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Maio 2008
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Filipa Martins (JOMA)
Produto do Mega Sprint
com apoio de Carla
Tavares
Praticamente
desconhecida ainda há uns meses, Filipa Martins fez sensação no Olímpico
Jovem, ao ganhar os 100 metros com 12,13 e ao fazer depois, em Lisboa,
24,66 nos 200 metros, marca que apenas a recordista Lucrécia Jardim
superou enquanto juvenil (24,05). Esta é apenas a sua segunda época de
atletismo federado.
Nascida em Ponta Delgada (Açores), há 15
anos, mas no Continente desde os cinco, Filipa Martins foi viver para
Sobreda, junto à pista de atletismo de Almada, onde agora treina. “Mas,
na altura, nunca me passou pela cabeça vir a utilizá-la”, explica. Só
anos mais tarde, quando já vivia no Pragal, se dedicou à modalidade.
Foi na escola que se iniciou no atletismo.
Fazia ginástica rítmica, mas faltava-lhe a competição. Começou a correr
(e a ganhar) provas de corta-mato e de velocidade. E, há dois anos, foi
ao MegaSprint, chegando à final nacional. “Mas depois não cheguei à
final, as outras treinavam em clubes e eu não…” Quem
reparou nela foi António Sebastião, treinador por cujas mãos já passaram
alguns dos melhores atletas nacionais. No início da época passada
ingressou no JOMA, onde já estava a sua principal companheira de
treinos, Carla Tavares. “Ela tem sido muito importante para mim”,
salienta. “Puxa por mim, motiva-me…”
Filipa Martins não encontra explicação
para tão rápidos progressos. Há um ano, ainda iniciada, correra os 100 m
em 12,87 e saltara 4,92 em comprimento. “Mas tive que deixar de saltar,
pois ficava com canelite, umas fortes dores nas canelas…” Foi então
segunda nos 80 metros do Olímpico Jovem, atrás de Eva Vital, a quem este
ano ganhou nos 100 m (juvenis). “Não sei explicar os meus progressos.
Foi tudo tão rápido. Talvez a dedicação ao treino, o trabalho do prof.
António Sebastião e do fisioterapeuta José Urbano, o incentivo da Carla
Tavares…”
Aluna do 9º ano da Escola Fernão Mendes
Pinto (quer seguir a área da saúde, provavelmente fisioterapia), Filipa
Martins é uma aluna razoável. “Vou passando sem problemas. Mas é difícil
ter grandes notas, com os treinos…”
Não sabe dizer qual a
distância preferida. “São provas totalmente diferentes. A dos 100 m tem
mais pressão, os 200 m faço-os mais descontraída. Mas gosto das duas…”
Para esta época, tinha como objectivo alcançar os mínimos para o Mundial
de Juniores (11,90 e 24,50). Para o futuro… “claro que gostaria de me
tornar uma grande atleta. E qual o atleta que não tem como ambição
máxima chegar aos Jogos Olímpicos? Mas ainda falta muito…”
Nome: FILIPA
MARTINS
Local/data de nascimento: Ponta
Delgada, 13-12-1992 (15 anos)
Clube: JOMA (desde 2007)
Treinador: António Sebastião
Marcas em 2007 (inic.): 80 m –
10,39; 100 m – 12,87; comprimento – 4,92
Marcas em 2008 (juv.): 100 m –
12,13; 200 m – 24,66
Classificações em provas nacionais:
Olímpico Jovem – 2ª em 2007 (80 m); 1ª em 2008 (100 m); Nacional de
Juvenis – 6ª em 2007 (100 m); Nacional de Juniores – 1ª (200 m) e 5ª
(100 m) em 2008.
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Abril 2008
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Alexander Zinchenko (Sporting)
Do andebol para o
atletismo
para estudar nos «States»
Filho dos antigos
lançadores olímpicos Vladimir Zinchenko e Valentina Fedyushina, começou
a praticar atletismo na época passada (para obter uma bolsa numa
universidade americana) e já chegou aos 18,02 com o peso de 6 kg

Alexander Zinchenko
tem uma curta história como atleta. É filho de dois dos principais
atletas olímpicos da Ucrânia: Vladimir Zinchenko, quinto nos Mundiais de
1987 e 1993, com 68,88 no disco (e 19,47 no peso); e Valentina
Fedyushina, presente nos Jogos Olímpicos de 1988, 1992 e 1996 (nestas
duas vezes chegando à final, sendo 12ª), medalha de bronze no Europeu de
pista coberta de 1996, com 21,08 ao ar livre e 21,60 em pista coberta
como melhor no peso. Hoje, ele é dono de uma oficina de automóveis e é
treinador nos tempos livres e ela é empresária de atletismo.
Curiosamente, depois de brincar ao atletismo ainda pequeno, foi o
andebol que o jovem Alexander escolheu como modalidade. Durante cinco
anos esteve nas camadas jovens do Sporting, chegando a vice-campeão
nacional de juvenis e, com idade de juvenil, a integrar a equipa de
juniores. Até que começou a sonhar com a possibilidade de conseguir uma
bolsa de estudo numa universidade americana e resolveu dedicar-se ao
atletismo. No ano passado, ainda não federado, apareceu no final da
época a lançar 13,13 no peso e 44,74 no disco, em Leiria. Este ano, já
filiado no Sporting, cedo começou a dar nas vistas, chegando aos 15,24
em Janeiro e aos 15,38 em Março. E, em Abril, na estreia com o peso de 6
kg, lançou logo 18,02, mínimo para o Mundial de Juniores. “Não esperava
nada lançar tanto. Agora, o objectivo é chegar à final no Mundial, na
Polónia”, afirma o atleta, de 18 anos, nascido na Ucrânia (então União
Soviética) e que optou pela nacionalidade austríaca quando a mãe também
se naturalizou. “Naturalizei-me para ter um passaporte da União
Europeia”, explica. “Só conheço a Áustria por ter lá passado duas
semanas de férias…”
Os progressos
explica-os pela carga de treino que fez no primeiro ano. “Depois, com a
técnica que aprendi, surgiram os resultados…” Resultados que, espera,
serão determinantes na entrada na Universidade de Harvard. “Saberei se
entro no final de Junho”, afirma o atleta, que terminou agora o 12º ano
na Escola Alemã de Lisboa e quer estudar gestão e management.
Até lá, com mais tempo
livre, intensifica os treinos. “Treino sob a orientação do meu pai no
Estádio Nacional mas outras vezes faço-o ao pé de casa, onde tenho boas
condições, desde ginásio a sauna”, explica. E tem como grande amigo e
companheiro de treino nada menos que o recordista nacional Marco Fortes.
“É uma sorte para mim, tão jovem, ter como colega de treino um atleta do
nível dele. Sinto-me inspirado e ele dá-me grande apoio. Só lhe desejo
toda a sorte para os Jogos de Pequim”, afirma Zinchenko, retribuindo
assim as palavras de incitamento que Marco Fortes lhe dirigiu aquando da
entrevista que deu a esta Revista em Março passado.
Amante da guitarra –
chegou a ter aulas mas diz só tocar para os amigos em ocasiões especiais
–, não perde a oportunidade de jogar “futebol de rua” sempre que pode.
“Desde criança que gosto de jogar e tenho alguma habilidade”, afirma
este jovem com… 1,97 m de altura e 112 kg de peso.
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QUEM É QUEM
Nome:
ALEXANDER ZINCHENKO
Local/data de
nascimento: Zaporizhya (Ucrânia), 8-9-1989 (naturalizado
austríaco em 2000)
Altura/peso:
1,97 m /112 kg
Clube:
Sporting (2008)
Treinador:
Vladimir Zinchenko
Recordes
pessoais: peso – 15,49 (2008); peso/6 kg – 18,02 (2008); disco –
45,46 (2008). Em 2007 (como individual): 13,13 e 44,74 |
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Março 2008
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Carlos Vicente (Individual)
«Só agora penso
em altos voos…»
Martelista das
Caldas da Rainha, ex-júnior, é já o sétimo português de sempre mas só
depois de ir ao Mundial de Juniores (em 2007) e à Taça da Europa de
Lançamentos (este ano) começou a sonhar…
Ao
lançar a 64,01 na recente Taça da Europa de Lançamentos, o martelista
Carlos Vicente registou progressos superiores a seis metros
relativamente aos 57,76 da época passada, sendo já o sétimo português de
sempre na especialidade. Isto aos 19 anos (completa os 20 apenas no
final do ano e por três dias não é ainda júnior). Tudo começou há uns
sete anos, na Foz do Arelho, onde ainda reside. A autarquia colocou um
técnico de atletismo (Júlio Vieira) para servir os jovens da zona.
“Começámos todos por ir correr mas eu era um bocado pesado e não gostava
muito. Por isso, comecei a fazer lançamentos com um martelo de 2 kg.
Ajeitei-me logo…” A estreia numa competição de infantis foi nas Caldas
da Rainha. “Fiz tudo nulos. Estava a chover e com o nervosismo à
mistura…” Foi terceiro na segunda prova e não mais deixou de lançar,
embora sem ser dos melhores. “Nunca liguei muito e não pensava em altos
voos.”
Fora do martelo,
Carlos Vicente apenas fazia lançamento do peso por brincadeira, em
treinos. Chegou a praticar basquetebol (“era alto mas cansava-me muito
depressa…”) e nunca gostou de jogar futebol.
Duas vezes
vice-campeão nacional de juvenis em 2004 e 2005 (António Vital Silva, da
mesma idade, tapou-lhe a visibilidade…), Carlos Vicente conseguiu os
primeiros títulos nacionais como júnior, em 2005 e 2006, e como sub-23
em 2007 e estreou-se como internacional no Europeu de Juniores do ano
passado, sendo 13º na qualificação, à beira da final. “A certa altura
comecei a interessar-me mais e até treinava a técnica em casa, imitando
o lançamento mas sem martelo. Agora já começo a pensar em altos voos.
Quero ver se chego aos 67 metros esta época e, claro, gostaria muito de,
um dia, ir a uns Jogos Olímpicos…”
Entretanto, estuda no
12º ano (ciências sociais e humanas) da Escola Francisco Rodrigues Lobo,
em Leiria, não tendo ainda escolhido o curso que seguirá: administração
pública, gestão bancária, solicitadoria, são meras hipóteses…
Atleta do Arneirense
ao longo de três anos, deixou o clube no final da época passada (“não
gostaria de falar nisso”, afirma), passando a individual. Foi viver para
Leiria e passou a ser treinado por Paulo Reis, que enaltece o trabalho
desenvolvido pelo seu antecessor, Júlio Vieira. “Fez um excelente
trabalho na Foz do Arelho e tem lá agora um novo valor, Ana Rita
Henriques, já com 52,25 com o martelo de 3 kg”, refere o técnico
nacional de lançamentos, que falou a seguir do seu novo atleta. “É uma
pessoa de bom trato, empenhado naquilo que faz e que se integrou muito
bem no grupo de trabalho, disso tendo beneficiado também a Vânia Silva.
Como atleta surpreendeu-me. Tinha colocado como objectivo para esta
época os 63 metros e ele já os passou. Vamos ver se é possível chegar os
66/67 m este ano… Não é um talento que salte à vista, mas é trabalhador
e, tecnicamente, conseguiu encaixar bem aquilo que são as minhas
ideias”, concluiu.
