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01-07-2008 11:59

 
       
 
       
Ultima Edição Artigos Técnicos Revelações do Mês
 
       
   

Ultima Edição

Artigos Técnicos

Revelações do Mês

 

REVELAÇÕES EM 2008

Ø Revelação do Mês / Reebok - Janeiro 08

Ø Revelação do Mês / Reebok - Fevereiro 08

Ø Revelação do Mês / Reebok - Março 08

Ø Revelação do Mês / Reebok - Abril 08

Ø Revelação do Mês / Reebok - Maio 08

 

REVELAÇÕES EM 2007

Ø Revelação do Mês / Reebok - Agosto 07

Ø Revelação do Mês / Reebok - Julho 07

Ø Revelação do Mês / Reebok - Junho 07

Ø Revelação do Mês / Reebok - Maio 07

Ø Revelação do Mês / Reebok - Abril 07

Ø Revelação do Mês / Reebok - Março 07

Ø Revelação do Mês / Reebok - Fevereiro 07

Ø Revelação do Mês / Reebok - Janeiro 07

 

Ø Revelação do Ano 2007/ Reebok

Ø Revelação do Ano 2006/ Reebok

Ø Revelação do Ano 2005/ Reebok

Ø Revelação do Ano 2004/ Reebok

 

 

REVELAÇÃO DO MÊS 

Maio 2008 - Filipa Martins (JOMA)

 

Produto do Mega Sprint

com apoio de Carla Tavares

 

Praticamente desconhecida ainda há uns meses, Filipa Martins fez sensação no Olímpico Jovem, ao ganhar os 100 metros com 12,13 e ao fazer depois, em Lisboa, 24,66 nos 200 metros, marca que apenas a recordista Lucrécia Jardim superou enquanto juvenil (24,05). Esta é apenas a sua segunda época de atletismo federado.

Nascida em Ponta Delgada (Açores), há 15 anos, mas no Continente desde os cinco, