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ELISABETE SILVA (OPERÁRIO)
Uma lançadora açoriana
A
atleta júnior açoriana Elisabete Silva, lançadora do dardo do Operário,
foi eleita Revelação do Ano da Revista Atletismo, uma iniciativa que
completa 30 anos. É a quinta vez que um lançador é eleito, depois de
Teresa Machado (1986), Filipe Ventura (1997), Marco Fortes (2001, há
precisamente dez anos) e António Vital Silva (2005). E é apenas a
segunda vez que um lançador de dardo é escolhido. Antes, fora Filipe
Ventura, que chegou a recordista nacional e, curiosamente, é agora, 14
anos passados e já semi-retirado, atleta do mesmo clube de Lagoa, na
ilha de São Miguel.
Elisabete
Silva foi Revelação do Mês de Julho (ver Revista de Setembro/Outubro),
na sequência dos seus 50,06 no dardo, marca que a coloca como segunda
júnior nacional de sempre depois dos 50,81 da recordista Sílvia Cruz, e
do segundo lugar no Campeonato de Portugal, com 49,06, bem perto da
recordista (49,89). A atleta, que chegou a dedicar-se ao futebol (e
prometia…), acabou por preferir o atletismo. E é treinada por Carlos
Medeiros, que foi recordista nacional do salto em comprimento e é pai do
antigo dardista André Medeiros.
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JULHO 2011
- David Lima (CA Baixa da
Banheira)
Primo de Edivaldo
foi revelação em
Inglaterra
Campeão nacional
sub’23 de 200 m, será atleta do Sporting na nova época

Filho de
guineenses, a viver em Inglaterra desde os seis anos, David Lima foi uma
das sensações da época, surgindo em Portugal, em representação do CA
Baixa da Banheira, para ser campeão nacional sub’23 de 200 metros. Veio
a saber-se que já tinha 10,69 aos 100 m e 21,23 aos 200 m (e 21,05
ventosos) e acabou por ser contratado pelo Sporting com vista à nova
época. E, entretanto, foi eleito Revelação do Mês, na habitual votação
de Setembro/Outubro entre os atletas não escolhidos ao longo do ano mas
que foram sendo referenciados.
O pai de
David Lima foi tirar a licenciatura de gestão para Birmingham e levou a
família. David tinha então (1996) seis anos. Praticou várias
modalidades, na escola ou fora dela, até que se fixou no atletismo, em
2007, tinha então 16 anos. Começou pelo triplo (12,07) mas já fez 11,9
manuais aos 100 m. O grande pulo seria dado no seu 2º ano de júnior, em
2009, com 11,01 e 21,75. Depois, em 2010, competiu pouco, mas ainda
melhorou para 10,73 e 21,59. “Só nesta última época é que levei o
atletismo mais a sério, ao entrar para a Faculdade. Antes, só treinava
três ou quatro vezes por semana”, explica David Lima, estudante do 2º
ano de ciências desportivas, curso que pretende terminar em 2013.
Ao tomar
conhecimento das proezas atléticas do seu primo (afastado), Edivaldo
Monteiro, atleta olímpico do Sporting em final de carreira no CABB,
convenceu os dirigentes do seu clube a trazerem o jovem David Lima aos
campeonatos em Portugal. Ajudou o clube a sagrar-se campeão nacional da
III Divisão (ganhou os 200 m e os 4x100 m) e depois foi campeão nacional
sub’23 nos 200 m (3º nos 100 m). “Por essa altura estive no CAR e o
prof. José Uva, que soube das boas marcas que havia feito em Inglaterra,
apresentou-me uma proposta do Sporting. Falei com o prof. Abreu Matos e
deixei tudo a ser tratado com o Edi [Edivaldo Monteiro]. E assim
ingressei no Sporting, clube que representarei nos Nacionais de Clubes,
nos campeonatos de sub’23 e de Portugal.”
Objectivos para 2012?
Correr os 200 metros em menos de 21 segundos e conseguir um lugar na
selecção de 4x100 metros para os Jogos Olímpicos. “Gosto muito mais dos
200 m, mas penso que poderei entrar na estafeta”, acrescenta este jovem
de 21 anos, bom aluno, que gosta de ler e conhecer novos locais nos
poucos tempos livres que lhe restam entre os estudos e o treino e que
não coloca de parte a hipótese de um dia regressar a Portugal. “Gostaria
de trabalhar na Federação Portuguesa de Atletismo mas para isso terei,
antes, que me tornar profissionalmente conhecido…”, conclui.
Nome: DAVID LIMA
Local/data de nascimento: Lisboa, 6-9-1990 (21 anos)
Clubes: Birmingham Rowheath (em Inglaterra), CA Baixa da Banheira
(2011) e Sporting (2011/2012)
Principais classificações (em Portugal): 2011 - campeão nacional
sub’23 em 200 m (3º em 100 m)
Evolução (100/200 m): 2007 (juv.) – 11,9m; 2008 (jún.) – 11,52; 2009
(jún.) – 11,01 e 21,75 (21,70/+2,2); 2010 (s’23) – 10,73 e 21,59; 2011
(s’23) – 10,69 e 21,23 (21,05/+3,5).
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JULHO 2011
- Elisabete Silva
(Operário)
De futebolista a
dardista
A atleta açoriana, que sempre ajudou a família nos trabalhos no campo,
chegou a estar num estágio para jogadoras sub’19 no Continente mas
preferiu o atletismo e, no último Campeonato de Portugal, apenas foi
ultrapassada por Sílvia Cruz no derradeiro lançamento. É treinada pelo
antigo recordista nacional do comprimento, Carlos Medeiros
Campeã
nacional sub’23 e de juniores em 2010 e 2011, Elisabete Silva, atleta do
Clube Desportivo Operário, da ilha açoriana de S. Miguel, ia fazendo
sensação no Campeonato de Portugal: foi 2ª com 49,06, a escassos 83
centímetros de Sílvia Cruz, que apenas a passou no último ensaio. Antes,
já chegara a 50,06, tornando-se a segunda júnior nacional de sempre.
Razões que levaram a que fosse eleita Revelação do Mês de Julho.
Foi
descoberta para o atletismo quando estava no 5º ano da Escola Básica da
Maia. “Distingui-me nos Jogos Desportivos Escolares e o prof. Pedro
Afonso incentivou-me a treinar.” Os treinos eram feitos numa “pista” de
cascalho, na escola, e Elisabete Silva começou a distinguir-se nos
torneios do Atleta Completo. “Sempre gostei de fazer um pouco de tudo e,
em especial, das barreiras e do comprimento. Mas aos poucos fui-me
especializando no lançamento do dardo.” O que não a impede de ter sido
vice-campeã nacional júnior do heptatlo nas duas últimas épocas.
No
final de 2008, ingressou no Operário, o seu actual clube, e passou a
treinar no Complexo Desportivo das Laranjeiras, com pista sintética. “As
condições são bem melhores, mas ainda nos falta um ginásio. Vamo-nos
adaptando às máquinas de musculação que existem no complexo…”
Elisabete Silva chegou a ser federada em badminton e, mais tarde, em
futebol, distinguindo-se como médio direito e ponta-de-lança. “Cheguei a
ser escolhida para um estágio de sub’19 no Continente…
Mas tive que optar entre futebol e
atletismo…”
A
terminar o 12º ano, Elisabete Silva pretende ser oficial da GNR. E,
entretanto, vai auxiliando os pais no campo. “O meu pai é lavrador e
desde pequena que o ajudo”, afirma a atleta, que tem como grande sonho
chegar aos Jogos Olímpicos em 2016.
Carlos Medeiros, treinador
Elisabete Silva é treinada há cinco meses por Carlos Medeiros, antigo
saltador em comprimento açoriano, que ficou na história do atletismo
nacional por ter batido um dos mais duradouros recordes de Portugal, o
de Pedro de Almeida (7,62 em 1962). Fê-lo 23 anos depois, em 1985, com
7,66, e no ano seguinte, com 7,71.
Mais tarde, Carlos Medeiros orientou o filho, André Medeiros, que chegou
a lançar o dardo a 69,77 em 1999 mas viria a abandonar por lesão. “A
Elisabete Silva estava muito abandonada e pediu-me para a treinar. E
assim regressei à actividade, orientando ainda, entre outros, o Ruben
Ventura, campeão nacional sub’23 na ausência do Tiago Aperta. Atendendo
à altura da época em que estávamos, a minha preocupação centrou-se nos
aspectos técnicos. Disse-lhe logo que sou muito exigente e ela tem sido
impecável.” Segundo o novo treinador, Elisabete Silva é tecnicamente
muito perfeita (“a melhor em Portugal, neste aspecto”), embora ainda
aquém do que ele gostaria. “Mas ela, para além de uma grande dedicação,
tem muita facilidade de captação e concentra-se muito no que faz”,
acrescenta Carlos Medeiros, que salienta a simplicidade da atleta.
“Pertence a uma família muito humilde, que trabalha no campo. Tem uma
postura espectacular”, acrescenta o treinador, que espera que a sua
atleta chegue ainda ao recorde nacional de juniores que Sílvia Cruz
detém com 50,81. “Tem até final de Dezembro para o conseguir…”
Nome: ELISABETE Soares SILVA
Local/data de nascimento: Ponta Delgada, 25-4-1992
(19 anos)
Clubes: Clube Desportivo Escolar da Maia (2006 a 2008) e
Clube Operário Desportivo (desde 2009)
Treinadores: Rui Durão e Catarina Silva (2006 a
2008), José Neves (2009 e 2010), Carlos Medeiros (desde 2011)
EVOLUÇÃO (no dardo)
2007 inic. 30,48 (500 g)
2008 juv. 34,37
2009 41,93
2010 jun. 47,72
2011 50,06
PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES (no dardo)
CP CNs23 CNJun CNJuv OJ
2007 inic. 3ª
2009 juv. 1ª 1ª 1ª
2010 jun. 3ª 1ª 1ª
2011 2ª
1ª 1ª
No heptatlo: 2009 – 3ª juv.; 2010 e 2011 – 2ª jun.
INTERNACIONALIZAÇÕES
- Camp. Europa de Juniores de 2011 (19ª)
- Jogos das Ilhas (juv.) de 2008 (2ª) e 2009 (2ª)
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JUNHO 2011
- Ricardo Pereira (SL
Benfica)
Um
diamante por lapidar…
Foi
surpreendente no Campeonato Nacional Escolar, ao tornar-se o primeiro
iniciado português a baixar dos 11 segundos (10,98) aos 100 metros. E,
depois, na final do Olímpico Jovem, ganhou os 80 metros com 9,02,
batendo o recorde nacional de iniciados que pertencia desde a época
passada a Carlos Nascimento, com 9,17. É Ricardo Pereira, 15 anos,
atleta iniciado do Benfica, descoberto no MegaSprint da época passada,
no qual foi 4º classificado. Entretanto, sagrou-se campeão nacional de
juvenis de 100 m (2º nos 200 m) e ganhou os 100 e 200 m dos Jogos da
FISEC, em Lisboa. Uma grande revelação.
Ricardo Pereira nasceu na Alemanha, mas vive em Portugal
(Camarnal, concelho de Alenquer) desde os dois anos. É filho (muito)
mais novo (os irmãos têm já 40 e 31 anos) de emigrantes, que então
regressaram a Portugal. Aos 8 anos, ainda andou no atletismo durante
dois meses, correndo provas populares, que ganhava. Mas foi o futebol
que o conquistou depois, como defesa-central no Alenquer e Benfica.
“Como era bastante rápido, distinguia-me”, recorda. Mas acabou por
deixar o futebol quando o atletismo recomeçou, agora mais a sério.
“Havia o MegaSprint e fizemos eliminatórias na turma e na escola, que
ganhei com boa vantagem. E foi então que o prof. José Santos me convidou
para integrar a equipa de atletismo da minha escola, a Damião de Góis,
em Alenquer.” Na fase lisboeta, Ricardo Pereira ganhou com larga
vantagem e estava lá um dos treinadores do Benfica, Vítor Zabumba, que
de imediato o convidou. “Sou benfiquista, o meu pai é doente pelo clube,
claro que aceitei…”
Viria a revelar-se este ano. “Quando fiz 11,28 no
Regional de Juvenis, fiz as contas e pensei que poderia atacar o recorde
de iniciados. Só não pensava era batê-lo por tanta margem…” Depois, foi
uma sucessão de êxitos, culminados com a dupla vitória nos Jogos da
FISEC. “Vi os resultados da época passada e pensei que poderia ganhar os
100 m. Mas nos 200 m não estava tão seguro…”
A época acabou e Ricardo Pereira, que se considera fraco
a partir, pensa que pode melhorar no próximo ano. “Claro que os
progressos, agora, serão mais lentos, mas este ano não foi perfeito em
termos de treino. Às vezes deixava-me dormir a não ia treinar antes das
aulas, como era previsto”, confessa. Ricardo Pereira, bom aluno, passou
para o 10º ano (escolheu Ciências e Tecnologia) e treinou todos os dias,
embora apenas duas vezes por semana com o seu treinador: às
quartas-feiras na escola e aos sábados no Estádio Universitário de
Lisboa. “Nos outros dias, cumpro o plano de treinos numa estrada no
Camarnal, ao pé de casa, ou na pista de terra batida existente à volta
do campo de futebol da terra.”
Diamante por lapidar
O prof.
José Santos, durante vários anos treinador dos atletas cegos, na ACAPO,
está desde 2008 na Escola Damião de Góis, em Alenquer. “O Ricardo é
aquilo que se pode considerar um diamante por lapidar. Poderá tornar-se
um grande atleta, assim a gestão da sua carreira seja bem feita e
aqueles que o rodeiam, a família (os pais têm sido excelentes), os
treinadores, o clube, o próprio atleta, saibam dar tempo ao tempo”,
afirma o seu treinador, que chama a atenção para mais este produto do
desporto escolar que, acrescenta, “tem vindo a ser desvalorizado”. E faz
um apelo: “seria importante que os nossos governantes tivessem em
atenção a importância do desporto escolar, até na revelação de jovens
valores”.
Nome: RICARDO PEREIRA
Local/Data de nascimento: Munster, Alemanha,
4-3-1996
Clube: Benfica (desde 2010)
Treinador: José Santos
Marcas:
2010: 80 m – 9,63; 250 m – 30,3m
2011: 60 m (pc) – 7,38; 80 m – 9,02 (rec. nac.
iniciados); 100 m – 10,98; 200 m – 22,37; 250 m – 29,62
Palmarés (em 2011):
- Vencedor do MegaSprint (4º em 1010);
- Vencedor do Olímpico Jovem (80 m - iniciados);
- Campeão nacional de juvenis de 100 m (2º nos 200 m);
- Vencedor dos Jogos da FISEC (100 e 200 m).
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MAIO
2011
- Jessica Galvão (Arneirense)
Surpreendente martelista…
No
Meeting de Leiria quase chegou aos 60 m com o martelo de 3 kg e fez
mínimo para o Mundial de Juvenis com o de 4 kg. E continuará juvenil em
2012
Jessica
Galvão, atleta juvenil (de 1º ano) do Arneirense, fez sensação no
Meeting de Leiria, a 22 de Maio: conseguiu primeiro 59,91 com o martelo
de 3 kg, passando a ser a 2ª juvenil de sempre; e, depois, lançou o
martelo de 4 kg a 50,18, mínimo para o Mundial de Juvenis. Marcas que
justificam ter sido eleita Revelação do Mês.
Filha de pais
emigrantes, Jessica nasceu nos Estados Unidos (Estado de Connecticut)
mas aos dois anos e meio mudou-se para Portugal. “O meu irmão estava em
idade de entrar para a escola e os meus pais optaram por que o fizesse
em Portugal”, explica. O desporto começou cedo: praticou natação (“mas
achava enfadonho andar para a frente e para trás numa piscina”) e acabou
por optar pelo atletismo, inspirada numa vizinha, a dardista Verónica
Jerónimo, que ingressaria mais tarde no Benfica. Esteve três anos no
Arneirense, numa primeira fase, durante a qual fazia de tudo um pouco
(“só não gostava de corridas de resistência”) mas não se destacava
especialmente em nenhuma especialidade (“tinha uma marca razoável no
peso…”). Problemas entre treinadores levaram-na a abandonar, quando
chegou a infantil. “Ainda cheguei a ir a uns treinos de râguebi, mas não
fiquei e acabei por regressar ao Arneirense. “A Verónica começava então
a especializar-se no dardo e, pelo meu aspecto físico, acabei também por
me dedicar aos lançamentos, passando a treinar com o meu actual
treinador, Júlio Vieira. A princípio nem gostava do martelo, preferia o
dardo. Mas à medida que via o martelo a chegar mais longe, fui-me
entusiasmando e acabei por ficar mesmo martelista.”
Os progressos foram
surpreendentes. Na época passada, foi a melhor martelista nacional
iniciada, com 48,68 (3 kg), ficando como terceira de sempre. E este ano,
juvenil I, ainda mais longe chegou. “Os 50,18 com o martelo de 4 kg não
foram surpresa completa, pois nos treinos já rondava os 48 metros”,
explica. “Mas foi uma surpresa chegar quase aos 60 metros com o martelo
de 3 kg…”
Quando deu esta
entrevista, ainda não sabia se iria ao Mundial de Juvenis ou ao Festival
Olímpico da Juventude Europeia. “Eu talvez preferisse o Mundial. Um
Campeonato do Mundo sempre é um Campeonato do Mundo. Mas não sou eu quem
decido…” Entretanto, não fixa metas. “Quero ir melhorando época a
época.” Mas espera chegar ao recorde nacional de juvenis, pertença de
Ana Durão com 64,85 desde 2003.
Aluna razoável (“vou
passando sem problemas”), estará em Setembro no 11º ano (área de
humanidades). “Ainda não sei que profissão quererei, mas será dentro
desta área.” Treina no Complexo Desportivo das Caldas da Rainha mas está
há vários meses sem gaiola no círculo de lançamentos. “Esteve lá montada
uma semana mas houve um temporal e ficou tudo destruído. E ainda se está
à espera de resposta do seguro.”
Entretanto, vai treinando sem gaiola…mas limitada.
“De vez
em quando os pais dos miúdos do futebol resolvem passar lá perto com os
carros e lá tenho que interromper os lançamentos…”
Treino diário
Jessica
Galvão já faz treinos diários (excepto ao sábado quando compete ao
domingo) e à quinta-feira, dado que o horário escolar o permite, até
treina de manhã e à tarde. “Mas não a forço e tenho muito cuidado com o
trabalho no ginásio, pois ela ainda está a formar-se”, explica o
treinador, Júlio Vieira. “E vai fazendo também um pouco de saltos, de
corridas curtas, um treino variado. Só para o ano é que forçarei um
pouco mais”, acrescenta o treinador, que considera Jessica Galvão uma
“miúda muito aplicada, com muita vontade de trabalhar.”
Nome:
JESSICA GALVÃO
Local/data de
nascimento: Connecticut (Estados Unidos), 18-3-1995 (16 anos)
Clube: ACDR
Arneirense (2005 a 2007 e desde 2009)
Treinador:
Júlio Vieira
Evolução (no martelo):
3 kg
4 kg
2009 inic. 28,97
2010 48,68
2011 juv. 59,91
50,18
Palmarés (nacional):
-
Campeã nacional de
juvenis em 2011 (7ª em 2010)
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ABRIL 2011
- Rafaela Vitorino (SL
Benfica)
Heptatlonista e… boa aluna
Treina com Mário Aníbal, já tem
mínimos para o Mundial de Juvenis e, com média de 17 na escola, quer ser
médica

Rafaela
Vitorino ganhou o heptatlo juvenil do Atleta Completo (Zona Sul) com a
segunda marca nacional de sempre e tem mínimo nesta prova e nos 100 m
barreiras para o Mundial de Juvenis. Treinando todos os dias (excepto
domingo), no Complexo Desportivo do Jamor, com o antigo decatlonista
Mário Aníbal, a atleta do Benfica, apesar de muito dedicada ao treino,
consegue ter uma média de 17 valores na escola (10º ano), pretendendo
seguir medicina.
O atletismo começou há três anos, era ela ainda infantil. “O meu
professor na escola, Paulo Bernardo, era atleta do Benfica, e sugeriu-me
que fosse treinar ao Benfica. Fui até ao Estádio Universitário, comecei
a treinar e fiquei.” Entretanto, foi ao Mega Salto,
chegando à final nacional onde, no entanto, não passou do 14º lugar, com
3,84. Para trás ficara a prática de uma série de modalidades:
natação, ginástica (chegou a ir a provas nacionais), patinagem,
equitação. O atletismo tornara-se o seu principal “hobbie”. Como
iniciada de 1º ano, em 2009, foi segunda no Olímpico Jovem (80 m
barreiras) e terceira no Nacional de Juvenis (300 m e 300 m barreiras).
Na época passada (2010), ganhou o Triatlo Técnico Jovem (pista coberta)
e foi segunda no Atleta Completo (Zona Sul). Nascia uma heptatlonista.
“Comecei a gostar das provas combinadas e, em especial dos 100 m
barreiras e do salto em altura. Só não gosto do peso e do dardo…” E foi
já a pensar nas provas combinadas que entrou para o grupo de treino de
Mário Aníbal, onde estão três rapazes e a sua colega no Benfica, Joana
Costa.
“Como é que consigo treinar todos os dias e ter notas boas na escola? É
fácil, é tudo uma questão de organização, de controlar bem o tempo”,
explica a atleta, que tem com objectivo para esta época, para além do
Mundial, o recorde nacional de juvenis do heptatlo (Sónia Machado, 4817
p) e vitórias no Olímpico Jovem e no Nacional de Juvenis. “Futuramente,
claro que gostaria de participar em Jogos Olímpicos e Campeonatos do
Mundo…”
Mário Aníbal é o treinador de Rafaela Vitorino desde o passado mês de
Setembro. “Eu já a conhecia pois, na ausência de Vítor Zabumba, o seu
anterior treinador, era eu que a orientava, quando estive como técnico
no Benfica”, recorda o ainda recordista nacional do decatlo. “E já tinha
reparado no seu extraordinário talento… No início desta época, o pai da
atleta pediu-me para a orientar. Para além do talento, tem uma grande
vontade de treinar e muitas vezes sou obrigado a colocar-lhe um travão…”
Mário Aníbal acredita que ela virá a ser uma especialista de provas
combinadas mas, avisa, “será heptatlonista até me provar o contrário”. E
acrescenta: “eu forneço-lhe as ferramentas todas – ela experimentará um
pouco de tudo – mas os resultados o dirão”. Para já, Rafaela Vitorino
tem mínimos para o Mundial de Juvenis, em Lille (França), em Julho, no
heptatlo (4652 p contra os necessários 4500) e nos 100 m barreiras
(14,42, menos 8 centésimos que o pedido). “Fará as barreiras logo no 1º
dia, o que até será bom para ‘matar’ a ansiedade, e, depois de um dia de
descanso, iniciará o heptatlo.” Para já, e para além das barreiras, a
atleta do Benfica tem-se distinguido no salto em altura (“já vai em 1,64
e pode chegar a 1,70”) e apenas no dardo (“só recentemente começou a
treinar”) é, para já, mais fraca.
Nome:
RAFAELA Caetano Casimiro Briosa VITORINO
Local/data de
nascimento: Cascais, 18-8-1995 (15 anos)
Clube:
Benfica (desde 2008)
Treinadores:
Vítor Faria (2008 e 2009), Vítor Zabumba e Ana Oliveira (2010), Mário
Aníbal (desde Setembro de 2010)
EVOLUÇÃO
80m 200m 250m 300m 400m 60b(pc)
2009 (inic.)
10,50 - 34,71 - -
-
2020 (inic.)
10,57 26,0m 34,45 41,04 -
-
2011 (juv.)
- 26,47 - - 60,35 9,16
80/100b/76) 300b Altura Comp. Peso/3
Heptatlo
2009
(inic.) 12,28 46,23
- - - -
2020
(inic.) 12,17 - 1,59
4,99 - 4135/inic
2011
(juv.) 14,42 -
1,64 5,25 10,79 4652/juv.
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MARÇO 2011
- Diana Cerqueira (Mazaefes)
De uma pequena aldeia
minhota
ao Mega Sprinter e aos
pódios nacionais
Filha
de emigrantes na Venezuela, regressados a Portugal há 20 anos, Diana
Cerqueira, júnior de 1º ano (18 anos) que é já a terceira melhor
especialista de 200 m de sempre no seu escalão, em pista coberta, com
24,80, nasceu e reside em Labrujó, uma pequena aldeia a 15 km de Ponte
de Lima, com não mais de 120 habitantes, embora com muitos jovens, ao
contrário do que é normal em pequenas povoações do interior. E foi na
escola, na povoação vizinha de Arcozelo, que se iniciou no atletismo,
através do corta-mato (“ainda conseguia chegar à fase distrital mas
depois ficava mal classificada”) e do Mega Sprinter (“aos 10 anos,
ganhei na escola, ganhei no distrito e passei à final na fase nacional,
mas já não me lembro em que lugar fiquei”). Só passados dois anos
(2006), então como infantil, voltou a participar, classificando-se em 4º
lugar na final nacional, em Vila Real de Stº António. Para além do
atletismo, gostava de voleibol e canoagem. Mas nada era levado muito a
sério. “Eu não treinava. E nem mesmo depois do 4º lugar no Mega Sprinter
passei a fazê-lo…”
Em 2008, ano em que foi filiada no Clube Muralhas do Minho, participou
em algumas provas (chegou a representar Viana do Castelo nos 4x80 m do
Olímpico Jovem) mas o atletismo mais a sério só chegou quando o seu
actual treinador, José Maltez, a convidou a ingressar no Clube de
Atletismo de Mazarefes, em finais desse ano. “Até lá eu não tinha
verdadeira consciência do que era o atletismo, limitava-me a ir a
provas, sem treinar.” Diana Cerqueira entrou então para a Escola
Secundária de Ponte de Lima e o atletismo passou a fazer parte do seu
dia-a-dia. Na sua primeira época como juvenil (2009), o ponto alto foi o
título nacional juvenil de 4x100 m. Na época seguinte, uma surpresa nos
200 metros do Nacional de Juniores de pista coberta: foi terceira. “Nem
me apercebi disso. Terminei a prova, peguei nas minhas coisas e andei
pelo pavilhão, despreocupada. Até que reparei que andavam, desesperados,
à minha procura para ir ao pódio.”
Ao ar
livre, na época passada (2010), ganhou os 100 m do Olímpico Jovem (“senti-me
bastante feliz”) e foi 2ª nos 100 e 200 m do Nacional de Juvenis e nos
200 m do Nacional de Juniores.
Uma prova que nunca
mais esquecerá. “Não gostava nada de correr 200 m e a partir daí passei
a adorar!
Descobri
que, antes, não sabia correr a distância.
Mas acho que ainda
tenho muito a aprender…” Logo a seguir conseguiu outro objectivo: baixar
dos 25 segundos. “No Nacional de Juniores já havia conseguido 24,78, mas
com vento. Em Braga, três dias depois, fiz 24,95. E, depois, ainda fui à
final (6ª) no Campeonato de Portugal. Foi muito bom…”
Esta época, em pista coberta, Diana Cerqueira teve alguns problemas
físicos que a limitaram nos treinos, mas, apesar disso, foi novamente
vice-campeã nacional de juniores e melhorou as suas marcas para 7,70 e
24,80 (4º lugar no Campeonato de Portugal). Nos 200 m, só duas juniores
portuguesas fizeram melhor até agora: Lucrécia Jardim (24,40 em 1990) e
Patrícia Lopes (24,45 em 2001). “Claro que sonho chegar mais longe. Esta
época, gostaria de ir ao Europeu de Juniores (mínimo: 24,54), mas não
faço grande questão. Futuramente, sonho estar em Campeonatos da Europa e
do Mundo. Mas o principal é acabar o curso (estou no 12º ano), ter uma
vida profissional (talvez siga fisioterapia, mas ainda não sei bem…) e
continuar no atletismo, que é como que uma droga para mim,
fascina-me!...”
Aluna na Escola Secundária de Ponte de Lima, Diana Cerqueira divide os
treinos pela pista de Meadela (V. Castelo), uma vez por semana,
Mazarefes, duas vezes, e pela sua terra. “Uns dias fico em casa da minha
tia, em Ponte de Lima, noutras em casa dos meus pais, em Labrujó. E vou
treinando conforme posso.” O seu treinador, Joel Maltez, vai buscá-la
para os treinos em Viana e Mazarefes. “Mas sei que ela, na sua terra,
também treina. É muito determinada, um resultado mau, para ela, é um
incentivo para fazer melhor na próxima”, refere, elogiando a simpatia e
dedicação da sua pupila, a principal atleta do CA Mazarefes, clube
fundado em 1987, que ganhou em 2009 o prémio para o Melhor Clube de
Formação do Alto Minho e na época passada se sagrou campeão nacional da
III Divisão, no sector feminino.
Nome: DIANA Catarina da Cunha CERQUEIRA
Local/data de nascimento: Labrujó (Ponte de Lima), 9-4-1993 (18
anos)
Clubes: Muralhas do Minho (2008) e CA Mazarefes (desde 2009)
Treinador: Joel Maltez
EVOLUÇÃO
60m(pc) 100m 200m
2009 juv. 8,08 12,54
26,35
2010 7,90 12,18
24,95*
2011 jun. 7,70 -
24,80pc**
* melhor marca júnior e juvenil do ano
** 3ª júnior de sempre em pista coberta
Outras marcas: 2008 (inic.): 80 m – 10,76; 80 bar. – 13,90; comp. –
4,88; 2009: 300 m – 43,31.
PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS
2009 (ar livre): 1ª no CN Juv. (4x100 m)
2010 (p. cob.): 3ª no CN Jun.
(200 m)
2010 (ar livre): 2ª no CN Juv. (100/200 m); 2ª no CN Jun. (200 m); 1ª no
Olímp. Jovem (100 m); 6ª no Camp. Portugal (200 m)
2011 (p. cob.): 2ª (200 m) e 3ª (60 m) no CN Jun.; 2ª no CN s23 (60 m);
4ª no Camp. Portugal (60/200 m)
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FEVEREIRO 2011
-
Marco Morgado
(Estreito)
Dos 102 kg de peso
aos pódios nacionais
Foi juvenil e júnior sem destaque, andou depois pelo paraquedismo,
ginásios e… diversões, chegando a pesar mais de 100 kg, até que
regressou ao atletismo aos 25 anos. Quatro anos depois, subiu aos pódios
dos Nacionais de Estrada (3º) e de Corta-Mato (2º)
Marco
Morgado fez sensação nos recentes Campeonatos de Portugal de Estrada, em
Janeiro (foi 3º), e de Corta-Mato, em Fevereiro (2º), e daí a sua
escolha para Revelação do Mês. Mas, antes, tem uma história curiosa:
esteve afastado do atletismo entre os 18 e os 25 anos, apenas
regressando há quatro!
Natural de Monserrate, Viana do Castelo, iniciou-se no atletismo como
juvenil, pelas mãos de Amadeu Gomes, que continua a treinar os jovens
atletas do Olímpico Vianense. “Eu ganhava quase sempre os corta-matos
escolares, até ao nível distrital (depois creio ter sido uma vez 10º
iniciado no Nacional). Mas não gostava muito de correr. O sr. Amadeu
Gomes, que me conhecia desde pequeno na zona onde morava, insistiu muito
comigo e, uma vez, quando ele formou uma equipa de atletismo na
Associação de Moradores da Cova, lá me juntei ao grupo de miúdos”, conta
Marco Morgado, que era então juvenil de 1º ano. O grupo ingressou depois
no Olímpico Vianense, onde esteve duas épocas (juvenil II e júnior I),
chegando a ser campeão do norte do Km Jovem. “Treinava 4 a 5 vezes por
semana e levava aquilo a sério – sempre que me meto nas coisas é assim –
mas a certa altura, se calhar por falta de maturidade, deixei o
atletismo. Queria era divertir-me…” Deixou de estudar no 11º ano e
ingressou nos paraquedistas. “Nessa altura já era forte e passei a
gostar mais de ginásios. Cheguei a pesar 102 kg!”
O regresso ao atletismo deu-se aos 25 anos. “Tinha lá o bichinho e
muitas vezes pensava que um dia iria regressar. E, ao ingressar no curso
da GNR, o facto de as aulas de educação física serem praticamente só
corrida despertou-me novamente o gosto pelo atletismo. Nos 7 meses do
curso, perdi 20 kg. Recomecei a treinar com Amadeu Gomes. O primeiro ano
e meio foi praticamente só para perder peso…” Em 2007, Marco Morgado foi
48º no Nacional de Estrada e 49º no de Corta-Mato. Em 2008, não
participou nestas competições, mas foi 7º nos 5000 m do Campeonato de
Portugal. E em 2009 e 2010 foi 15º no Nacional de Corta-Mato e 4º nos
3000 m obstáculos do Campeonato de Portugal. Isso não impediu a sua
dispensa do Maratona, clube para o qual se transferira no final da época
de 2009. “Um colega disse-me que o Estreito precisava de um corredor de
obstáculos para os campeonatos de pista e aceitei”, conta.
Entretanto, nesta época tem feito sensação. “Até Julho de 2010, fazia
trabalho de rua por turnos, na GNR, e não dava para treinar e recuperar
convenientemente. No último Ve-rão, passei a fazer trabalho
administrativo, entre as 9 e as 17.30 horas, pelo que pude passar a
treinar regularmente duas vezes por dia e a poder recuperar bem. Não tem
nada a ver…”, explica o atleta. “Os progressos devem-se a isso e aos
três ou quatro anos de treino que ele já leva e cujos resultados se
começaram agora a ver”, confirma Mário Cunha, seu treinador nos últimos
dois anos e meio e que o considera “um rapaz de grande simplicidade e
com uma vida já organizada”.
Surpreendentemente, a seguir ao Nacional de Corta-Mato, atleta e
treinador desligaram-se. “Sentia que ele estava a desligar-se um pouco
de mim, a apostar mais nos outros”, queixa-se Marco Morgado, sem querer
ir mais além. “Já há um ano falara com Alfredo Brás, que já conhecia do
seu tempo de atleta, mas ele não tinha então disponibilidade para me
treinar. Agora, já tem, conversámos, falei com o meu anterior treinador
e deu-se a mudança”, conta o atleta. “Ele passou também a treinar
Ricardo Dias (13º no último Nacional), que também é aqui do norte mas
está colocado em Paço de Arcos. A mim treina-me através de telefonemas
que fazemos, embora eu já tenha ido a Lisboa e ele tenha estado no
Nacional…”
Marco
Morgado admite esta época de pista dedicar-se aos 5000 ou 10000 m e
confirma o sonho de ir ao Mundial na Coreia, depois de ter estado no de
corta-mato. “Não quero estar a pensar muito nisso mas é claro que todos
os atletas têm o sonho de participar em Campeonatos do Mundo e Jogos
Olímpicos. Mas não quero estar a dizer que quero lá ir. É só um sonho…”
Nome: MARCO MORGADO
Local/data de nascimento: Viana do Castelo, 2-1-1982 (29 anos)
Clubes: Ass. Moradores da Cova (1998), Olímpico Vianense (1999 e 2000 e
2007 a 2009), Maratona (2010), Estreito (2011)
Treinador: Amadeu Gomes (1998 a 2000 e 2007), Mário Cunha (2008 a 2010),
Alfredo Brás (desde Fevereiro de 2011)
EVOLUÇÃO
1500 m 5000 m 3000ob.
2008 3.56,23 14.22,96 -
2009 3.56,17 14.44,08
8.55,74
2010 -
- 8.56,08
PALMARÉS
• 2º no Campeonato de Portugal de Corta-Mato em 2011 (15º em 2009 e
2010, 49º em 2007)
• 3º no Campeonato de Portugal de Estrada em 2011 (48º em 2007)
• 4º nos 3000 m obstáculos do Campeonato de Portugal de 2009 e 2010 (7º
nos 5000 m em 2008)
• 66º no Campeonato do Mundo de Corta-Mato de 2011
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JANEIRO 2011
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Tsanko Armaudov (Benfica)
Gigante de quase dois metros
quer medalha no Europeu junior
Nasceu
na Bulgária mas está em Portugal há seis anos e meio e já se
naturalizou. Tsanko Armaudov, lançador do Benfica, 19 anos incompletos,
filho de pais búlgaros, imigrantes, mede 1,98 m de altura, pesa 150 kg
e, com pouco mais de um ano de atletismo mais a sério, já lançou o peso
júnior (6 kg) a 17,46, querendo chegar esta época aos 20 metros e ganhar
uma medalha no Europeu de Juniores, em Tallin, em Julho próximo.
Dificuldades na Bulgária levaram o pai de Tsanko a
emigrar para Portugal. Seguiram-se-lhe a mãe, ele próprio e o irmão mais
novo (17 anos), que “prefere os computadores ao desporto”. Tsanko
começou por praticar corrida, chegando a ter boas classificações (10
primeiros) nas provas de iniciados e juvenis da Corrida das Localidades,
do concelho de Oeiras, “Vi pessoas a correr, juntei-me a elas e comecei
a treinar também. Foi bom pois ajudaram-me a aprender a falar
português”, recorda o jovem atleta, que então representava o URCA –
União Recreativa e Cultural da Abrunheira, localidade onde reside. Um
dia, no Estádio Nacional, numa sessão de entrega de prémios, houve uma
prova de lançamento do peso. “A brincar, lancei a 12 metros”, recorda.
Começou a treinar lançamentos mas, ao fim de três meses, o seu treinador
teve que abandonar. “Voltei para as corridas, mas só treinava…” Até que
deram o contacto da antiga lançadora Elisa Costa (que foi recordista
nacional do disco) ao pai de Tsanko. “Mas eu já estava sem vontade de
voltar a lançar e o meu pai teve que me obrigar”, acrescenta. “Mas ainda
bem que o fez. Quando voltei a lançar, senti que era mesmo isso que
queria. Mas, entretanto, lesionei-me, tive que ser operado ao menisco
interno do joelho esquerdo e só regressei em Setembro de 2009.”
Tsanko Armaudov era então júnior de
1º ano e foi logo segundo nos Nacionais de Juniores de pista coberta e
ar livre, chegando aos 16,98 (peso de 6 kg) e 15,34 (peso de 7,26 kg).
Esta época começou da melhor forma. Já português, sagrou-se campeão
nacional de juniores (17,46 com o peso de 6 kg) e vice-campeão de sub-23
(15,93) em pista coberta. No ano passado, fez ainda 42,99 com o disco de
1,750 kg e 38,44 com o de 2 kg. “Sinto que sou melhor no peso, que será
a minha prova de futuro, mas gosto de lançar o disco para variar, para o
treino ser menos monótono. A tirar o curso de programação informática
(que dá equivalência ao 12º ano), Tsanko treina nas horas disponíveis…
dele e da sua treinadora, Elisa Costa, no Estádio Nacional. “Quero
chegar aos 20 metros com o peso de 6 kg e subir ao pódio do Europeu de
Juniores, esta época”, afirma, convicto. “É a minha grande oportunidade,
pois no próximo ano já serei sénior”, acrescenta, justificando o facto
de, este ano, ter deixado um pouco os estudos para segundo plano.
“Ele é bastante trabalhador e dedicado, quer sempre
treinar mais e mais”, afirma Elisa Costa, a sua treinadora… nas horas
vagas. “Temos que ir conciliando os horários que a escola lhe deixa
livres e as disponibilidades do meu emprego e daí que até à hora do
almoço treinemos. Mas não gosto de me queixar. Até porque ele é super
esforçado”, acrescenta a antiga lançadora do Benfica.
Nome: TSANKO ARMAUDOV
Local/data de nascimento: Bulgária, 14-3-1992 (18
anos)
Nacionalidade: português (desde Novembro de 2010)
Clube: Benfica (desde 2010)
Treinadora: Elisa Costa
Evolução no peso (6/7,26 kg): 2010 – 16,98/15,34; 2011 –
17,46pc/15,93pc
Evolução no disco (1,75/2 kg): 2010 – 42,99/38,44
Classificações
em campeonatos nacionais: 2010 – 2ª jún. (p. cob. E ar livre); 2011
– 1ª jún. (p. cob.), 2ª sub’23 (p. cob.)
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RUBEN MIRANDA (SL BENFICA)
Primeiro varista eleito
ao fim de 29 anos
O
jovem (17 anos) Ruben Miranda, primeiro juvenil português a passar 5
metros no salto com vara, foi eleito Revelação do Ano. Ao longo dos 29
anos que esta iniciativa da Revista Atletismo e da Reebok já leva, foi a
primeira vez que um varista foi eleito. O atleta do Benfica, revelação
do mês de Maio deste ano, surgira no atletismo há pouco mais de um ano e
iniciara-se no salto com vara em Maio de 2009, com 3,30. Um ano depois,
bateu pela primeira vez o recorde nacional de juvenis, com 4,70, marca
que subiria sucessivamente para 4,75 e 4,80 ainda em Maio, 4,85 em Junho
e 4,86, 4,90 e 5,00 em Julho, antecipando em uma época a previsão que o
seu treinador Raposo Borges havia feito, na declaração que fez a esta
revista, para o número de Julho deste ano.
Curiosamente, este foi apenas o segundo atleta do Benfica (depois de
Marcos Chuva, há dois anos) a ser eleito Revelação do Ano. Ruben Miranda
surgiu no atletismo através do Mega Sprint, mas não foi feliz. No
entanto, a sua professora de educação física, a antiga recordista
nacional do dardo, Terezinha Vaz, indicou-o ao Benfica, ele experimentou
o salto com vara e não mais deixou. E o seu irmão Ícaro Miranda, um ano
mais novo, foi o segundo juvenil do ano, com 4,12.
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AGOSTO 2010 -
Marta Pen Freitas (Esc. Domingos Saraiva)
A
atleta «trapalhona»
que
quer ser médica
Do
grupo de atletas da Escola Básica 2,3 Mestre Domingos Saraiva, de
Algueirão, nos arredores de Lisboa, treinados pelo antigo barreirista
Paulo Barrigana, Marta Pen Freitas é a que mais se tem distinguido,
tanto em competições escolares – ganhou já três provas nos Jogos da
FISEC – como federadas: para além dos títulos nacionais de juvenis e
juniores, esteve na época finda no apuramento europeu, em Moscovo, dos
Jogos Olímpicos da Juventude, tendo sido 18ª nos 800 m.
O atletismo começou na escola. "Eu fiz natação, mas era uma "patinha",
e, no atletismo, ia aos corta-matos escolares: ganhava na minha escola e
era para aí quinta a nível de Lisboa. E o professor Barrigana
incentivava-me sempre a ir treinar. Mas só ao fim de uns três ou quatro
anos, quando já era iniciada e estava no 9º ano, resolvi ligar mais ao
atletismo. Para mim, o mais importante é o grupo de trabalho, o
convívio, o grupo de amigos. E neste aspecto tenho tido muita sorte…"
Marta Pen tem-se distinguido nas mais variadas distâncias, dos 400 aos
3000 m e até nos 300 e 400 m barreiras. "As disciplinas que prefiro são
os 400 e 800 metros, mas gosto de todas e até já prometi ao meu
treinador passar 1,30 no salto em altura…"
[a atleta é bastante baixa].
Paulo Barrigana, o treinador, explica: "sei que tenho um diamante nas
mãos mas não a quero especializar precocemente e só esta época, como
júnior, começará a dedicar-se mais aos 400 e 800 m. Depois, mais tarde,
pode ser que evolua para distâncias mais longas." A atleta, que em
Setembro ingressou no Benfica, juntamente com o seu grupo de treino,
espera estar no Europeu de Juniores de 2011. "E também gostava de
melhorar as marcas nos 1500 m e… nos 400 m barreiras. Gosto sempre de
experimentar coisas novas…"
Boa aluna no 12º ano da Escola Leal da Câmara, em Rio de Mouro, Marta
Pen treina (a partir desta época seis vezes por semana) na sua antiga
escola. "As condições não são as ideais mas agora começámos a ir também
ao Estádio Nacional e à pista da Alta do Lumiar."
E quer seguir medicina.
"Sei que não será fácil, exige muito estudo, mas uma das coisas que o
desporto nos ensina é a sermos organizados. E eu sou-o. Com a ajuda do
meu treinador e da minha família – em especial do meu pai, que muito me
incentiva – consigo conciliar tudo."
Paulo Barrigana elogia bastante a sua pupila, que conhece vai para sete
anos. "É uma miúda espectacular, sempre muito verdadeira, amiga dos
colegas, brincalhona, trapalhona…"
Marta concorda com o termo trapalhona.
"Acontecem-me sempre coisas giras. Mas a que eu mais conto passou-se na
minha primeira prova em pista, de 1000 metros. Nunca vira uma pista,
parti na pista 3, a toda a velocidade, e pensei que teria que correr
sempre nessa pista. Fiz duas voltas e meia a ouvir as pessoas gritarem
para passar para a 'corda' mas sem perceber o que queriam dizer. E
ganhei a prova!..."
Nome: MARTA PEN FREITAS
Local/data de nascimento: Lisboa, 31-7-1993 (17
anos)
Clubes: Esc. Básica 2,3 Mestre Domingos Saraiva
(2007 a 2010), Benfica (a partir de 2011)
Treinador: Paulo Barrigana
EVOLUÇÃO
300M 400M 800M
1500M 300BAR 400BAR
2007 inic. 43,75 - 2.23,50 5.01,40
- -
2008 41,87 - 2.15,99 4.45,1m
- -
2009 juv. 42,16 59,85
2.12,89 4.38,39 45,76 65,61
2010 41,09 57,77
2.09,82 4.43,4m 45,09 -
Outras marcas: 80 m – 10,71 (2008); 100 m – 12,78
(2009); 200 m – 26,3m (2009); 250 m – 34,53 (2008); 3000 m – 10.20,6m
(2009) e 10.16,74 (2010); 250 bar. – 41,95 (2007).
Principais classificações nacionais:
2009 – 3ª CN Jun. (1500 m); 1ª Olímp. Jov. (800 m)
2010 – 1ª CN Jun. – pc (400/800 m); 2ª CN Jun. (400/800
m); 1ª CN Juv. (1500 m); 2ª CN Juv. (300 bar.); 1ª Olimp.
Jov. (300/800 m)
Internacionalizações:
- Vencedora nos Jogos da FISEC de 2008 (800 m) e 2010
(1500 e 3000 m); 2ª nos 800 m de 2010
- Vencedora na Taça do Mundo de Escolas de 2009 (800 m)
- 5ª na eliminatória de 800 m do Festival Olímpico da
Juventude Europeia de 2009 (13º tempo)
- 4ª na eliminatória de 800 m dos Jogos Olímpicos da
Juventude (apuramento europeu) de 2010 (17º tempo)
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JULHO
2010 - Emanuel Rolim (Benfica)
Da Lourinhã (com Carlos Lopes)
ao recorde nacional de
juvenis
O antigo campeão olímpico foi o seu
primeiro treinador. Actualmente, vive no CAR e, recuperado de uma
anemia, chegou de forma surpreendente ao recorde de 1500 metros
Emanuel
Rolim, que em Julho bateu de forma surpreendente (até para ele) o velho
(de 23 anos) recorde nacional de juvenis de 1500 metros, começou a
praticar atletismo no Núcleo Sportinguista da Lourinhã, onde foi
treinado por Carlos Lopes ao longo de cinco épocas. Ingressou há um ano
no Benfica e, desde Janeiro que é orientado por Pedro Rocha. Recuperado
de uma forte anemia, teve progressos sensacionais no final da época.
O atletismo começou aos 11 anos (Setembro
de 2004), numa corrida organizada em Atalaia, Lourinhã, onde vivia. “O
meu professor de Educação Física e o meu irmão Bruno (que chegou a
correr no Benfica) faziam parte da organização e convenceram-me a
participar. Ganhei, destacado, e fui logo convidado pelo presidente do
Núcleo Sportinguista da Lourinhã a ingressar no clube”, conta Emanuel
Rolim, que nessa altura nem sabia quem era Carlos Lopes, que seria o seu
primeiro treinador. “Fiquei a dever-lhe muito, pois ensinou-me
bastante”, acrescenta o atleta, que cedo começou a dar nas vistas, em
especial nos 1000 metros: 2.51,0 como infantil, 2.32,18 como iniciado.
“Foi sempre uma distância boa para mim. Os 1500 metros eram muito
puxados, os 800 metros eram corridos raramente…” Em
2008, como iniciado, Emanuel Rolim ganhou os 1000 m no Olímpico Jovem e
no Km Jovem. Em 2009, já juvenil, ganhou os 800 metros no
Olímpico Jovem e no Nacional de Juvenis. Este ano, juvenil de 2º ano,
curiosamente, somou segundos lugares no Olímpico Jovem (800 m) e nos
Nacionais de Juvenis e Juniores (1500 m). “Já na época passada houve
alturas em que não me senti bem. E este inverno descobriu-se que tinha
uma anemia. Com a ajuda do Benfica, fiz vários exames na clínica do
clube, depois fui tratado e os valores já estão quase normais”, conta
Emanuel Rolim, que na fase final da época conseguiu progressos
surpreendentes. “O meu objectivo era fazer 3.57, para entrar na alta
competição. Acabei por fazer dez segundos menos, ao conseguir o recorde
nacional de juvenis com 3.47,57. Não esperava nada…”
Foi no Campeonato de Portugal, em Leiria, conseguindo um honroso 4º
lugar.
CAR, Benfica, treinador
Emanuel Rolim ingressou no Centro de Alto
Rendimento (CAR) do Jamor há dois anos. Há um ano, trocou o Núcleo
Sportinguista da Lourinhã pelo Benfica. E em Janeiro passou a ser
treinado pelo prof. Pedro Rocha. “A minha entrada para o CAR foi
importante. Antes, treinava numa pista de areia, de apenas 300 m, na
Lourinhã, sem apoio médico, umas três vezes por semana. No CAR tenho
outras condições e passei a encarar o atletismo mais a sério, deixando o
futsal que praticava no clube da terra – o Marítimo da Atalaia, às vezes
treinando a seguir ao treino de atletismo… E apesar
de reconhecido ao Núcleo Sportinguista, que fez de mim quem sou, a
passagem para o Benfica, onde tenho mais apoios e mais oportunidades de
competir, foi importante. A mudança de treinador deu-se por
sugestão do próprio Carlos Lopes. Estávamos longe, ele em Santa Cruz, eu
no CAR, os resultados não estavam a surgir e a dada altura ele
sugeriu-me que arranjasse outro treinador. E assim surgiu a
possibilidade de treinar com o prof. Pedro Rocha.”
Para o seu novo treinador, que já o
acompanhava à distância desde que Emanuel Rolim ingressou no CAR, o
atleta surpreendeu-o pela positiva. “A adaptação aos novos métodos de
treino foi relativamente rápida e, depois de um mês e pouco sem treinar,
em Dezembro/Janeiro, na sequência da anemia que teve, evoluiu bastante,
em especial na parte final da época. O objectivo era chegar a 1.54 e
3.52/3.53 para depois ‘dar o salto’ nos juniores, mas ele fez os
3.47,57.”
Emanuel Rolim
frequenta o 12º ano da Escola Amélia Rey Colaço, em Linda-a-Velha, na
área de desporto, mas está hesitante relativamente ao futuro escolar:
seguir desporto no FMH ou optar por outro ramo? Já no que se refere à
sua carreira, o atleta do Benfica tem dois objectivos para a nova época:
ir ao Europeu de Corta-Mato, em Albufeira, em Dezembro, e ao Europeu de
pista, em Julho. “A minha marca deste ano teria dado para ir ao Mundial
de Juniores deste ano, mas já não fui a tempo…”
concluiu.
Nome: EMANUEL Vitorino ROLIM
Local/data de nascimento: Torres Vedras, 3-1-1993
Clubes: Núcleo Sportinguista da Lourinhã (2005 a 2009) e Benfica
(2010)
Treinadores: Carlos Lopes (2005 a 2009) e Pedro Rocha (2010)
EVOLUÇÃO
800 M 1000 M 1500 M
2005 inf. - 3.02,41 -
2006 - 2.51,0m -
2007 inic. 2.09,16 2.39,05 4.09,44
2008 2.03,12 2.32,18 4.08,73
2009 juv. 1.57,70 2.33,00 4.03,11
2010 1.54,52 -
3.47,57*
* Recordista nacional de juvenis
PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS
C.Port. CNJun CNJpc CNJuv
Ol.Jov Km Jov
(1500m) (1500m) (1500m) (1500m) (1000/800) (1000m)
2007 (inic.) - - -
- 3º -
2008 (inic.) - - -
2º 1º 1º
2009 (juv.) - 3º
3º 1º 1º
2º
2010 (juv.) 4º 2º
- 2º 2º
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JUNHO
2010
- Bruno Fernandes (SL
Benfica)
Do Mega Sprint ao
Mundial júnior
um ano de atletismo
bastou
Revelou-se no Mega Spring de 2009 e, pouco mais de um ano depois, estava
no Mundial de Juniores de Moncton, no Canadá.
O
benfiquista Bruno
Fernandes, revelação do mês de Junho, na sequência dos 21,39 conseguidos
aos 200 metros, é um caso nítido de “chegar, ver e vencer”. Os seus
antecedentes desportivos limitavam-se à frequência, ao longo de um ano,
das Escolinhas de Futebol do Benfica. Tinha uns 10/11 anos. Em Março do
ano passado, realizaram-se na sua escola eliminatórias para o MegaSprint.
Ganhou na sua turma e repetiu a vitória a nível de escola. Dadas as
condições que mostrou, professores e colegas logo o incentivaram a
aderir ao atletismo. “Fui primeiro ao Sporting, por ser mais perto de
minha casa (Odivelas), e quem me recebeu foi a atleta Maria do Carmo
Tavares [funcionária da secção de atletismo]. Disse-me que a época já ia
adiantada e para aparecer em Outubro. Como então já estava entusiasmado
com o atletismo, resolvi ir ao Benfica, onde me indicaram a profª Ana
Oliveira que, por sua vez, me encaminhou para o prof. António Barata,
desde início o meu treinador.”
Bruno Fernandes,
colega de escola de Dorothe Évora, também ela atleta do Benfica, passou
a ir diariamente ao Estádio Universitário, onde treinam os atletas do
clube, e algumas semanas depois, já era vice-campeão nacional de
juniores de 100 e 200 metros, terminando a época com os apreciáveis
tempos de 10,82 e 21,95.
Esta época, voltou
a subir ao pódio nos 200 m do Nacional de juniores (2º) e do Campeonato
de Portugal (3º) de pista coberta e, ao ar livre, foi campeão júnior e
sub23 de 200 m e vice-campeão de 100 m. E chegou aos 10,73 e 21,39.
“Como diz o meu treinador, o que fiz na época passada deve-se quase em
exclusivo às minhas capacidades naturais. Este ano, já foi, em parte,
fruto do treino. Mas um ano não é suficiente e daí as minhas
expectativas...”, afirma o atleta, de 19 anos, que esteve no recente
Mundial de juniores, onde não foi muito feliz (6º na eliminatória, com
21,80). “Apanhei um dia de muita chuva e, dada a minha inexperiência,
acabei por me deixar arrefecer já que tivemos que entrar para a câmara
de chamada meia-hora antes da prova. Deveria ter feito pelo menos um
meeting lá fora, antes do Mundial, para me habituar aqueles
ambientes...”
O atleta do
Benfica está optimista relativamente à próxima época (“tenho um tempo em
mente, mas não quero revelá-lo...”), apesar de ter mudado do curso de
gestão da Universidade Nova, para onde tinha entrado no princípio do ano
lectivo (“tem muita matemática...”) para o de gestão de desporto na
Faculdade de Motricidade Humana (FMH). E, no futuro, admite subir na
distância. Eu gostava muito dos 100 metros, a minha prova preferida, mas
admito que será nos 200 e nos 400 metros que terei mais hipóteses
futuras...” Estreou-se nos 400 m a substituir Jorge Paula nos 4x400 m do
Nacional de Clubes e correu depois uma prova em 48,7 (manuais). “É uma
distância dura mas, se calhar, é aquela na qual eu poderei singrar...”
A opinião do
treinador
Bruno Fernandes,
que terminou o secundário com a boa média de 14 valores, é bastante
apreciado pelo prof. António Barata, que o treina desde que ele se
iniciou no atletismo, há ano e meio. “É um jovem com grandes
potencialidades. Logo que apareceu, com 17 anos, na Páscoa do ano
passado, revelou qualidades pouco habituais. E está a confirmá-lo,
apesar de ter ainda pouco tempo de treino”, salienta o técnico, que, no
que se refere às suas qualidades, salienta: “trata-se de um jovem muito
aplicado ao treino, muito trabalhador, embora ainda um pouco imaturo,
gosta muito de brincar no treino. Mas é bastante correcto e educado e
julgo ter um bom apoio familiar”, concluiu.
Nome: BRUNO
Miguel Sampaio Silva FERNANDES
Local/data de
nascimento: Lisboa, 26-5-1991
Clubes:
Benfica (desde 2009)
Treinador:
António Barata
Evolução
(2009/2010): 100 m – 10,82/10,72; 200 m – 21,95/21,39; 400 m - nc/48,7m
Principais
classificações nacionais: 2009 – 2º CN Jun. (100/200 m); 2010 (p.
cob.) – 3º C. Port. (200 m), 2º CN Jun. (200 m); 2010 (ar livre) – 1º CN
s23 (200 m), 2º CN s23 (100 m), 1º CN Jun.
(200
m), 2º Jun. (100 m).
Internacionalizações: 2010 – Camp. Mundo Juniores (6º elim. –
21,80).
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MAIO 2010
- Rubem Miranda (SL
Benfica)
Recordista
juvenil da vara
com um ano
de atletismo
«Quero
ser o primeiro juvenil a passar os 5 m na vara…»
Nascido
no Brasil (Recife), filho de brasileiros, Ruben Miranda, novo recordista
nacional juvenil de salto com vara, veio viver para Portugal com a mãe e
o padrasto aos oito anos de idade. E desde sempre se lembra de gostar de
desporto. “Sempre pratiquei na escola e, para além do atletismo, do que
mais gostei foi de escalada e natação. Mas o atletismo superou tudo.
Lembro-me perfeitamente – eu ainda não era atleta – de ver na televisão
o Nelson Évora a sagrar-se campeão mundial, primeiro, e olímpico,
depois, e sonhar ser um dia como ele…” Há um ano, participou no
MegaSprint mas não foi feliz. “As coisas não me correram bem na corrida
e pedi para ir ao salto em comprimento. Fiz seis metros e ganhei, mas
como não estava inscrito, não fui eu o apurado para a fase nacional.” No
entanto, a professora da escola que frequentava, a D. Pedro V, em Lisboa
(Sete Rios), a antiga recordista nacional do dardo Terezinha Vaz, viu
nele qualidades e indicou-o ao Benfica. “Com a profª Ana Oliveira
experimentei as várias especialidades e, no dia seguinte, também fiz
vara com o meu treinador Raposo Borges. E nunca mais deixei a vara…”
Estava-se em Maio do ano passado e, depois de uma estreia a 3,30, o
jovem Ruben Miranda foi progredindo até ser campeão nacional de juvenis
e chegar a 4,15.
Este inverno, continuou a progredir, foi vice-campeão nacional júnior e
por bem pouco falhou o recorde nacional de juvenis de pista coberta
(4,55), chegando aos 4,48. Mas, ao ar livre, com 4.70 e 4,80, bateu
mesmo o recorde e foi seleccionado para a fase de apuramento dos Jogos
Olímpicos da Juventude, em Moscovo. “A qualificação correu-me bem,
passei 4,60 e fui apurado para a final. Mas no dia seguinte não consegui
acertar a corrida de balanço – fez-me muita falta a presença do meu
treinador Raposo Borges, funcionamos como um todo… - caí no aquecimento
de 4 metros de altura, magoei-me na anca e, depois fiquei limitado, não
estava em condições físicas de saltar. E não teria sido difícil
qualificar-me para os Jogos, em Singapura. Bastaria ter feito 4,55…”
Ultrapassado esse percalço, Ruben Miranda, que se diz bastante calmo,
sonhava com os cinco metros ainda esta época [a entrevista foi realizada
no início de Junho]. “Tinha dois objectivos esta época. Um, ir a
Moscovo, já concretizei. O outro é tornar-me o primeiro juvenil a cinco
metros. O Raposo Borges, no início da época, escreveu essa marca num
quadro…”
Missão cumprida.
Admirador dos varistas Sergey Bubka, Steven Hooker e Renaud Lavillenie,
Ruben Miranda, que continua a ser um bom aluno (passou para o 10º ano,
área de ciência e tecnologia, e quer seguir desporto), treina
diariamente na Escola de Salto com Vara do Estádio Universitário de
Lisboa com Edi Maia, Diogo Ferreira e… o seu irmão, um ano mais novo,
Ícaro Miranda (que já tem 4,12). Para além do atletismo, tem como
hobbies o desenho e a fotografia…
Um
jovem responsável
Raposo Borges, o treinador de mais esta revelação do salto com vara,
considera Ruben Miranda “um jovem muito responsável, pontual,
interessado, que escuta com toda a atenção as indicações que lhe dou. E
é muito educado e sociável”, acrescenta.
Em termos atléticos, o treinador considera que “sem ser um sobredotado
fisicamente, o Ruben tem boas condições físicas para a sua idade”. E
acrescenta: “tento desenvolver-lhe condições de coragem e determinação
que considero muito importantes num varista. Está a assimilar muito bem
o modelo técnico que lhe transmito, tendo já uma técnica apreciável para
quem tem pouco mais de um ano de treino de salto com vara. Espero que na
próxima época passe os cinco metros e se torne o oitavo varista da nossa
escola a fazê-lo em 15 anos de actividade daquele que considero ser um
projecto de sucesso da federação”, concluiu, orgulhoso, o responsável
pela Escola de Salto com Vara do Estádio Universitário de Lisboa. Ruben
antecipou-se um ano…
Nome: RUBEN MIRANDA
Local/data de nascimento: Recife (Brasil),
10-6-1993 (17 anos)
Clube: Benfica (desde 2009)
Treinador: Raposo Borges
EVOLUÇÃO (vara)
2009 – 4,15
2010 – 5,00
PALMARÉS (vara)
- Recordista nacional de juvenis: 4,70 em 12-5-2010;
4,80 em 15-5-2010 ; 4,85 em 23-6-2010; 4,86 em 7-7-2010; e 4,90 e 5,00
em 10-7-2010, em Lisboa (U)
- Internacional nos Jogos Olímpicos da Juventude –
apuramento (2010)
- Campeonatos nacionais: 2009 – 1º juv.; 2010 – 2º
jun. (pc), 1º juv., 1º jun.
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ABRIL
2010
- Francisco Belo (J. Vidigalense)
«Nunca
liguei ao desporto...»
Depois
de ter batido o recorde pessoal com o peso de 7,26 kg por cinco vezes ao
longo do inverno, de 15,23 até 15,82, Francisco Belo, atleta de Castelo
Branco que desde a época passada representa a Juventude Vidigalense,
conseguiu os 18 metros exactos com o peso de 6kg, mínimo para o Mundial
de Juniores a realizar no Canadá (Moncton), em final de Julho. Era o seu
grande objectivo desta época e valeu-lhe o título de Revelação do Mês de
Abril. Já em Maio, melhorou para 18,15.
Curiosamente, Francisco Belo chegou ao
atletismo por mero acaso. “Nunca fui muito dado à prática desportiva e
foi a família que me levou a praticar”, conta o atleta, actualmente com
19 anos, 1,93 m de altura para 110 kg de peso. “Ainda joguei ténis para
acompanhar o meu irmão, mas não me entusiasmou. E acabei por ir para o
atletismo por mero acaso. Os meus pais conheciam o técnico regional de
atletismo de Castelo Branco e foi através dele que cheguei à modalidade.
E como já era bastante alto e até um bocado gordo, fui logo encaminhado
para os lançamentos e conheci de imediato o meu primeiro treinador,
David Santos.”
Recuando uns anos: “Nunca liguei ao
desporto, não fazia ideia do que era atletismo, só corria, com
sacrifício, o corta-mato na escola uma vez por ano, por causa da nota. E
mesmo o futebol nunca me entusiasmou. Alinhava às vezes porque os meus
colegas jogavam e me colocavam à defesa, pois era grande e, por isso,
tapava bem os caminhos para a baliza!...”
O certo é que, apesar desses antecedentes,
Francisco Belo rapidamente deu nas vistas. “Fui ficando adepto do
lançamento do peso, fui evoluindo normalmente, comecei a treinar mais e
a gostar. Foi uma evolução natural.” Tendo-se iniciado apenas no
primeiro ano de juvenil (foi logo 2º no Olímpico Jovem), conseguiu
rápidos progressos: com o peso de 5 kg, passou de 14,28 na primeira
época para 16,68 na segunda. E, como júnior (6 kg), progrediu de 16,21
em 2008 para 16,65 em 2009 e 18,00 recentemente.
O peso é a sua principal especialidade.
Mas a sua compleição física também o ajuda no disco, especialidade na
qual já chegou a 50,04 com o engenho júnior (1,75 kg) e a 46,53 com o de
2 kg. “Mas este ano estou a ter dificuldades no treino pois o Estádio
Universitário de Lisboa está sem gaiola de lançamentos…”, lamenta. O
martelo é que nunca o entusiasmou, apesar de o seu primeiro treinador,
David Santos, ser um especialista.
Estudante de medicina
Este ano lectivo, Francisco Belo, que é
natural e sempre viveu em Castelo Branco, ingressou na Faculdade de
Medicina de Lisboa, mesmo em frente ao Estádio Universitário, onde
passou a treinar com Luís Herédio Costa, o seu novo treinador. “Claro
que o curso é bastante exigente e não me deixa muito tempo livre. Mas eu
aproveito todos os furos que tenho para ir treinar e tenho a vantagem de
poder ter comigo quase sempre o Herédio Costa, qualquer que seja a hora.
Chego a treinar às sete e meia da manhã, antes das aulas, mas também há
dias em que treino às oito da noite…”
Nada que perturbe o atleta, curiosamente
um dos três lançadores que este ano ingressaram no curso de Medicina, no
qual Arnaldo Abrantes é a figura do atletismo mais conhecida. Os
novatos, para além de Francisco Belo, são Irina Rodrigues, em Coimbra, e
Sara Custódio, em Lisboa (Campo de Santana). “Se o Arnaldo conseguiu
praticar atletismo e tirar o curso, penso que também eu o poderei
conseguir…”, garante. E recorda: “Embora não praticasse desporto, eu já
antes era muito activo, tinha várias actividades, integrando clubes de
jornalismo, de geografia, rádio, etc. Depois, ao começar com o desporto,
reduzi essas actividades. Consigo conciliar bem as coisas…”
Ir melhorando…
Os 18,00 com o peso de 6 kg foram algo
inesperados, tão cedo na época. Era o objectivo. Francisco Belo
mantém-se reservado. “Não tenho nenhuma marca definida. É treinar e
apontar o pico de forma para a altura dos Mundiais.”
Com o peso de 7,26 kg, já passou (por pouco) os 16 metros nos Regionais
Universitários. “O mínimo para o Mundial é 16,30 (ou então os 18
m com o peso de 6 kg). Penso que poderei lá chegar também. Mas não quero
impor metas, nem agora nem para o futuro a mais longo prazo. Não penso
nisso, não traço objectivos desses. Não gosto de sonhar muito alto.
Prefiro pensar época a época e ir melhorando…”
Luís Herédo Costa, o seu treinador, é mais
concreto: “É um atleta com grandes qualidades, tanto para o peso como
para o disco, com boa coordenação técnica. Chegou recentemente aos 18
metros certos no peso de 6 kg e acho que pode fazer pelo menos mais meio
metro este ano. O problema é o facto de estar no 1º ano de medicina e
isso é complicado…”, referiu.
Nome: FRANCISCO Miguel Pereira
Boavida Pires BELO
Local/data de nascimento:
Castelo Branco, 27-3-1991 (19 anos)
Clubes: ARC Bairro Valongo
(2007 e 2008) e Juventude Vidigalense (desde 2009)
Treinadores: David Santos (2007
a 2009), Herédio Costa (2010)
EVOLUÇÃO
PESO/5 PESO/6 PESO/7,26 DISCO/1,5 DISCO/1,75 DISCO/2
2007 juv.
14,28
2008
16,68 16,21 43,54 41,50 34,69
2009 jun.
- 16,65 15,23pc - 50,04 46,24
2010
- 18,15 16,07 - 48,68 46,53
PRINCIPAIS
CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS (no peso excepto indicado)
2007 (juv.) – 2º
Olímp. Jov.
2008 (juv.) – 1º
CN Juv.; 2º CN Jun.
2009 (jún.) – 2º CN Jun. (pc); 1º CN Jun. (disco); 2º CN
Jun.; 3º CN S23
2010 (jún.) – 5º C. Port. (pc); 2º CN S23 (pc)
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MARÇO
2010
- Ana Queirós Alves (J.
Vidigalense)
Campeã de crosse
com jeito para o futebol
Recente
campeã nacional juvenil de corta-mato, Ana Queirós Alves conseguiu na
época passada 4.36,62 aos 1500 metros, marca que, desde 1990, apenas uma
iniciada conseguiu superar (Sónia Fernandes, com 4.36,01 em 1998).
Natural de Hamburgo, na Alemanha, onde os pais trabalhavam, veio viver
para Portugal (Leiria) aos 4 anos e iniciou-se no atletismo aos 10… por
acaso. “Não fazia a mínima ideia que corria bem mas entrei num
corta-mato distrital pela minha escola e fui segunda. O coordenador da
Juventude Vidigalense, Paulo Reis, conhecia o meu professor de educação
física, Rui Machado, e ingressei no clube.” Antes, Ana Alves praticava
natação (“não era nada de especial”) e jogava futebol de sete (“era
defesa”). Iniciou-se no atletismo e continuou mais um ano no futebol (“o
clube onde estava entretanto acabou”) e mais dois na natação. Depois,
dedicou-se apenas ao atletismo. “Mas ainda continuo a jogar futebol com
os rapazes, como hobbie, e não acho – nem eles… - que jogue mal!”,
acrescenta.
No
atletismo, ganhou logo a primeira prova (1000 m) que correu como
federada mas foi depois, como iniciada, que se começou a dar a conhecer
a nível nacional ao vencer os 1000 metros do Olímpico Jovem em 2008 e
sendo segunda (derrotada por Liliana Cabral) em 2009, enquanto no
Nacional de Juvenis subiu aos pódios de 1500 m (3ª em 2008 e 2ª em
2009). “As minhas distâncias preferidas são os 1000 m, primeiro, e os
1500 m, depois. Mas ainda gosto mais de corta-mato”, afirma Ana Queirós
Alves, candidata a um lugar na selecção nacional para os Jogos Olímpicos
da Juventude, que terão a sua fase de apuramento europeu em Moscovo,
entre 21 e 23 de Maio.
Aluna
(com média superior a 14) do 10º ano, admite a hipótese de vir a ser
veterinária (“gosto bastante de animais mas ainda não decidi…”). O seu
treinador de sempre, Rui Militão, considera-a uma rapariga muito
dedicada ao treino. “Nunca falta (5 vezes por semana, no Estádio de
Leiria) e concilia-os bem com os estudos”, afirma. “Os resultados estão
à vista…” Salientando a sua simpatia e simplicidade (“é muito reservada,
nada extrovertida”), garante não estar nada “puxada”, apesar dos
resultados já conseguidos. “Nunca fez um treino muito específico, nem
muito exigente. Corre muito menos quilómetros que outras atletas da sua
idade e tem feito um trabalho bastante diversificado. Ainda tem, por
isso, uma grande margem de progressão, o que deixa antever um bom
futuro. Vamos a ver… Para já, está no bom caminho”, conclui Rui Militão.
Nome:
ANA QUEIRÓS ALVES
Local/data
de nascimento: Hamburgo (Alemanha), 7-10-94 (15 anos)
Clube:
Juventude Vidigalense (desde 2005)
Treinador:
Rui Militão (desde 2005)
EVOLUÇÃO
800 M 1000 M 1500 M
2007 inf.
- 3.13,91 -
2008 inic.
2.18,09 2.59,17 4.48,90
2009
2.14,55 2.56,17 4.36,62
2010 juv.
2.16,18pc 2.55,79 4.40,56pc
PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS
CN Jun.(pc) CN Juv. Olimp.
Jov. Km Jov.
C- Mato
2008 -
3ª – 1500m 1ª – 1000m 2ª -
2009 -
2ª – 1500m 2ª – 1000m 2ª -
1010 3ª –
800m - -
- 1ª juv.
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FEVEREIRO 2010
- Bruno Moreira (Individual)
Campeão iniciado e
juvenil
«regressa» aos… 23 anos
Sobrinho de Albertina Dias, abateu 21 quilos e, sem clube e tendo o pai
como treinador, foi vice-campeão nacional de 800 e 1500 m a trabalhar,
de pé, oito horas por dia…
Bruno
Moreira chegou a ser recordista nacional de pista coberta de infantis e
juvenis e ficou a centésimos de o ser também ao ar livre, conquistando
vários títulos nacionais como iniciado e juvenil, nos primeiros anos
deste século. Já não foi tão feliz como júnior e “desapareceu” em 2007,
só regressando, como individual, em 2009, para se salientar este
inverno, em pista coberta, ao chegar a vice-campeão nacional de 800 e
1500 m, dando trabalho a Tiago Rodrigues e batendo os recordes pessoais
com 1.51,62 e 3.46,42, respectivamente. Aos 23 anos, sonha agora com a
presença no Campeonato da Europa de Barcelona…
Sobrinho de
Albertina Dias (irmã da mãe dele), Bruno Moreira foi, juntamente com o
irmão Paulo, incentivado a praticar atletismo pelo pai, José Fontes, que
foi o primeiro treinador de Albertina no NA Esperança. O irmão, dois
anos mais velho e que também se salientou enquanto jovem, deixou
entretanto o atletismo e ingressou na Força Aérea. Bruno começou mais a
sério aos 12 anos, como infantil, no Luz e Vida Gondomarense,
salientando-se desde logo. Foi campeão do Norte no Atleta Completo e
quarto na final nacional e, depois, como iniciado e juvenil, ganhou no
Olímpico Jovem e nos Campeonatos Nacionais. Chegou a ir ao Festival
Olímpico da Juventude Europeia, ficando a 21 centésimos da final de 800
metros, desde sempre a sua prova preferida.
Não foi tão
feliz enquanto júnior (quatro anos seguidos vice-campeão nacional da
categoria em 800 metros!) e acabou por desistir da modalidade em 2007,
aos 20 anos, numa altura em que chegou a treinar sob a orientação de
João Campos. “Foi um acumular de situações, desde duas lesões de média
intensidade ao desinteresse do clube, que me deixou de pagar…”, recorda
o atleta, que entretanto engordou, chegando aos 83 quilos (tem agora
62!). “A minha mãe incentivou-me a regressar, o meu pai prontificou-se a
voltar a treinar-me e recomecei em Fevereiro do ano passado.”
Entretanto,
terminou o 12º ano e fez um curso de programador de máquinas
industriais, começando a trabalhar. “Estou oito horas por dia em pé, num
ofício que exige muita atenção…”. O facto não tem prejudicado, para já,
a sua prestação desportiva nem impede que, em determinados períodos,
treine duas vezes por dia, de manhã às 6.45 h e à tarde a partir das
18.30 horas. “E nunca treinei em pista desde que regressei. Quando
preciso, faço as séries na estrada. Treino de manhã em Ermesinde, à
noite em Valongo e faço o ‘rolamento’ em Travagem.”
Com um ano de
treino, chegou à sua melhor forma de sempre. E já sonha com as grandes
competições internacionais, para já nos 800 metros, futuramente nos 1500
metros. Mantém o emprego (de momento nada recebe do atletismo), mas
espera poder dedicar-se mais à modalidade na próxima época, abandonando
o trabalho para treinar mais e ingressar na Faculdade. “Já tive algumas
sondagens por parte de clubes, mas ainda sem nada de muito concreto. Há
muito tempo para isso ainda…”, afirma, cauteloso. Entretanto, vai
dividindo o tempo entre o trabalho e o treino, aproveitando os poucos
momentos livres para descansar. “Por exemplo, à hora do almoço. Como
depressa e vou para o carro descansar um pouco…”
Nome:
BRUNO Miguel Jesus MOREIRA
Local/data de nascimento: Miragaia (Porto), 8-3-1987 (23 anos)
Clubes:
Luz e Vida Gondomarense (2000 a 2007) e individual (desde 2008)
Treinador: José Fontes
EVOLUÇÃO
800M
1500M
2000 inf. 2.47,1 (1000
m)
2001 inic.
1.58,25 4.05,05
2001 1.57,34 4.05,08
2003 juv.
1.54,04 3.56,39
2004 1.53,88 3.56,78
2005 jun.
1.52,25 3.52,79
2006 1.52,39pc 3.58,95
2007 s23
1.53,73pc 3.57,70pc
2008 -
-
2009 1.55,69 -
2010 sen.
1.51,62pc 3.46,42pc
Outro
recorde pessoal: 400 m – 50,88 (2010)
RECORDES
Ex-recordista nacional de pista coberta de 1000 m – infantis (2.54,44 em
2000) e 1500 m – juvenis (4.01,667 em 2004)
PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES
Atleta
Completo (inf.): 4º em 2000
Olímpico
Jovem (inic.): 1º em 2001 e 2002 (800 e 1500 m).
Olímpico
Jovem (juv.): 1º em 2004 (800 m), 2º em 2004 (3000 m), 3º em 2003 (1500
m).
Camp. Nac.
Corta-Mato (juv.): 4º em 2004
Camp. Nac.
Juvenis: 1º em 2003 e 2004 (800 e 1500 m), 2º em 2001 (800 m), 3º em
2002 (800 m).
Camp. Nac.
Juniores: 2º em 2003, 2004, 2005 e 2006 (800 m), 3º em 2006 (1500 m)
Camp. Nac.
Juniores (p. cob.): 3º em 2004 (800 m)
Camp. Nac.
Sub23: 3º em 2005 (800 m)
Camp. Nac.
Sub23 (p. cob.): 2º em 2007 (800 m), 3º em 2006 (800 m)
Campeonato
de Portugal (p. cob.): 2º em 2010 (800 e 1500 m)
INTERNACIONALIZAÇÕES
Festival Olímpico da Juventude Europeia (2003): 3º na eliminatória de
800 m
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JANEIRO 2010
- Tiago Silvestre (S. L.
Benfica)
Megasprint "roubou-o"
ao futebol
Vitória
no torneio levou-o ao Arneirense e, três anos passados, foi titular do
Benfica nos 60 m do Nacional de Clubes
Era
ainda há pouco um ilustre desconhecido. Mas, ao fazer 6,93 nos 60
metros, tornou-se o 7º júnior de sempre em pista coberta e, beneficiando
embora da lesão de dois outros atletas, foi o velocista do Benfica no
recente Nacional de Clubes, classificando-se em terceiro lugar. Tiago
Silvestre, 18 anos, nascido nas Caldas da Raínha, onde continua a viver,
foi descoberto no MegaSprint de 2007. Ganhou os 50 metros (juvenis) e
foi convidado pelo seu actual treinador, Vítor Zabumba, a ingressar no
Arneirense. “Eu jogava futebol, desde os oito anos, no Caldas Sport
Clube, que até tinha uma boa equipa. Era defesa-central, sabia que era
rápido, mas nunca pensei que o fosse tanto. Nas várias fases do
MegaSprint, a começar na escola, ganhei sempre. E acabei por entrar para
o atletismo, embora sem deixar o futebol.” Logo a seguir ao MegaSprint,
surpreendeu ao fazer 11,13 aos 100 metros, batendo o recorde distrital
(Leiria) de juvenis. Regressou ao futebol no final dessa época e, em
2008, não correu. Mas, em Abril do ano passado, resolveu optar em
definitivo pelo atletismo. “Foram muitos anos de futebol, já estava um
bocado cansado. E, depois, como as coisas me correram bem no
atletismo...”, explica.
Tiago
Silvestre melhorou para 10,85 na época passada, subindo ao pódio do
Nacional de juniores (3º). E este inverno para além de conseguir 6,93
nos 60 metros, foi campeão nacional júnior e terceiro nos sub-23. “Nunca
pensei progredir tanto. No ano passado, não sabia correr e treinei
essencialmente a técnica. Uma vez esta adquirida, pude então começar a
fazer um treino mais específico. Talvez seja essa a razão dos
progressos.” No final da época, acompanhou vários outros atletas do
Arneirense (entre os quais Eva Vital) que se tranferiram para o Benfica,
clube no qual Vítor Zabumba também é treinador. “Continuo a residir nas
Caldas e a treinar na pista do Arneirense, todos os dias ao fim da
tarde, excepto aos domingos. E tenho como objectivo para esta época
chegar ao mínimo para o Mundial de Juniores (10,64).”
Entretanto, estuda no 12º ano da Escola Rafael Bordado Pinheiro, área de
electrónica, automação e computadores. “Ainda não sei qual o ramo que
seguirei, mas será desse tipo. Sou um aluno médio, mas gosto de
matemática...”
Nome:
TIAGO SILVESTRE
Local/data
de nascimento: Caldas da Raínha, 18-6-1991 (18 anos)
Clubes:
Arneirense (2007 e 2009) e Benfica (2010)
Treinador:
Vítor Zabumba
EVOLUÇÃO
60 m (pc):
6,93 (2010)
100 m: 11,13
(2207), 10,85 (2009)
200 m: 22,57
(2009), 22,68pc (2010)
PALMARÉS
- 2007: 1º
no MegaSprint (50 m – juvenis)
- 2009: 3º
no Nacional de Juniores (100 m)
- 2010 (p.
cob.): Campeão nacional de juniores (60 m) e 3º (200 m); 3º no Nacional
de sub-23 (60 m)
-
Recordista nacional sub-23 de 4x200 m (2010)
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Maratonista foi
dupla revelação
Ao longo dos 28 anos que já leva esta
iniciativa da Revista Atletismo, é a primeira vez que um maratonista é
eleito Revelação do Ano. E bem pode dizer-se que José Moreira, 29 anos,
atleta do Cyclones, foi uma dupla revelação: quando foi quarto na
Maratona de Hamburgo, em Abril, com 2.14.57, marca que lhe valeu a
selecção para o Mundial de Berlim… e a escolha como Revelação do Mês; e,
principalmente, quando foi 9º nesse Mundial, melhor português e segundo
europeu, logo após o consagrado espanhol Chema Martinez. E daí a sua
escolha como Revelação do Ano, sucedendo ao benfiquista Marcos Chuva,
eleito em 2008.
José Moreira era um ilustre desconhecido.
Como referimos no número de Junho último, fora campeão nacional de 10000
m em 2004 (mas com uma marca modesta), título que repetiria este ano
(com 29.55,13). Trabalhando num armazém em S. João da Madeira, passou a
representar o Cyclones em 2007. Dois anos depois, saiu do anonimato. Foi
a grande revelação deste ano…
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Julho
2009
- Ricardo Freitas (GRECAS)
Acompanhava a madrinha
Teresa Machado aos
treinos
… e já foi quinto no lançamento do disco do Festival
Olímpico da Juventude Europeia, no seu primeiro ano de juvenil
Ricardo
Freitas é afilhado de Teresa Machado e, em pequeno, acompanhava os
treinos da madrinha, na Gafanha da Nazaré, onde ambos residem. Um dia, o
treinador da antiga atleta olímpica, Júlio Cirino, convenceu o jovem
Ricardo a experimentar. Gostou e… ficou. Agora, com mais uma época de
juvenil pela frente, é já o segundo melhor discóbolo de sempre da
categoria (56,58 com o engenho de 1,5 kg), apenas atrás do recordista
António Vital Silva (59,57) e do ex-recordista Jorge Grave (57,12). “Tem
todas as condições para ser um excelente lançador juvenil e júnior”,
refere Júlio Cirino, seu treinador. “É muito dedicado e cumpridor,
sempre pontual e responsável. O problema poderá surgir quando ingressar
na universidade. Mas se, nessa altura, tiver o apoio necessário, poderá
ir longe…”
A
poucos dias de completar 16 anos, Ricardo Freitas pratica atletismo
desde 2005, aos 11 anos. Antes, ainda experimentou o basquetebol
(durante dois anos) e esteve (pouco tempo) na natação. Mas foi o
atletismo que o conquistou. E, dentro do atletismo, o lançamento do
disco, mais que o peso, embora nesta especialidade também tenha chegado
ao quarto lugar entre os melhores iniciados de sempre e já seja o nono
entre os juvenis. Ricardo Freitas estuda (11º ano) na Escola Secundária
da Gafanha da Nazaré (área de ciências e tecnologias) – mas ainda não
decidiu que curso seguirá – e treina cinco vezes por semana (quatro na
época passada) na lota, junto à ria de Aveiro, num terreno que os
pescadores cederam e onde foi construído um círculo para lançamentos.
“Agora vejo mais raramente a minha madrinha (Teresa Machado), pois ela
já não treina e está ocupada no trabalho dela. Mas quando a encontro
vai-me dando conselhos…” O atleta do Grecas esteve este ano no Mundial
de Juvenis (20º na qualificação do disco) e no Festival Olímpico da
Juventude Europeia, um autêntico Europeu de Juvenis (5º classificado).
Em 2010, quer estar nos novos Jogos Olímpicos da Juventude, em
Singapura. “Penso conseguir chegar aos 61 ou 62 metros no disco e aos 17
metros e tal, quase 18 m no peso”, prevê o atleta, em quem o treinador,
se tudo correr bem, vê um futuro atleta olímpico em 2016. “Vamos ver com
o tempo, mas se ele o diz…”, comenta um reservado Ricardo Freitas.
Nome:
RICARDO Jorge Machado FREITAS
Local/data de nascimento: Aveiro, 14-11-1993
Altura/peso: 1,86 m / 92 kg
Clube:
Grecas (desde 2005)
Treinador: Júlio Cirino
EVOLUÇÃO
PESO
DISCO
2006 inf. 11,96 / 3kg 38,89 / 1kg
2007 inic. 15,57 / 4kg 53,47 / 1kg
2008 inic. 16,70 / 4kg 63,76 / 1kg
14,59 / 5kg 52,43 / 1,5kg
2009 juv. 16,61 / 5kg 56,58 / 1,5kg
13,49 /
6kg 44,14 / 1,75kg
INTERNACIONALIZAÇÕES
- Camp.
Mundo Juvenis’2009: 20ºqual. (52,30)
- Fest.
Olímp. Juv. Europeia’2009: 5º (56,28)
COMPETIÇÕES NACIONAIS
OLÍMP. JOV. NAC. JUV.
2008 inic.
1º peso 2º disco
2009 juv.
1º peso/disco 1º peso/disco
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Julho
2009
- Bruno Gualberto (Juventude
Vidigalense)
Dos mínimos à tangente
a 9º português de
sempre
Nasceu no Brasil e chegou a Portugal aos 12
anos. Quando experimentou o atletismo só conhecia as corridas na estrada
e, nove anos depois, finalmente português, chegou a internacional e
tornou-se campeão nacional
Bruno
Gualberto nasceu (há 21 anos) no Brasil, numa pequena localidade do
Estado do Paraná. Quando tinha 12 anos, acompanhou os pais, que
emigraram para Portugal, ele camionista, ela educadora de infância. “Foi
uma adaptação fácil, só sentia muito frio, mas já me habituei...”,
recorda.
Chegou a Portugal em Dezembro de 2000 e,
em Abril de 2002, o atletismo entrou na sua vida. “Foi através da
escola, nos Jogos de Leiria, em várias modalidades. Escolhi o BTT e o
atletismo, pensando que atletismo significava corrida de estrada. Quando
cheguei ao estádio de Leiria, puseram-me a saltar em altura (fiz 1,35) e
comprimento (cerca de 4,90), a lançar o peso e a correr 80 e 1000 m.
Ganhei o pentatlo, sendo primeiro nas corridas e segundo nos concursos!
Vi os outros fazer e tentava imitá-los...”
Presente no estádio, o prof. Paulo Reis,
responsável da Juventude Vidigalense, apressou-se a convidá-lo a
ingressar no seu clube. “Aceitei e... nunca mais
parei”, refere Bruno Gualberto, então iniciado de 1º ano. “A
princípio gostei mais das corridas de velocidade – os 1000 m cansavam
muito... .Das barreiras só comecei a gostar no ano
seguinte, depois de ser terceiro nos 100 m barreiras do Olímpico Jovem.
Havia sido 14º no ano anterior...”
A primeira grande vitória que recorda foi
a de 200 metros no Nacional de Juniores de 2007, na sua segunda época na
categoria. “Comecei então a dedicar-me mais aos 400 m barreiras. Sou
relativamente rápido, tenho boa resistência e como sempre passei bem as
barreiras...” De qualquer forma, os seus progressos
nos 400 m barreiras, esta época, foram surpreendentes, de 52,64 para
51,14, marca que o coloca já no top-10 nacional de sempre, em 9º lugar.
“Uma vez que me naturalizara português em Abril, só queria fazer
os mínimos para o Europeu de Sub-23, que eram de 52,20. E se fizesse
51,99 já ficaria muito satisfeito. Passei toda a época a tentar o
mínimo, sem o conseguir, até que, finalmente, na última prova, o
Nacional de Sub-23, o obtive e logo com 51,29. Foi a maior alegria que
tive até agora...” Depois, em Kaunas, no Europeu, conseguiu melhorar
para 51,14 nas eliminatórias, fazendo a seguir 51,31 nas meias-finais.
Com o abandono anunciado de Edivaldo Monteiro, ficou sendo o melhor
especialista nacional, comprovando-o com o título nacional. “Não sei se
serei o melhor”, acautela. “O João Ferreira pensa dedicar-se aos 400 m
barreiras e fará certamente grandes marcas. Não será nada fácil lutar
com ele...”
Ligado ao desporto
Bruno
Gualberto concluiu o 12º ano mas, devido aos Jogos da Lusofonia, não
pode fazer os exames de ingresso no ensino superior. Quer seguir
desporto e terá agora pela frente um ano a trabalhar. “Mas ainda não
comecei a procurar emprego. Para já estou de férias”, afirmou o jovem,
que mantém um pequeno sotaque brasileiro. Antes de se naturalizar e ao
longo de vários anos, ganhou campeonatos mas ficou fora do pódio e das
medalhas. “Claro que é sempre triste ficar na bancada e ver os outros, a
quem ganhámos, subir ao pódio. Mas eu sabia que valia as medalhas, os
tempos contavam e a motivação manteve-se sempre. Fui evoluindo mesmo sem
medalhas...”, conclui.
Nome:
BRUNO GUALBERTO
Local/data de nascimento: Diamantes do Norte, Paraná (Brasil),
1-8-1988 (português desde 21-4-2009)
Clube: Juventude Vidigalense (desde 2002)
Treinador: Pedro Custódio
EVOLUÇÃO
100 M 200 M 400 M 110 B 400 B
2006
jún. - - 51,36 - 55,06
2007 10,90 21,69 48,78 14,61 53,49
2008
s23 10,94 21,85pc 49,54 14,74 52,64
2009 - 22,08pc 48,40 14,41 51,14
Marcas
nos escalões jovens:
2003 (inic.):
80 m – 9,87; 300 m – 38,88; 100 bar. - 14,60; 300 bar. - 41,47.
2004 (juv.):
110 b/91 – 15,30; 400 b/84 – 59,52
2005 (juv.):
110 b/91 – 14,44; 400 b/84 – 57,08
Marcas nos
escalões jovens:
2003 (inic.):
80 m – 9,87; 300 m – 38,88; 100 bar. - 14,60; 300 bar. - 41,47.
2004 (juv.):
110 b/91 – 15,30; 400 b/84 – 59,52
2005 (juv.):
110 b/91 – 14,44; 400 b/84 – 57,08
INTERNACIONALIZAÇÕES (todas em 2009)
- Campeonato da
Europa de Selecções (4x400 m – 11º)
- Jogos da
Lusofonia (400 bar. - 4º; 4x400 m – 2º)
- Campeonato da
Europa de Sub-23 (400 bar. - 6º mf)
PRINCIPAIS
CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS
CP CPpc CNs23 Cns23pc CNJun
2006 - - - - 1º – 110b
2007 - - 3º – 200m 3º – 60b 1º - 200m
3º - 400b 2º – 400b
2008 - - 1º – 110b - -
1º – 400b
2009 1º – 400b 1º – 400m 1º – 400b 1º – 400m -
2º – 400m 2º – 110b 2º – 200m
3º – 60b
Nota: Sendo
ainda brasileiro e já maior de 18 anos, não subiu ao pódio nos
campeonatos de 2007, 2008 e nos campeonatos de pista coberta de 2009
CNJuv OJ
2003 inic. - 3º – 300m
3º – 100b
2005 juv. 2º – 110b 2º – 400b
3º – 110b
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Junho
2009
- Liliana Cabral (SC
Reboleira Damaia)
Uma nova Carla
Sacramento?
Em iniciadas, só a antiga campeã, com quem tem
muitas parecenças, conseguiu melhor tempo que ela nos 800 m. Mas Liliana
ainda tem mais um ano no escalão…
Tem
apenas 14 anos, é iniciada de primeiro ano e já conseguiu 2.12,29 aos
800 metros, ao ganhar o Nacional de Juvenis. Chama-se Liliana Cabral e é
já a segunda melhor iniciada de sempre na distância, a seguir à
recordista Carla Sacramento (2.10,48), com quem tem grandes parecenças
físicas e na forma de correr. “Não, não a conheço, nunca a vi correr”,
afirma a atleta, a quem o presidente da Federação, Fernando Mota,
prometeu apresentar a antiga campeã no Seixal, aquando dos Campeonatos
de Portugal.
Habitante no problemático Bairro de Santa
Filomena, na Amadora, Liliana Cabral começou por praticar atletismo no
clube local “Cá Te Espero” e no SFRAA (Filarmónica da Amadora), ainda
muito jovem. “Fui com umas amigas e o treino era corridas e
brincadeira”, recorda. Depois, há cinco anos, ingressou, ainda nem
benjamim era, no Sporting Clube da Reboleira e Damaia, onde desde o ano
seguinte passou a ser orientada pelo actual treinador, Luís Mugarro.
“Sempre foi muito certinha, raramente falha os treinos e só andou
durante uns tempos com problemas nos estudos. Mas já conseguiu
entretanto conciliá-los e voltou a ser boa aluna”, conta o treinador,
que diariamente a vai buscar e levar a casa (a ela e a vários outros
jovens da zona) para treinarem no Estádio Nacional. “Temos uma carrinha
de nove lugares que normalmente leva 11 ou 12. E há aqueles que são da
zona do Estádio e vão lá ter”, explica.
Liliana Cabral sempre se dedicou ao
meio-fundo. No ano passado, ainda infantil, ganhou o Km Jovem, e baixou
dos três minutos (2.59,43). E, surpreendentemente, foi segunda no
pentatlo do Atleta Completo. “Só treinou as outras especialidades pouco
tempo antes da fase regional. Mas, inesperadamente, ganhou-a e então
intensificámos um pouco o treino das disciplinas técnicas e ela acabou
por ser vice-campeã nacional”, explica o treinador. “Ela tem jeito para
tudo e na escola ganha tanto a correr como na altura ou no comprimento.
Só não gosta é de lançamentos…” A atleta confirma, mas diz não abdicar
do meio-fundo. “Do que gosto mais é de 800 e 1000 m e, no futuro, quero
ser corredora de 800 m. Mas também gosto de fazer barreiras e
comprimento, na escola…”
Esta época, como iniciada, Liliana teve
problemas no corta-mato (“as coisas não correram muito bem”, reconhece o
treinador, Luís Mugarro) mas brilhou na pista, ganhando novamente o Km
Jovem, batendo o recorde nacional de 1000 m (2.55,41) no Olímpico Jovem
e surpreendendo no Nacional de Juvenis, ao derrotar as favoritas Diana
Soares e Mariana Brás nos 800 m, com um tempo (2.12,29) que era mínimo
para o Mundial de Juvenis! “Eu nem queria acreditar que tinha ganho”,
recorda a atleta, que só no dia seguinte soube que tinha feito o mínimo
mas, ao mesmo tempo, que, por ser ainda iniciada, não poderia ir à
competição. “Foi um choque, mas já passou”, afirma o treinador. “Ela
terá muitas oportunidades…” Nesse dia, Liliana Cabral
melhorou o seu tempo de 2.13,52 para 2.12,29 e correu de forma
tacticamente perfeita. “Ela faz sempre tudo o que lhe digo. Nós
apontávamos para um lugar no pódio, mas sem descurar a hipótese de uma
vitória…”, acrescenta o treinador.
Liliana Cabral, que passou para o 7º ano da Escola Básica Cardoso Lopes,
na Amadora (“gosto em especial de matemática e educação física”), e quer
ser cozinheira, tem um largo futuro à sua frente como atleta. Assim seja
bem conduzida e se continue a dedicar. “Ela treina todos os dias, de
segunda a sexta-feira, e quando não há provas vamos ao domingo para a
mata ou para a praia”, conta o treinador. “Não treina muito de cada vez,
mas fá-lo diariamente”…
Nome: LILIANA CABRAL
Local/data de nascimento: Lisboa,
24-4-1995 (14 anos)
Clube: Sporting Clube da Reboleira
e Damaia (desde 20005)
Treinador: Luís Mugarro (desde
2006)
Evolução:
2007 (inf.): 600 m –
1.41,24; 800 m – 2.25,33; 1000 m – 3.10,25.
2008 (inf): 150 m –
20,56; 600 m – 1.38,36; 800 m – 2.20,88; 1000 m – 2.59,43; pentatlo –
2553.
2009 (inic.): 300 m – 42,15; 800 m –
2.12,29; 1000 m – 2.55,41.
Principais classificações nacionais:
2008 (inf.): 1ª Km Jovem; 2ª Atleta
Completo
2009 (inic.): 1ª Km Jovem; 1ª Olímpico
Jovem (1000 m); 1ª Nacional de Juvenis (800 m)
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Maio
2009
-
Carlos Nascimento (Escola do Movimento)
Cinco meses de treino
e...
recorde de 30 anos!
Apareceu no clube
em Dezembro e em Maio bateu o recorde nacional de iniciados de 80 m, que
durava desde…. 1978!
Bastaram menos de cinco meses de treino
para que Carlos Nascimento, de 14 anos, batesse o segundo mais velho dos
recordes nacionais jovens: o de 80 metros de iniciados. Revelou-se na
Escola Secundária Padrão da Légua, em Senhora da Hora – onde é (bom)
aluno do 9º ano, pretendendo seguir engenharia informática. “Na minha
escola ganhava tudo e, um dia, o pai de um amigo meu (que foi atleta e
treinador do CDUP) sugeriu-me que fosse treinar com o grupo da Escola do
Movimento. Fui, gostei e fiquei…”
[Abra-se um parênteses para referir que a
Escola do Movimento é um grupo formado há quatro anos com origem na
antiga escola de atletismo do CDUP que cessou a actividade por falta de
apoios camarários e dificuldades de utilização da pista por parte de
jovens não universitários. “Com base num protocolo
com o Gabinete de Atletismo da Faculdade de Desporto, do Porto, criámos
a Escola do Movimento, nome que pretendeu homenagear o falecido
professor Robert Zotko”, explica Branco Lima, um dos responsáveis do
grupo, juntamente com Filipe Conceição e Pedro Guimarães. “Temos cerca
de 80 atletas inscritos e treinamos na pista (de 4 corredores) da
Faculdade e no espaço coberto para saltos que lá existe. Cada atleta não
tem um treinador mas um grupo de treinadores e de alunos da Faculdade
que o orientam.”]
Rapidamente Carlos Nascimento deu nas
vistas. Mas acabou por exceder as expectativas. A 28 de Março, correu os
80 m em 9,17, mas com vento de +2,8 m/s. O recorde nacional de iniciados
estava em 9,0 manuais (correspondente a 9,24 electrónicos). A 2 de Maio,
na pista da Maia, repetiu os 9,17 mas então já sem vento. “Da primeira
vez não fazia ideia que era recorde mas, depois, já ia informado…”,
recorda. Duas semanas depois ganhou a final nacional do Olímpico Jovem,
em Albufeira, com 9,00 mas vento a mais (+3,0 m/s). Faria depois
homologáveis 9,24 e, entretanto, ganhou o Campeonato Jovem do Norte, com
31,53 aos 250 m (tem 30,70 como melhor) e 6,45 (mas +4,7 m/s de vento)
no comprimento. “Claro que gostaria de, um dia, ser internacional e
entrar nas grandes competições. É para isso que treino…” Fá-lo, para já,
apenas duas vezes por semana, frequência que aumentará na próxima época,
quando for juvenil.
“Ele é
muito discreto mas integrou-se no grupo”, conta Branco Lima, um dos
responsáveis do clube. “Nos primeiros tempos não tinha a noção do seu
valor como atleta, mas o recorde que bateu trouxe-lhe uma motivação
acrescida”, acrescenta. Um jovem a seguir com atenção…
Nome: CARLOS NASCIMENTO
Local/data de nascimento:
Matosinhos, 12-10-1994 (14 anos)
Clube: Escola do Movimento (desde
2009)
Treinador: Eduardo Seixas (com a
colaboração de Branco Lima, Filipe Conceição e Pedro Guimarães)
Recordes pessoais (2009): 80 m –
9,17; 100 m – 11,51; 150 m – 18,08; 250 m – 30,70
Palmarés:
- Vencedor do Olímpico Jovem (80 m – inic.)
em 2009
- Recordista nacional de 80 m (iniciados)
– 9,17 (2009)
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Abril 2009
-
José Moreira (Cyclones A.C.)
Maratonista surpresa a
caminho de Berlim
De ilustre desconhecido (ou quase) para
o Campeonato do Mundo, após duas maratonas e largos progressos. Tem 29
anos, vive em S. João da Madeira, trabalha num armazém, foi campeão
nacional de 10000 m em 2004 e está a viver um sonho
José
Moreira foi quarto na Maratona de Hamburgo, em Abril, com 2h 14m 57s,
mínimo para o Mundial de Berlim caso houvesse equipa para a Taça do
Mundo, a realizar conjuntamente. Quando Luís Feiteira e Fernando Silva
conseguiram mínimos na Maratona de Praga, no último dia do prazo (10
Maio), o atleta do Cyclones passou a ter boas hipóteses de selecção, as
quais se confirmaram no dia seguinte. É o culminar (para já) de uma
longa carreira, passada quase no anonimato de que nem saiu quando se
sagrou campeão nacional de 10000 metros em 2004, numa prova sem
primeiros planos e ganha acima dos 30 minutos (30.01,31).
O atletismo surgiu por volta dos seus 6/7
anos, por iniciativa de um entusiasta da sua terra, Manuel Rodrigues,
que procurava miúdos que gostassem de correr e os inscrevia pelo
Ribeirinhos de S. João da Madeira, o seu primeiro clube. Ao fim de uns
dois anos o clube acabou e todos se transferiram para a Sanjoanense.
“Comecei a fazer corridas de estrada para miúdos. Era quarto/quinto,
recebia medalhas, depois comecei a ganhar uma ou outra prova que dava
taças e fui-me entusiasmando.” O jovem José Moreira
foi crescendo e, como júnior, chegou a ser vice-campeão nacional de 3000
m em pista coberta. Seguiu-se o Campismo e, depois, a ACR de Vale
de Cambra, clube que representou até 2005, ano em que foi 18º no
Nacional de Corta-Mato (longo) – a sua melhor classificação de sempre –
e ingressou no Joane. Seguiu-se, no ano seguinte, o Cyclones, clube de
Manuela Machado, que continua a representar.
A época passada nem correu bem, devido a
um princípio de hérnia inguinal. Chegou a colocar-se a hipótese de
operação, mas optou-se pelos tratamentos e pela recuperação através de
exercícios adequados. Recuperado, ele e o treinador, Paulo Ferreira,
começaram a pensar na hipótese de correr uma maratona. “Aumentámos o
volume de treino, para ver o que dava, e fui a Bilbao, em Novembro. As
coisas correram bem, acabei à vontade, pronto para outra, em quinto
lugar, com 2h 22m 12s.” Ficou desde logo planeada
outra maratona para a Primavera. Entretanto, fruto do trabalho
efectuado, os recor-des pessoais começaram a cair: 29.37,06 aos 10000 m
(antes: 29.49,1 em 2007) e 1.04.56 na meia-maratona, na Póvoa de Varzim
(antes: 1.05.35 em Ovar’2005).
E, no passado mês de Abril, com uma
pequena ajuda de Manuela Machado para a deslocação (a estadia foi paga
pela organização), José Moreira foi à Maratona de Praga, acompanhado
pelo treinador, que pagou a sua deslocação. “Eu não pensava fazer menos
de 2h 20m mas o meu treinador insistia em 2h 17m/2h 18m. E levava os
tempos de passagem no braço para esse tempo. Passei à meia em 1h 07m 59s
e, aos 30 km, como me sentia bem, o meu treinador disse-me para deixar
de ligar aos tempos. Passei vários atletas e acabei por fazer menos um
minuto na segunda metade, terminando ao sprint, à vontade. Nem sabia que
havia sido quarto, pensava que estava pior. Só foi pena haver prémios
apenas para os três primeiros…”
Depois, com mínimo para a equipa da Taça
do Mundo (caso houvesse pelo menos três atletas com mínimos à maratona),
teve que esperar que houvesse mais dois atletas a consegui-los. “Passei
a manhã do dia da Maratona de Praga na net, a ver os tempos. E a torcer
para que o Luís Feiteira e o Fernando Silva fizessem mínimos…”
Agora,
vai começar a preparar a maratona do Mundial, “um sonho”. “Vou dar o
máximo e o objectivo será obter a melhor classificação possível e
melhorar o meu tempo. Pela forma como terminei em Hamburgo, penso que
será viável…”, conclui o atleta de S. João da Madeira, empregado num
armazém de uma empresa de artes gráficas que, para treinar, se levanta
três dias na semana às seis um quarto da manhã, entrando depois às oito
ao serviço e voltando a treinar às seis da tarde. É assim há muitos
anos…
Nome: JOSÉ Carlos MOREIRA
Local/data de nascimento: S. João
da Madeira, 5-5-1980 (29 anos)
Clubes: Ribeirinhos de S. J.
Madeira, Sanjoanense (até 1998), Campismo (1999 e 2000), ACR Vale de
Cambra (2001 a 2005), NA Joane (2006), Cyclones AC (desde 2007).
Treinador: Paulo Ferreira
Principais classificações nacionais:
campeão nacional de 10000 m (2004); vice-campeão nacional de
juniores de 3000 m – p. cob. (1998); 14º no Nacional de Estrada (2009);
18º no Nacional de Corta-Mato (2005).
Recordes pessoais: 800 m – 1.57,43
(2005); 1500 m – 3.56,26 (2005); 3000 m – 8.19,02 (2007); 5000 m –
14.19,66 (2004); 10000 m – 29.37,06 (2009); meia-maratona – 1.04.56
(2009); maratona – 2.14.57 (2009).
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Março 2009
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Sara Esteves (CA Mazarefes)
Da meningite aos seis
anos
aos pódios como juvenil
Ainda juvenil, foi vice-campeã de Portugal de pista
coberta. Foi a 10ª vez em que foi segunda em Campeonatos Nacionais e
Olímpicos Jovens. Só ganhou uma vez…
Vice-campeã
de Portugal absoluta este inverno, nos 60 metros em pista coberta, Sara
Esteves, atleta juvenil do Centro de Atletismo de Mazarefes, próximo de
Viana do Castelo, teve uma infância difícil. Aos seis anos esteve algum
tempo no hospital, com uma meningite. E foi por recomendação médica que
começou a praticar desporto. Conhecia um dos treinadores de atletismo da
Associação Desportiva e Cultural de Anha, tinha lá várias colegas de
escola e foi aí que se iniciou, como benjamim. “Fazíamos essencialmente
jogos, era mais um atletismo a brincar, nada a sério, e, desde logo,
comecei a ganhar e a gostar”, conta ela. O seu actual treinador, Joel
Maltez, que a começou a orientar no seu primeiro ano de infantil,
recorda-a como uma miúda bastante alta para a idade mas bastante fraca e
totalmente descoordenada. “Tivemos que treinar essencialmente a sua
coordenação básica”.
A primeira época mais a sério foi a de
2006, como iniciada de primeiro ano. E foi com grande surpresa, recorda,
que foi segunda no comprimento do Olímpico Jovem. “Fiz 5,01 e nem queria
acreditar. Subi ao pódio a chorar de alegria!... Eu já ganhava as provas
distritais, em Viana do Castelo, mas não me imaginava num pódio a nível
nacional. Admitia que o pudesse eventualmente conseguir na velocidade –
fui também segunda nos 80 m – mas não no comprimento…”
Comprimento que continua a ser a sua especialidade
favorita. “Do que mais gosto é de saltos – comprimento e, depois,
triplo – embora seja melhor na velocidade”.
Esses segundos lugares do Olímpico Jovem
de 2006 foram os primeiros de uma série enorme: três em Olímpicos Jovens
e sete em Campeonatos Nacionais (juvenis, juniores e absolutos). “Só
ganhei uma vez, no triplo do Olímpico Jovem do ano passado. “Às vezes
vou com medo para as provas, falta-me acreditar mais em mim, preciso de
encarar as provas de outra maneira. Admiro muito a Eva Vital e a Filipa
Martins e não me consigo ver como elas. Preciso de ganhar confiança para
chegar ao ouro…”
Este ano, Sara Esteves tem dois sonhos:
chegar aos seis metros no comprimento e ir ao FOJE (Festival Olímpico da
Juventude Europeia), em Julho, em Tampere, na Finlândia. “Podemos fazer
uma excelente equipa de 4x100 m – a Eva, a Filipa, eu e mais uma quarta
atleta”. Mas Sara Esteves também quer chegar ao ouro no Nacional de
Juvenis (“e não mais uma vez à prata…”) e não esquece também as
competições colectivas do seu clube. “Somos um pequeno clube, mas onde
todos – dos atletas e treinadores aos dirigentes – nos apoiamos muito
uns aos outros. No ano passado fomos 12ªs no Nacional de Juvenis e esta
época seria bom ficarmos entre as dez primeiras equipas. E vamos também
ao Nacional de Clubes, embora com uma equipa bastante jovem.”
Aluna do 11º ano da Escola Secundária
Henrique Medina, em Esposende (quer seguir psicologia), Sara Esteves
diz-se uma aluna média. “Sou aluna de 12. Dá para ir passando sem
grandes problemas, mas não gasto muito tempo a estudar, prefiro fazer
outras coisas, como estar com os amigos, o namorado (também atleta), a
família. “Eles dão-me muito apoio”, salienta.
Já
Joel Maltez, o treinador, refere a sua humildade. “Qualquer treinador
gostaria de ter atletas como a Sara, muito humilde, com a cabeça no seu
lugar.”
Sara Esteves treina quatro vezes por semana, ao fim da
tarde.
Mazarefes, onde treina, dista cerca de 24 km de
Esposende, onde reside, mas muitas vezes é o próprio treinador ou um
dirigente do clube que a transporta. “Existem fortes laços a ligar-nos
neste clube, que nada mais tem para dar aos seus atletas”, realça o
treinador, também ele cem por cento amador…
Nome: SARA
ESTEVES
Local/data de
nascimento: Viana do Castelo, 24-8-1992 (16 anos)
Clubes: ADC
Anha (2002 a 2005) e CA Mazarefes (desde 2006)
Treinador: Joel
Maltez (desde 2005)
EVOLUÇÃO
60M 100M 200M 60B/76 ALT.
COMP.
TRIPLO
2004
Inf. 8,62
2005
8,36
4,74
2006 Inic.
8,35pc 13,38 27,99 10,78pc
5,34
2007 9,29pc 12,85 27,71 10,32pc
1,46 5,32 11,22
2008 Juv.
7,91pc 12,42 25,83 9,23pc 1,49
5,62 11,72
2009 7,64pc 25,93pc
8,94pc 1,50pc 5,49pc 11,97pc
Outras marcas como
iniciada (2005): 80 m – 10,55; 250 m – 37,2; 80 bar. – 13,14; heptatlo –
3413.
Outras marcas como
juvenil: heptatlo – 3949 (2008); pentatlo (pc) – 3220 (2009)
PRINCIPAIS
CLASSIFICAÇÕES
(CP – Campeonato de
Portugal; CNJn – Camp. Nac. Juniores; CNJv – Camp. Nac. Juvenis; OJ –
Olímpico Jovem; TTJov – Triatlo Técnico Jovem; pc – pista coberta)
2006 (inic.):
CNJv – 2ª (comp.) ; OJ – 2ª (80m/comp.)
2007 (inic.): OJ – 2ª
(comp.) e 3ª (80m/80b.); TTJov. (pc) – 2ª
2008 (juv.): CNJv -
2ª (100m/200m/triplo); OJ - 1ª (triplo) e 3ª (100m)
2009 (juv.): CP(pc) –
2ª (60m); CNJn (pc) – 2ª (60m/60b) e 3ª (triplo); TTJov. (pc) – 1ª
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Fevereiro 2009
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Rui Pinto (UD Várzea)
Corrida venceu
futebol...
Ex-médio
de uma equipa jovem de futebol de Felgueiras, o juvenil Rui Pinto,
recordista nacional de 1500 m (pista coberta) e campeão nacional de
corta-mato, optou há dois anos pelo atletismo e, agora, não tem dúvidas:
“sou melhor no atletismo que no futebol”. E não esconde o sonho: “ser
campeão olímpico de 1500 metros!”
Tinha 14
anos quando, na sequência de várias vitórias em campeonatos escolares,
seguiu as pisadas de um colega de escola que já praticava atletismo na
União Desportiva da Várzea e com ele se apresentou no clube. Não mais
deixou a modalidade. “Eu ganhava a nível da escola e regional. No
Nacional Escolar fiquei nesse ano entre os 30 primeiros mas no ano
seguinte, só com três meses de treino, já fui terceiro.” Além disso, no
futebol não tinha quem o levasse aos treinos e no atletismo o treinador,
Carlos Mendes, com uma carrinha, vai buscar os atletas…
Rui Pinto
começou a dar nas vistas há apenas um ano. Foi vice-campeão nacional de
juvenis, atrás de José Costa. Depois, na pista, foi segundo no Km Jovem,
terceiro no Olímpico Jovem (3000 m), campeão nacional de juvenis e
juniores (3000 m). Terminou a época com marcas como 1.56,76 aos 800 m,
3.54,86 aos 1500 m, 8.33,29 aos 3000 m. Continuou juvenil este ano e,
depois de se sagrar campeão nacional de juniores de 1500 e 3000 m
(derrotando José Costa), bateu o recorde nacional de juvenis de 1500 m
(tudo em pista coberta), com 3.53,87, ganhando a série secundária do
Campeonato de Portugal. Uma semana depois, sagrava-se folgado (19
segundos de vantagem) campeão nacional de corta-mato (juvenis). Um
início de carreira bem promissor.
Rui Pinto
estuda no 10º ano (informática) e confessa ser apenas um “razoável
aluno”. O pai trabalha em França (mas vem todos os 15 dias a Portugal) e
ele treina diariamente numa “pista” de terra batida, enquanto a pista
sintética de Felgueiras não chega (está prevista para antes deste
Verão). Tem Rui Silva como ídolo e, embora sem ter recebido ainda
convites de outros clubes, gostaria de os ter do Maratona ou Sporting…
Nome:
RUI PINTO
Local/data de nascimento: Felgueiras,
18-11-1992 (16 anos)
Clube:
UD Várzea (desde 2007)
Treinador: Carlos Mendes (desde 2007)
Principais classificações:
- 2008:
Campeão nacional de juniores de 3000 m (2º nos 1500 m) e de juvenis de
3000 m; vice-campeão nacional de juvenis (corta-mato), 2º no Km Jovem e
3º no Olímpico Jovem (3000 m).
- 2009:
Campeão nacional de juniores (pista coberta) de 1500 e 3000 m; campeão
nacional de juvenis de corta-mato.
Recordes:
recordista nacional de juvenis de 1500 m (p. cob.)
EVOLUÇÃO
800 M 1000 M
1500 M 3000 M
2007 (inic.) 2.04,95 2.46,09
4.12,07 -
2008 (juv.) 1.56,76 2.34,67
3.54,86 8.33,29
2009 (juv.) - 2.32,50pc
3.53,87pc 8.42,77pc
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Janeiro 2009
-
Diogo Ferreira (JOMA)
Recordista júnior da vara
com o tio a inspirá-lo
Sobrinho de Gonçalo
Pacheco, varista do Gira Sol, apostou este ano no salto com vara e já
bateu o recorde nacional de juniores de pista coberta. Agora quer chegar
aos 5,00 e ao mínimo para o Europeu…
No
último dia de Janeiro, Diogo Ferreira, atleta do JOMA, bateu o recorde
nacional de juniores de salto com vara (pista coberta), com 4,87, mais
31 centímetros que a marca com que terminara a época passada. A aposta
na “transferência” para a Escola de Salto com Vara liderada por Raposo
Borges no Estádio Universitário de Lisboa começava a ser ganha.
Para Diogo Ferreira, o
atletismo começou aos 12 anos, na escola onde estava e através do prof.
José Uva, que seria o seu primeiro treinador. “O professor dava aulas na
escola e criou um Atelier de Atletismo”, recorda o atleta. “Aderi e,
passado algum tempo, o professor perguntou-me se eu queria ir a um
treino do JOMA na pista do Real de Massamá. Fui, gostei e… fiquei.”
Antes, Diogo Ferreira praticara karaté, equitação, futebol e natação.
Acabou por ficar no atletismo, primeiro fazendo um pouco de tudo
(“entrei em triatlos, Atletas Completos”), depois dedicando-se mais às
barreiras. “Era a especialidade de que mais gostava”. Até que, já como
iniciado de segundo ano (2005), experimentou o triplo. “A minha primeira
prova foi no Regional de Iniciados, em Mafra. Ganhei com 13,95, tenho lá
o filme da prova, feito pelo meu pai, mas a marca nunca foi homologada,
não sei porquê”, recorda. Efectivamente, a marca consta como duvidosa
nos rankings federativos. Diogo Ferreira fez uma outra de 12,78 nesse
ano e progrediu para 13,87 no seguinte, chegando a vice-campeão nacional
de juvenis. Passou os 14 metros (14,33) em 2008 (vice-campeão nacional
de juniores) e já melhorou este ano para 14,47 sagrando-se campeão
nacional de juniores de pista coberta.
O salto com vara
chegara entretanto no seu primeiro ano como juvenil. “Um amigo meu já
experimentara na escola de salto com vara do Estádio Universitário e um
dia fui com ele. Gostei da experiência e do ambiente e fiquei. Passei a
lá ir duas ou três vezes por semana, treinando nos outros dias em
Massamá.” Os progressos foram rápidos: 3,50 nesse ano, 4,10 em 2007 (vice-campeão
de juvenis), 4,56 em 2008 (campeão de juniores), 4,87 neste início de
época de pista coberta. “No final da época passada, já um pouco saturado
dos treinos na pista de Massamá, onde me sentia muito só, falei com o
prof. Uva e passei a treinar sempre na Escola de Vara do Universitário.
O meu tio, Gonçalo Pacheco (irmão da minha mãe), atleta do Gira Sol
[recorde pessoal: 4,60 em 2005], incentivou-me bastante. Continuo a
gostar de triplo, mas a prioridade, agora, é a vara.” Um primeiro
objectivo – o recorde nacional júnior de pista coberta (era de 4,85 e
pertencia a Hugo Serra) – já foi conseguido. “Foi mais cedo do que
contava. Agora, quero chegar aos 5,00 e fazer o mínimo para o Europeu de
Juniores (5,00).” Se o conseguir, terá batido o recorde júnior de ar
livre de Edi Maia (4,95), agora seu companheiro de treino.
“É muito aplicado nos
treinos, nunca falta e confia muito no treinador”, diz Raposo Borges,
seu treinador. “Acredito que será um bom saltador a nível nacional e o
primeiro júnior acima dos cinco metros. Seria o sétimo varista a passar
esta altura em 14 anos de Escola de Salto com Vara.” Para Diogo
Ferreira, aluno (médio) do 12º ano da Escola Stuart Carvalhais, em
Massamá, que quer seguir educação física e ser treinador de atletismo,
Raposo Borges é mais que um treinador. “É um amigo muito chegado, que me
tem ajudado bastante.”
O atleta
não esquece também os pais.
“Apoiam-me muito e
nunca faltam a uma prova minha, de norte a sul do país”, acrescenta.
Nome: DIOGO Miguel Pacheco FERREIRA
Local/data de nascimento: Queluz, 30-7-1990 (18
anos)
Clube: JOMA (desde 2002)
Treinador: José Uva (até 2008) e Raposo Borges
(desde 2008-09)
EVOLUÇÃO
VARA TRIPLO
2005 - 12,78
2006 3,50 13,87
2007 4,10 13,40
2008 4,56 14,33
2009 4,87 14,47
Outras marcas: comp. – 6,30 (2008); 100 bar.
(inic.) – 15,61 (2005); 300 bar. (inic.) – 45,69 (2005);
60 bar. (inf.) – 10,50 (2003); comp. (inf.) – 4,80 (2003).
CLASSIFICAÇÕES EM CAMPEONATOS NACIONAIS
(T – triplo; V – vara; * - em pista coberta)
JUV. JUN.
S23
CP
2005 (inic.) 6º T
- -
-
2006 (juv.) 2ºT/7ºV 8º T
- -
2007 (juv.) 2ºV/3ºT 6ºV/7ºT
- -
2008 (jun.) -
1ºV/2ºT 2ºV*/3ºT* 7ºV*/4ºV
2009 (jun.) -
1ºV*/1ºT* 2ºV*/3ºT* -
Nota: em 2005 foi ainda 4º no comprimento do Olímpico
Jovem (iniciados)
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MARCOS CHUVA (SL BENFICA)
PRIMEIRA REVELAÇÃO... BENFIQUISTA
Ao
fim de 27 anos de uma iniciativa que vem desde a origem da Revista
Atletismo, um atleta do Benfica foi votado pela primeira vez como
Revelação do Ano. Marcos Chuva, saltador que se aproximou a três
centímetros do recorde nacional de juniores do comprimento que Nelson
Évora detém com 7,83 e que registou também excelentes progressos nos 110
m barreiras (13,98 com barreiras de 1m, 14,46 com as de 1,06), foi
eleito, por larga margem, Revelação do Ano 2008.
Mais um produto da Escola Salesiana de
Manique e do prof. Fernando Pereira, Marcos Chuva foi Revelação do Mês
em Junho de 2006 (apresentado na Revista de Agosto de 2006). Ingressou
no Benfica no final dessa época e em 2007 já progredira de 7,05 para
7,45 no comprimento e chegara a 14,38 com as barreiras de 1 m.
Vencedor dos 110 m barreiras e do salto em
altura (com 1,95) nos Jogos da FISEC em 2005, Marcos Chuva não teve o
mesmo sucesso no Mundial de Juniores deste ano, ao ficar-se pelos 6,73
(12º lugar) na final do comprimento. Foi o ponto negativo de uma
excelente época, com recordes pessoais no comprimento de 7,58 no Meeting
de Lisboa e 7,80 (e 7,77) no Meeting de Manheim, na Alemanha. Foi ainda
surpresa nas barreiras da I Divisão, ao ganhar com 14,46.
Marcos Chuva sucede a
Carlos Calado (1993) e Rafael Gonçalves (1996) como saltador Revelação
do Ano. Assim tenha tanto êxito como eles na carreira…
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AS REVELAÇÕES ANO A ANO
1982 Fernanda Ribeiro Kolossal
1983 Luís Barroso Zona Azul
1984 Alberto Jorge CDUP
1985 Lucrécia Jardim Moitense
1986 Teresa Machado Galitos
1987 João Junqueira Salgueiros
1988 Mónica Gama F.C. Porto
1989 Susana Feitor C.N. Rio Maior
1990 Cristina Morujão Estarreja
1991 Natália Moura G.C. Chaves
Vasco Santos CIPA
1992 Rui Barros Sporting
1993 Carlos Calado C.N. Rio Maior
1994 José Ramos Maratona
1995 Luís Feiteira Sporting
1996 Rafael Gonçalves Ovarense
1997 Filipe Ventura individual
1998 João Pires Constantim
1999 Patrícia Lopes JOMA
2000 Ricardo Alves Tramagal
2001 Marco Fortes Sporting
2002 Ricardo Pacheco Sporting
2003 Milton Dias JOMA
2004 Patrícia Mamona JOMA
2005 António Vital Silva FC Porto
2006 Tiago Rodrigues FC Porto
2007 Sara Moreira Estreito
2008 Marcos Chuva Benfica
2009 José Moreira Cyclones
2010 Ruben Miranda
Benfica
2011 Elisabete Silva
Operário
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