral melhorou o seu tempo de 2.13,52 para 2.12,29 e correu de forma tacticamente perfeita. “Ela faz sempre tudo o que lhe digo. Nós apontávamos para um lugar no pódio, mas sem descurar a hipótese de uma vitória…”, acrescenta o treinador.

Liliana Cabral, que passou para o 7º ano da Escola Básica Cardoso Lopes, na Amadora (“gosto em especial de matemática e educação física”), e quer ser cozinheira, tem um largo futuro à sua frente como atleta. Assim seja bem conduzida e se continue a dedicar. “Ela treina todos os dias, de segunda a sexta-feira, e quando não há provas vamos ao domingo para a mata ou para a praia”, conta o treinador. “Não treina muito de cada vez, mas fá-lo diariamente”…

 

QUEM É QUEM

 

Nome: LILIANA CABRAL

Local/data de nascimento: Lisboa, 24-4-1995 (14 anos)

Clube: Sporting Clube da Reboleira e Damaia (desde 20005)

Treinador: Luís Mugarro (desde 2006)

 

Evolução:

2007 (inf.): 600 m – 1.41,24; 800 m – 2.25,33; 1000 m – 3.10,25.

2008 (inf): 150 m – 20,56; 600 m – 1.38,36; 800 m – 2.20,88; 1000 m – 2.59,43; pentatlo – 2553.

2009 (inic.): 300 m – 42,15; 800 m – 2.12,29; 1000 m – 2.55,41.

 

Principais classificações nacionais:

2008 (inf.): 1ª Km Jovem; 2ª Atleta Completo

2009 (inic.): 1ª Km Jovem; 1ª Olímpico Jovem (1000 m); 1ª Nacional de Juvenis (800 m)

 

 

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Maio 2009 - Carlos Nascimento (Escola do Movimento)

 

Cinco meses de treino e...

recorde de 30 anos!

 

Apareceu no clube em Dezembro e em Maio bateu o recorde nacional de iniciados de 80 m, que durava desde…. 1978!

 

Bastaram menos de cinco meses de treino para que Carlos Nascimento, de 14 anos, batesse o segundo mais velho dos recordes nacionais jovens: o de 80 metros de iniciados. Revelou-se na Escola Secundária Padrão da Légua, em Senhora da Hora – onde é (bom) aluno do 9º ano, pretendendo seguir engenharia informática. “Na minha escola ganhava tudo e, um dia, o pai de um amigo meu (que foi atleta e treinador do CDUP) sugeriu-me que fosse treinar com o grupo da Escola do Movimento. Fui, gostei e fiquei…”

[Abra-se um parênteses para referir que a Escola do Movimento é um grupo formado há quatro anos com origem na antiga escola de atletismo do CDUP que cessou a actividade por falta de apoios camarários e dificuldades de utilização da pista por parte de jovens não universitários. “Com base num protocolo com o Gabinete de Atletismo da Faculdade de Desporto, do Porto, criámos a Escola do Movimento, nome que pretendeu homenagear o falecido professor Robert Zotko”, explica Branco Lima, um dos responsáveis do grupo, juntamente com Filipe Conceição e Pedro Guimarães. “Temos cerca de 80 atletas inscritos e treinamos na pista (de 4 corredores) da Faculdade e no espaço coberto para saltos que lá existe. Cada atleta não tem um treinador mas um grupo de treinadores e de alunos da Faculdade que o orientam.”]

Rapidamente Carlos Nascimento deu nas vistas. Mas acabou por exceder as expectativas. A 28 de Março, correu os 80 m em 9,17, mas com vento de +2,8 m/s. O recorde nacional de iniciados estava em 9,0 manuais (correspondente a 9,24 electrónicos). A 2 de Maio, na pista da Maia, repetiu os 9,17 mas então já sem vento. “Da primeira vez não fazia ideia que era recorde mas, depois, já ia informado…”, recorda. Duas semanas depois ganhou a final nacional do Olímpico Jovem, em Albufeira, com 9,00 mas vento a mais (+3,0 m/s). Faria depois homologáveis 9,24 e, entretanto, ganhou o Campeonato Jovem do Norte, com 31,53 aos 250 m (tem 30,70 como melhor) e 6,45 (mas +4,7 m/s de vento) no comprimento. “Claro que gostaria de, um dia, ser internacional e entrar nas grandes competições. É para isso que treino…” Fá-lo, para já, apenas duas vezes por semana, frequência que aumentará na próxima época, quando for juvenil.

“Ele é muito discreto mas integrou-se no grupo”, conta Branco Lima, um dos responsáveis do clube. “Nos primeiros tempos não tinha a noção do seu valor como atleta, mas o recorde que bateu trouxe-lhe uma motivação acrescida”, acrescenta. Um jovem a seguir com atenção…

 

QUEM É QUEM

 

Nome: CARLOS NASCIMENTO

Local/data de nascimento: Matosinhos, 12-10-1994 (14 anos)

Clube: Escola do Movimento (desde 2009)

Treinador: Eduardo Seixas (com a colaboração de Branco Lima, Filipe Conceição e Pedro Guimarães)

Recordes pessoais (2009): 80 m – 9,17; 100 m – 11,51; 150 m – 18,08; 250 m – 30,70

Palmarés:

- Vencedor do Olímpico Jovem (80 m – inic.) em 2009

- Recordista nacional de 80 m (iniciados) – 9,17 (2009)

 

 

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Abril 2009 - José Moreira (Cyclones A.C.)

 

Maratonista surpresa a caminho de Berlim

 

De ilustre desconhecido (ou quase) para o Campeonato do Mundo, após duas maratonas e largos progressos. Tem 29 anos, vive em S. João da Madeira, trabalha num armazém, foi campeão nacional de 10000 m em 2004 e está a viver um sonho

 

José Moreira foi quarto na Maratona de Hamburgo, em Abril, com 2h 14m 57s, mínimo para o Mundial de Berlim caso houvesse equipa para a Taça do Mundo, a realizar conjuntamente. Quando Luís Feiteira e Fernando Silva conseguiram mínimos na Maratona de Praga, no último dia do prazo (10 Maio), o atleta do Cyclones passou a ter boas hipóteses de selecção, as quais se confirmaram no dia seguinte. É o culminar (para já) de uma longa carreira, passada quase no anonimato de que nem saiu quando se sagrou campeão nacional de 10000 metros em 2004, numa prova sem primeiros planos e ganha acima dos 30 minutos (30.01,31).

O atletismo surgiu por volta dos seus 6/7 anos, por iniciativa de um entusiasta da sua terra, Manuel Rodrigues, que procurava miúdos que gostassem de correr e os inscrevia pelo Ribeirinhos de S. João da Madeira, o seu primeiro clube. Ao fim de uns dois anos o clube acabou e todos se transferiram para a Sanjoanense. “Comecei a fazer corridas de estrada para miúdos. Era quarto/quinto, recebia medalhas, depois comecei a ganhar uma ou outra prova que dava taças e fui-me entusiasmando.” O jovem José Moreira foi crescendo e, como júnior, chegou a ser vice-campeão nacional de 3000 m em pista coberta. Seguiu-se o Campismo e, depois, a ACR de Vale de Cambra, clube que representou até 2005, ano em que foi 18º no Nacional de Corta-Mato (longo) – a sua melhor classificação de sempre – e ingressou no Joane. Seguiu-se, no ano seguinte, o Cyclones, clube de Manuela Machado, que continua a representar.

A época passada nem correu bem, devido a um princípio de hérnia inguinal. Chegou a colocar-se a hipótese de operação, mas optou-se pelos tratamentos e pela recuperação através de exercícios adequados. Recuperado, ele e o treinador, Paulo Ferreira, começaram a pensar na hipótese de correr uma maratona. “Aumentámos o volume de treino, para ver o que dava, e fui a Bilbao, em Novembro. As coisas correram bem, acabei à vontade, pronto para outra, em quinto lugar, com 2h 22m 12s.” Ficou desde logo planeada outra maratona para a Primavera. Entretanto, fruto do trabalho efectuado, os recor-des pessoais começaram a cair: 29.37,06 aos 10000 m (antes: 29.49,1 em 2007) e 1.04.56 na meia-maratona, na Póvoa de Varzim (antes: 1.05.35 em Ovar’2005).

E, no passado mês de Abril, com uma pequena ajuda de Manuela Machado para a deslocação (a estadia foi paga pela organização), José Moreira foi à Maratona de Praga, acompanhado pelo treinador, que pagou a sua deslocação. “Eu não pensava fazer menos de 2h 20m mas o meu treinador insistia em 2h 17m/2h 18m. E levava os tempos de passagem no braço para esse tempo. Passei à meia em 1h 07m 59s e, aos 30 km, como me sentia bem, o meu treinador disse-me para deixar de ligar aos tempos. Passei vários atletas e acabei por fazer menos um minuto na segunda metade, terminando ao sprint, à vontade. Nem sabia que havia sido quarto, pensava que estava pior. Só foi pena haver prémios apenas para os três primeiros…”

Depois, com mínimo para a equipa da Taça do Mundo (caso houvesse pelo menos três atletas com mínimos à maratona), teve que esperar que houvesse mais dois atletas a consegui-los. “Passei a manhã do dia da Maratona de Praga na net, a ver os tempos. E a torcer para que o Luís Feiteira e o Fernando Silva fizessem mínimos…”

Agora, vai começar a preparar a maratona do Mundial, “um sonho”. “Vou dar o máximo e o objectivo será obter a melhor classificação possível e melhorar o meu tempo. Pela forma como terminei em Hamburgo, penso que será viável…”, conclui o atleta de S. João da Madeira, empregado num armazém de uma empresa de artes gráficas que, para treinar, se levanta três dias na semana às seis um quarto da manhã, entrando depois às oito ao serviço e voltando a treinar às seis da tarde. É assim há muitos anos…

 

QUEM É QUEM

 

Nome: JOSÉ Carlos MOREIRA

Local/data de nascimento: S. João da Madeira, 5-5-1980 (29 anos)

Clubes: Ribeirinhos de S. J. Madeira, Sanjoanense (até 1998), Campismo (1999 e 2000), ACR Vale de Cambra (2001 a 2005), NA Joane (2006), Cyclones AC (desde 2007).

Treinador: Paulo Ferreira

Principais classificações nacionais: campeão nacional de 10000 m (2004); vice-campeão nacional de juniores de 3000 m – p. cob. (1998); 14º no Nacional de Estrada (2009); 18º no Nacional de Corta-Mato (2005).

Recordes pessoais: 800 m – 1.57,43 (2005); 1500 m – 3.56,26 (2005); 3000 m – 8.19,02 (2007); 5000 m – 14.19,66 (2004); 10000 m – 29.37,06 (2009); meia-maratona – 1.04.56 (2009); maratona – 2.14.57 (2009).

 

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Março 2009 - Sara Esteves (CA Mazarefes)

 

Da meningite aos seis anos

aos pódios como juvenil

 

Ainda juvenil, foi vice-campeã de Portugal de pista coberta. Foi a 10ª vez em que foi segunda em Campeonatos Nacionais e Olímpicos Jovens. Só ganhou uma vez…

 

 

Vice-campeã de Portugal absoluta este inverno, nos 60 metros em pista coberta, Sara Esteves, atleta juvenil do Centro de Atletismo de Mazarefes, próximo de Viana do Castelo, teve uma infância difícil. Aos seis anos esteve algum tempo no hospital, com uma meningite. E foi por recomendação médica que começou a praticar desporto. Conhecia um dos treinadores de atletismo da Associação Desportiva e Cultural de Anha, tinha lá várias colegas de escola e foi aí que se iniciou, como benjamim. “Fazíamos essencialmente jogos, era mais um atletismo a brincar, nada a sério, e, desde logo, comecei a ganhar e a gostar”, conta ela. O seu actual treinador, Joel Maltez, que a começou a orientar no seu primeiro ano de infantil, recorda-a como uma miúda bastante alta para a idade mas bastante fraca e totalmente descoordenada. “Tivemos que treinar essencialmente a sua coordenação básica”.

A primeira época mais a sério foi a de 2006, como iniciada de primeiro ano. E foi com grande surpresa, recorda, que foi segunda no comprimento do Olímpico Jovem. “Fiz 5,01 e nem queria acreditar. Subi ao pódio a chorar de alegria!... Eu já ganhava as provas distritais, em Viana do Castelo, mas não me imaginava num pódio a nível nacional. Admitia que o pudesse eventualmente conseguir na velocidade – fui também segunda nos 80 m – mas não no comprimento…” Comprimento que continua a ser a sua especialidade favorita. “Do que mais gosto é de saltos – comprimento e, depois, triplo – embora seja melhor na velocidade”.

Esses segundos lugares do Olímpico Jovem de 2006 foram os primeiros de uma série enorme: três em Olímpicos Jovens e sete em Campeonatos Nacionais (juvenis, juniores e absolutos). “Só ganhei uma vez, no triplo do Olímpico Jovem do ano passado. “Às vezes vou com medo para as provas, falta-me acreditar mais em mim, preciso de encarar as provas de outra maneira. Admiro muito a Eva Vital e a Filipa Martins e não me consigo ver como elas. Preciso de ganhar confiança para chegar ao ouro…”

Este ano, Sara Esteves tem dois sonhos: chegar aos seis metros no comprimento e ir ao FOJE (Festival Olímpico da Juventude Europeia), em Julho, em Tampere, na Finlândia. “Podemos fazer uma excelente equipa de 4x100 m – a Eva, a Filipa, eu e mais uma quarta atleta”. Mas Sara Esteves também quer chegar ao ouro no Nacional de Juvenis (“e não mais uma vez à prata…”) e não esquece também as competições colectivas do seu clube. “Somos um pequeno clube, mas onde todos – dos atletas e treinadores aos dirigentes – nos apoiamos muito uns aos outros. No ano passado fomos 12ªs no Nacional de Juvenis e esta época seria bom ficarmos entre as dez primeiras equipas. E vamos também ao Nacional de Clubes, embora com uma equipa bastante jovem.”

Aluna do 11º ano da Escola Secundária Henrique Medina, em Esposende (quer seguir psicologia), Sara Esteves diz-se uma aluna média. “Sou aluna de 12. Dá para ir passando sem grandes problemas, mas não gasto muito tempo a estudar, prefiro fazer outras coisas, como estar com os amigos, o namorado (também atleta), a família. “Eles dão-me muito apoio”, salienta.

Já Joel Maltez, o treinador, refere a sua humildade. “Qualquer treinador gostaria de ter atletas como a Sara, muito humilde, com a cabeça no seu lugar.” Sara Esteves treina quatro vezes por semana, ao fim da tarde. Mazarefes, onde treina, dista cerca de 24 km de Esposende, onde reside, mas muitas vezes é o próprio treinador ou um dirigente do clube que a transporta. “Existem fortes laços a ligar-nos neste clube, que nada mais tem para dar aos seus atletas”, realça o treinador, também ele cem por cento amador…

 

QUEM É QUEM

 

Nome: SARA ESTEVES

Local/data de nascimento: Viana do Castelo, 24-8-1992 (16 anos)

Clubes: ADC Anha (2002 a 2005) e CA Mazarefes (desde 2006)

Treinador: Joel Maltez (desde 2005)

 

EVOLUÇÃO

                 60M     100M   200M    60B/76     ALT.      COMP.     TRIPLO

2004 Inf.    8,62                                       

2005          8,36                                                       4,74    

2006 Inic.   8,35pc  13,38  27,99    10,78pc                 5,34

2007          9,29pc  12,85  27,71    10,32pc   1,46        5,32       11,22

2008 Juv.    7,91pc  12,42  25,83    9,23pc    1,49        5,62       11,72

2009          7,64pc            25,93pc  8,94pc    1,50pc     5,49pc   11,97pc

 

Outras marcas como iniciada (2005): 80 m – 10,55; 250 m – 37,2; 80 bar. – 13,14; heptatlo – 3413.

Outras marcas como juvenil: heptatlo – 3949 (2008); pentatlo (pc) – 3220 (2009)

 

PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES

(CP – Campeonato de Portugal; CNJn – Camp. Nac. Juniores; CNJv – Camp. Nac. Juvenis; OJ – Olímpico Jovem; TTJov – Triatlo Técnico Jovem; pc – pista coberta)

 

2006 (inic.): CNJv – 2ª (comp.) ; OJ – 2ª (80m/comp.)

2007 (inic.): OJ – 2ª (comp.) e 3ª (80m/80b.); TTJov. (pc) – 2ª

2008 (juv.): CNJv -  2ª (100m/200m/triplo); OJ - 1ª (triplo) e 3ª (100m)

2009 (juv.): CP(pc) – 2ª (60m); CNJn (pc) – 2ª (60m/60b) e 3ª (triplo); TTJov. (pc) – 1ª

 

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Fevereiro 2009 - Rui Pinto (UD Várzea)

 

Corrida venceu futebol...

 

Ex-médio de uma equipa jovem de futebol de Felgueiras, o juvenil Rui Pinto, recordista nacional de 1500 m (pista coberta) e campeão nacional de corta-mato, optou há dois anos pelo atletismo e, agora, não tem dúvidas: “sou melhor no atletismo que no futebol”. E não esconde o sonho: “ser campeão olímpico de 1500 metros!”

Tinha 14 anos quando, na sequência de várias vitórias em campeonatos escolares, seguiu as pisadas de um colega de escola que já praticava atletismo na União Desportiva da Várzea e com ele se apresentou no clube. Não mais deixou a modalidade. “Eu ganhava a nível da escola e regional. No Nacional Escolar fiquei nesse ano entre os 30 primeiros mas no ano seguinte, só com três meses de treino, já fui terceiro.” Além disso, no futebol não tinha quem o levasse aos treinos e no atletismo o treinador, Carlos Mendes, com uma carrinha, vai buscar os atletas…

Rui Pinto começou a dar nas vistas há apenas um ano. Foi vice-campeão nacional de juvenis, atrás de José Costa. Depois, na pista, foi segundo no Km Jovem, terceiro no Olímpico Jovem (3000 m), campeão nacional de juvenis e juniores (3000 m). Terminou a época com marcas como 1.56,76 aos 800 m, 3.54,86 aos 1500 m, 8.33,29 aos 3000 m. Continuou juvenil este ano e, depois de se sagrar campeão nacional de juniores de 1500 e 3000 m (derrotando José Costa), bateu o recorde nacional de juvenis de 1500 m (tudo em pista coberta), com 3.53,87, ganhando a série secundária do Campeonato de Portugal. Uma semana depois, sagrava-se folgado (19 segundos de vantagem) campeão nacional de corta-mato (juvenis). Um início de carreira bem promissor.

Rui Pinto estuda no 10º ano (informática) e confessa ser apenas um “razoável aluno”. O pai trabalha em França (mas vem todos os 15 dias a Portugal) e ele treina diariamente numa “pista” de terra batida, enquanto a pista sintética de Felgueiras não chega (está prevista para antes deste Verão). Tem Rui Silva como ídolo e, embora sem ter recebido ainda convites de outros clubes, gostaria de os ter do Maratona ou Sporting…

 

QUEM É QUEM

 

Nome: RUI PINTO

Local/data de nascimento: Felgueiras, 18-11-1992 (16 anos)

Clube: UD Várzea (desde 2007)

Treinador: Carlos Mendes (desde 2007)

Principais classificações:

-  2008: Campeão nacional de juniores de 3000 m (2º nos 1500 m) e de juvenis de 3000 m; vice-campeão nacional de juvenis (corta-mato), 2º no Km Jovem e 3º no Olímpico Jovem (3000 m).

-  2009: Campeão nacional de juniores (pista coberta) de 1500 e 3000 m; campeão nacional de juvenis de corta-mato.

Recordes: recordista nacional de juvenis de 1500 m (p. cob.)

 

EVOLUÇÃO      

                                   800 M              1000 M            1500 M            3000 M

            2007 (inic.)      2.04,95            2.46,09            4.12,07            -

            2008 (juv.)      1.56,76            2.34,67            3.54,86            8.33,29

            2009 (juv.)      -                      2.32,50pc        3.53,87pc        8.42,77pc

 

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Janeiro 2009 - Diogo Ferreira (JOMA)

 

Recordista júnior da vara

com o tio a inspirá-lo

 

Sobrinho de Gonçalo Pacheco, varista do Gira Sol, apostou este ano no salto com vara e já bateu o recorde nacional de juniores de pista coberta. Agora quer chegar aos 5,00 e ao mínimo para o Europeu…

 

No último dia de Janeiro, Diogo Ferreira, atleta do JOMA, bateu o recorde nacional de juniores de salto com vara (pista coberta), com 4,87, mais 31 centímetros que a marca com que terminara a época passada. A aposta na “transferência” para a Escola de Salto com Vara liderada por Raposo Borges no Estádio Universitário de Lisboa começava a ser ganha.

Para Diogo Ferreira, o atletismo começou aos 12 anos, na escola onde estava e através do prof. José Uva, que seria o seu primeiro treinador. “O professor dava aulas na escola e criou um Atelier de Atletismo”, recorda o atleta. “Aderi e, passado algum tempo, o professor perguntou-me se eu queria ir a um treino do JOMA na pista do Real de Massamá. Fui, gostei e… fiquei.” Antes, Diogo Ferreira praticara karaté, equitação, futebol e natação. Acabou por ficar no atletismo, primeiro fazendo um pouco de tudo (“entrei em triatlos, Atletas Completos”), depois dedicando-se mais às barreiras. “Era a especialidade de que mais gostava”. Até que, já como iniciado de segundo ano (2005), experimentou o triplo. “A minha primeira prova foi no Regional de Iniciados, em Mafra. Ganhei com 13,95, tenho lá o filme da prova, feito pelo meu pai, mas a marca nunca foi homologada, não sei porquê”, recorda. Efectivamente, a marca consta como duvidosa nos rankings federativos. Diogo Ferreira fez uma outra de 12,78 nesse ano e progrediu para 13,87 no seguinte, chegando a vice-campeão nacional de juvenis. Passou os 14 metros (14,33) em 2008 (vice-campeão nacional de juniores) e já melhorou este ano para 14,47 sagrando-se campeão nacional de juniores de pista coberta.

O salto com vara chegara entretanto no seu primeiro ano como juvenil. “Um amigo meu já experimentara na escola de salto com vara do Estádio Universitário e um dia fui com ele. Gostei da experiência e do ambiente e fiquei. Passei a lá ir duas ou três vezes por semana, treinando nos outros dias em Massamá.” Os progressos foram rápidos: 3,50 nesse ano, 4,10 em 2007 (vice-campeão de juvenis), 4,56 em 2008 (campeão de juniores), 4,87 neste início de época de pista coberta. “No final da época passada, já um pouco saturado dos treinos na pista de Massamá, onde me sentia muito só, falei com o prof. Uva e passei a treinar sempre na Escola de Vara do Universitário. O meu tio, Gonçalo Pacheco (irmão da minha mãe), atleta do Gira Sol [recorde pessoal: 4,60 em 2005], incentivou-me bastante. Continuo a gostar de triplo, mas a prioridade, agora, é a vara.” Um primeiro objectivo – o recorde nacional júnior de pista coberta (era de 4,85 e pertencia a Hugo Serra) – já foi conseguido. “Foi mais cedo do que contava. Agora, quero chegar aos 5,00 e fazer o mínimo para o Europeu de Juniores (5,00).” Se o conseguir, terá batido o recorde júnior de ar livre de Edi Maia (4,95), agora seu companheiro de treino.

“É muito aplicado nos treinos, nunca falta e confia muito no treinador”, diz Raposo Borges, seu treinador. “Acredito que será um bom saltador a nível nacional e o primeiro júnior acima dos cinco metros. Seria o sétimo varista a passar esta altura em 14 anos de Escola de Salto com Vara.” Para Diogo Ferreira, aluno (médio) do 12º ano da Escola Stuart Carvalhais, em Massamá, que quer seguir educação física e ser treinador de atletismo, Raposo Borges é mais que um treinador. “É um amigo muito chegado, que me tem ajudado bastante.” O atleta não esquece também os pais. “Apoiam-me muito e nunca faltam a uma prova minha, de norte a sul do país”, acrescenta.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: DIOGO Miguel Pacheco FERREIRA

Local/data de nascimento: Queluz, 30-7-1990 (18 anos)

Clube: JOMA (desde 2002)

Treinador: José Uva (até 2008) e Raposo Borges (desde 2008-09)

 

EVOLUÇÃO

            VARA    TRIPLO

2005     -           12,78

2006     3,50      13,87

2007     4,10      13,40

2008     4,56      14,33

2009     4,87      14,47

Outras marcas: comp. – 6,30 (2008); 100 bar. (inic.) – 15,61 (2005); 300 bar. (inic.) – 45,69 (2005); 60 bar. (inf.) – 10,50 (2003); comp. (inf.) – 4,80 (2003).