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QUEM É QUEM
Nome:
CARLOS VICENTE
Local/data de
nascimento: Caldas da Rainha, 28-12-1988 (19 anos)
Clubes: CSR
Foz do Arelho (até 2004), ADCR Arneirense (2005 a 2007), individual
(2008)
Treinadores:
Júlio Vieira (até 2007), Paulo Reis (desde 2008)
EVOLUÇÃO
7,26kg 6kg 5kg 4kg
2003 inic.
- - - 45,91
2004 juv.
- 46,42 56,16 -
2005 - 57,61 68,44 -
2006 jún.
51,19 60,18 - -
2007 57,76 66,95 - -
2008 s23
64,01 - - -
CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS
C.Port. S-23 Jun. Juv. Ol.Jov.
2004
- - - 2º 3º
2005
- - 1º 2º -
2006
- - 1º - -
2007
6º 1º 2º - -
INTERNACIONALIZAÇÕES
- Campeonato da
Europa de Juniores (2007): 13º (qualif.), com 65,91
- Taça da Europa
de Lançamentos (2008): 8º sub-23, com 64,01 |
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Fevereiro 2008
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Diana Soares (Briosos Valboenses)
Sucessora de Carla
Sacramento
como recordista juvenil
Fora
a melhor iniciada da época de 2007 em 800 m (2.16,69) e 1500 m (4.47,40)
e já dera nas vistas nas primeiras provas desta época. Mas foi no
Campeonato de Portugal, no qual foi quinta nos 800 e 1500 m e bateu o
recorde nacional de juvenis da primeira daquelas distâncias, que se
revelou. O recorde era de Carla Sacramento (desde há 20 anos) e a marca,
para uma jovem de 15 anos (2.11,70), promete. Trata-se de Diana Soares,
atleta de um pequeno clube de Valbom (Gondomar), a Associação Recreativa
Briosos Valboenses, agremiação que completará 75 anos em 2009, já teve
atletismo com alguma projecção nas décadas de setenta e oitenta e há
cinco anos regressou, por iniciativa de Manuel Silva, vice-presidente,
treinador e, quando é necessário, também motorista e massagista (com
curso).
Diana Soares
iniciou-se no atletismo no Verão de 2003. Antes, ganhara umas provas na
escola e Manuel Silva, seu vizinho, incentivou-a. Mas o facto de só
poder regressar dos treinos à noite, levou à oposição dos pais. Tinha
então apenas 11 anos. Entretanto, nas férias, por brincadeira, correu
uma prova de estrada, foi segunda e lá conseguiu convencer os
progenitores. Como infantil, correu os 1000 m em 3.08,07 (aos 12 anos) e
2.06,52 (aos 12 anos). Como iniciada, subiu duas vezes ao pódio
(terceiros lugares) dos 800 m do Nacional de Juvenis (2006 e 2007). Mas
nunca esteve no Olímpico Jovem…
Diana sabia que o
recorde de 800 metros pertencia a Carla Sacramento e esse era um
objectivo que tinha. “Corri os campeonatos como essa ideia em mente. Foi
uma alegria para mim e para o meu treinador”, refere a atleta, que
espera esta época, ao ar livre, chegar aos 2.08/2.07, inclusive 2.06.
“Os 800 metros são a minha distância preferida, mas também gosto dos
1500 e dos 3000 m”, acrescenta. Estudante na Escola Carolina Michaelis,
a atleta tem um horário bem preenchido. Levanta-se às seis e meia da
manhã, sai às sete, está na escola até às 17.30 h, vai a uma explicação
e segue para o treino, de onde apenas regressa pelas 21 horas. Os
treinos são à volta do campo de futebol de Valbom, num terreno de terra
batida que se assemelha a uma pista. Sem competições internacionais para
a sua idade esta época, Diana Soares já pensa no Festival Olímpico da
Juventude Europeia e no Mundial de Juvenis de 2009. E, claro, sonha com
as grandes competições, a culminar nos Jogos Olímpicos.
Entretanto, é uma
boa aluna (16/17 valores) do 10º ano, área de desporto. “Não quero ser
professora, mas gostaria de ficar ligada à gestão desportiva ou ser
treinadora”, refere a atleta, muito elogiada pelo seu treinador. “Para
além de muito boa aluna, é bastante dedicada ao treino, cumprindo tudo à
risca. Levanta-se e deita-se a pensar no atletismo…”, salienta Manuel
Silva.
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QUEM É QUEM
Nome:
DIANA Sofia Dias SOARES
Local/data
de nascimento: Porto, 2-8-1992 (15 anos)
Clube:
AR Briosos Valboenses (desde 2003)
Treinador:
Manuel Silva
Evolução:
2004 (inf.):
1000 m – 3.08,07
2005
(inf.): 1000 m – 3.06,52
2006
(inic.): 800 m – 2.20,00; 1500 m – 4.52,44
2007
(inic.): 800 m – 2.16,69; 1500 m – 4.47,40pc
2008
(juv.): 800 m – 2.11,70pc; 1500 m – 4.33,67pc; 3000 m – 9.58,72pc
Principais classificações:
- 3ª
nos 800 m dos Nacionais de Juvenis (2006 e 2007)
- 5ª
nos 800 e 1500 m dos Campeonatos de Portugal de pista coberta (2008)
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Campeã nacional de corta-mato – juvenis (2008) |
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JANEIRO 2008
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Joana Costa (SC Braga)
De Mangualde
para Braga
e para o 6º lugar Europeu
O mês de Janeiro
foi fraco em revelações e daí que tivéssemos optado por recuar a
Dezembro para procurar
os atletas que mais se distinguiram. E, entre esses, sem dúvida que
Joana Costa esteve em foco, ao ser sexta no Europeu júnior de
corta-mato, em Toro (Espanha). A atleta, que na época passada se revelou
nos 800 metros pela Casa do Povo de Mangualde e que entretanto ingressou
no SC Braga, sempre preferiu o crosse. Mas afirma que os 800 metros em
pista lhe fazem subir a adrenalina…
O atletismo começou
aos 11 anos, pela mão do seu treinador até ao início desta época, João
Amaral, que na Casa do Povo de Mangualde também treina António Silva e
Bruno Albuquerque. “Ele conhecia o meu pai e incentivou-o a que me
mandasse para o atletismo. Experimentei, gostei e, embora não passasse
do meio da tabela, fui continuando…”, recorda. Como iniciada chegou a
estar na final nacional do Olímpico Jovem, sendo quarta nos 1500 m. Mas
os primeiros títulos (corta-mato, 800 e 3000 m) e lugares de honra
chegaram como juvenil. Na época passada, voltou a ser campeã nacional de
corta-mato (já como júnior), desistiu no Mundial (disputado nas
dificílimas condições de Nairobi, no Quénia) e acabou o ano sendo sexta
no Europeu. “O sr. João sempre disse que eu tinha qualidades, mas era
muito preguiçosa para treinar, não levava aquilo muito a sério”,
confessa a atleta, agora com 19 anos. “Só no ano passado me convenci que
podia ir longe. Estive lesionada, vi atletas a quem ganhava a fazer boas
marcas e comecei a ter objectivos…” Para esta época, depois de uma lesão
que hipotecou a época de pista coberta (depois de prometedores 2.12,47
aos 800 m a abrir), pretende melhorar os seus tempos, nomeadamente em
distâncias superiores (“penso que serei corredora de 3000/5000 metros”).
E, claro, sonha com os Jogos Olímpicos… de Londres’2012.
Joana Costa, aluna
regular (“não gosto muito de ‘marrar’…”), ingressou este ano lectivo na
Faculdade de Economia do Porto. Entretanto, ingressou no SC Braga e
passou a ser treinada por Sameiro Araújo. Mas já não conseguiu
transferência para a Universidade do Minho. Daí que ande numa roda vive
entre Braga (onde faz treino específico duas vezes por semana), a Maia
(onde estuda e onde treina com Sara Moreira e Pedro Ribeiro) e Mangualde
(onde se desloca aos fins-de-semana quando não tem provas, para ver a
família e os amigos). “Ela é muito empenhada e talentosa – será mesmo,
de entre as atletas da nova geração, das que tem mais potencial”,afirma
a sua nova treinadora, Sameiro Araújo, que não ficou surpreendida com o
sexto lugar no Europeu. “Ela estava ao nível da Jessica, no primeiro ano
desta no Europeu, quando foi oitava júnior. E a Joana até poderia ter
arriscado um pouco mais”, acrescenta a treinadora minhota, que fez
questão em salientar o excelente trabalho de iniciação que João Amaral
lhe fez em Mangualde. “Este seu sexto lugar no Europeu também lhe é
devido em boa parte”, acrescenta.
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QUEM É QUEM
Nome: JOANA COSTA
Local/data de nascimento:
Mangualde, 12-5-1988 (19 anos)
Clubes: CP Mangualde (2000 a
2007) e SC Braga (2008)
Treinadores: João Amaral (até
2007) e Sameiro Araújo (2008)
EVOLUÇÃO
800 m 1500 m
3000 m
2001 inf. 3.19,13*
- -
2002 inic.
2.25,61 5.00,22 -
2003 2.24,49 4.53,16 -
2004 juv.
2.19,25 4.52,89 10.42,47
2005 2.13,32 4.42,46 10.15,77
2006 jun.
2.15,34 4.40,18 -
2007 2.08,00 4.29,45
9.57,72
* em 1000 m
Classificações em competições
nacionais:
CMato
CNJuv. CNJun.
CNs23 O.Jov.
2004 juv.
1ªjv 2ª (15) -
- 2ª (30)
2005 2ªjv 2ª (15) -
- 1ª (8/30)
2006 jun.
4ªjn - 2ª(15)/3ª(8)
- -
2007 1ªjn - 1ª (8)
2ª (15) -
Presenças em competições
internacionais:
- Festival Olímpico da Juventude
Europeia 2005 (5ª el. 800 m)
- Camp. Europa de Juniores 2007 (4ª
el. 800 m)
- Camp. Mundo de Corta-Mato (jun.)
2007 (des.)
- Camp. Europa de
Corta-Mato (jun.) 2007 (6ª)
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SARA
MOREIRA (GD ESTREITO)
Uma
fundista, 19 anos depois...
Portugal
produziu, há cerca de dez anos, duas excelentes fundistas, Mónica Rosa e
Inês Monteiro. Por uma ou outra circunstância, nenhuma delas foi eleita
Revelação do Ano. Aconteceu agora, com Sara Moreira, que assim sucede a
Tiago Rodrigues como Revelação do Ano, a 26ª desde a fundação da
Revista. Curiosamente, a primeira foi Fernanda Ribeiro, completam-se
agora 25 anos (!) – ela tinha na altura apenas 13 anos, tendo sido mesmo
a mais jovem revelação de sempre. Seguiu-se-lhe Mónica Gama, em 1988,
mas teve uma carreira bem mais curta. Foram precisos 19 anos para ser
eleita uma terceira fundista, Sara Moreira, que teve este ano progressos
sensacionais, em especial nos 3000 m obstáculos, que a conduziram ao
terceiro lugar no Europeu de Sub-23, ao quarto nas Universíadas e a um
lugar de finalista no Mundial de Osaca.
Foi apresentada como Revelação do Mês no
nosso último número (estivera prestes a sê-lo em várias votações ao
longo do ano, mas nunca calhou ser a mais votada) e, agora, é a
Revelação do Ano, numa altura em que se apresta para participar no
Europeu de Corta-Mato, sendo uma das candidatas ao pódio da prova de
sub-23.
Refira-se ainda que, no sector masculino,
apenas foram eleitos dois fundistas: João Junqueira em 1987 e José Ramos
em 1994.
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TIAGO
RODRIGUES (FC PORTO)
Ganhou na Taça da Europa
e
derrotou… Rui Silva
Revelação do Mês em
Maio de 2005 (apresentado na Revista nº 284, de Julho desse ano), Tiago
Rodrigues continuou a surpreender este ano. Voltou a ganhar em pista
coberta mas foi ao ar livre que mais sensação causou, ao ganhar os 800
metros na Taça da Europa e ao sagrar-se, em Agosto, campeão de Portugal,
à frente de… Rui Silva, a quem ganhou na recta final, embora seja justo
reconhecer-se o esforço do medalhado olímpico ao longo de toda a
corrida, tentando conduzir o seu adversário ao mínimo (1.47,00) para o
Europeu de Gotemburgo. Tiago Rodrigues não chegou lá.
Ficara muito próximo no Meeting de Madrid (1.47,14) e voltou a
aproximar-se nessa prova de Seia (1.47,65). Este ano, com 21 anos
acabados de fazer, melhorou mais de dois segundos (de 1.49,39 para
1.47,14), sendo já o décimo português de sempre. Daí a votação que
alcançou para ser Revelação do Ano.
Com largo futuro à sua
frente, tanto nos 800 m como (talvez, principalmente) nos 1500 metros,
Tiago Rodrigues esteve nas cogitações de Sporting e Benfica mas acabou
por renovar pelo F.C. Porto por dois anos. Nascido na Póvoa do Varzim, a
19 de Junho de 1985, o atleta, treinado por João Campos, iniciou-se no
CD Póvoa em 2001, transferindo-se no final do ano seguinte para o FC
Porto. A progressão tem sido rapidíssima… tal como a sua ponta final.
Depois de Luís Feiteira (1995) e João Pires (1998), é o terceiro
meio-fundista (curto) a ser eleito Revelação do Ano, iniciativa que esta
Revista mantém desde o primeiro ano de existência, em 1981-82.
EVOLUÇÃO
800
M 1500 M
2002 juv.
- 4.04,66
2003 jun.
1.56,04 3.52,91
2004
1.55,36 3.57,16pc
2005 s23
1.49,39 3.45,46
2006
1.47,14 3.44,42
.
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ANTÓNIO
VITAL E SILVA (F.C. Porto)

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Patrícia Mamona foi a primeira Revelação do Mês deste ano (ver Revista
de Março passado) e confirmou-o ao longo da época, a ponto de ter sido
votada Revelação do Ano. Sucede a Milton Dias, outro atleta do JOMA,
clube de onde provêm três das Revelações dos últimos seis anos.
Com 16 anos há pouco completados (nasceu a 21 de Novembro de 1988),
Patrícia Mamona, filha de angolanos mas nascida em Lisboa, fez uma excelente época.
Apesar de ainda se manter como juvenil em 2005, bateu já os recordes
nacionais de juvenis (cinco vezes) e juniores do triplo, com 12,71, e também liderou os rankings nacionais juvenis de 100 m
barreiras/76 cm (14,62), 400 m barreiras (63,40) e comprimento (5,98),
sendo ainda a segunda melhor na altura (1,69). Foi campeã nacional de
juniores de triplo (12,80 ventosos), 100 m barreiras e comprimento mas
lesionou-se no decorrer do Nacional de Juvenis, na semana seguinte (3 de
Julho), depois das eliminatórias de 80 m barreiras e de ter conseguido
11,97, com vento, no triplo, marca que lhe permitiu ganhar a prova.
Terminou aí a sua época.
Com excelentes notas na escola, Patrícia Mamona quer seguir medicina
e, como todos os atletas, tem um sonho: ser olímpica. Vai no bom
caminho...
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