 

CLASSIFICAÇÕES EM CAMPEONATOS NACIONAIS

(T – triplo; V – vara; * - em pista coberta)

 

                       JUV.            JUN.             S23               CP

2005 (inic.)       6º T             -                 -                    -

2006 (juv.)        2ºT/7ºV       8º T             -                    -

2007 (juv.)        2ºV/3ºT       6ºV/7ºT        -                    -

2008 (jun.)        -                1ºV/2ºT        2ºV*/3ºT*        7ºV*/4ºV

2009 (jun.)        -                1ºV*/1ºT*     2ºV*/3ºT*        -

Nota: em 2005 foi ainda 4º no comprimento do Olímpico Jovem (iniciados)

 

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PRIMEIRA REVELAÇÃO... BENFIQUISTA

 

Ao fim de 27 anos de uma iniciativa que vem desde a origem da Revista Atletismo, um atleta do Benfica foi votado pela primeira vez como Revelação do Ano. Marcos Chuva, saltador que se aproximou a três centímetros do recorde nacional de juniores do comprimento que Nelson Évora detém com 7,83 e que registou também excelentes progressos nos 110 m barreiras (13,98 com barreiras de 1m, 14,46 com as de 1,06), foi eleito, por larga margem, Revelação do Ano 2008.

Mais um produto da Escola Salesiana de Manique e do prof. Fernando Pereira, Marcos Chuva foi Revelação do Mês em Junho de 2006 (apresentado na Revista de Agosto de 2006). Ingressou no Benfica no final dessa época e em 2007 já progredira de 7,05 para 7,45 no comprimento e chegara a 14,38 com as barreiras de 1 m.

Vencedor dos 110 m barreiras e do salto em altura (com 1,95) nos Jogos da FISEC em 2005, Marcos Chuva não teve o mesmo sucesso no Mundial de Juniores deste ano, ao ficar-se pelos 6,73 (12º lugar) na final do comprimento. Foi o ponto negativo de uma excelente época, com recordes pessoais no comprimento de 7,58 no Meeting de Lisboa e 7,80 (e 7,77) no Meeting de Manheim, na Alemanha. Foi ainda surpresa nas barreiras da I Divisão, ao ganhar com 14,46. 

Marcos Chuva sucede a Carlos Calado (1993) e Rafael Gonçalves (1996) como saltador Revelação do Ano. Assim tenha tanto êxito como eles na carreira…

 

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AS REVELAÇÕES ANO A ANO

 

1982   Fernanda Ribeiro       Kolossal

1983   Luís Barroso             Zona Azul

1984   Alberto Jorge            CDUP

1985   Lucrécia Jardim         Moitense

1986   Teresa Machado       Galitos

1987   João Junqueira          Salgueiros

1988   Mónica Gama            F.C. Porto

1989   Susana Feitor           C.N. Rio Maior

1990   Cristina Morujão        Estarreja

1991   Natália Moura            G.C. Chaves

          Vasco Santos           CIPA

1992   Rui Barros                 Sporting

1993   Carlos Calado            C.N. Rio Maior

1994   José Ramos               Maratona

1995   Luís Feiteira              Sporting       

1996   Rafael Gonçalves       Ovarense       

1997   Filipe Ventura            individual

1998   João Pires                Constantim

1999   Patrícia Lopes           JOMA

2000   Ricardo Alves           Tramagal

2001   Marco Fortes           Sporting

2002   Ricardo Pacheco       Sporting

2003   Milton Dias              JOMA

2004   Patrícia Mamona       JOMA

2005   António Vital Silva    FC Porto

2006   Tiago Rodrigues       FC Porto

2007   Sara Moreira           Estreito                     

2008   Marcos Chuva         Benfica

2009   José Moreira           Cyclones

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                                          António Fernandes © 2003 - Revista Atletismo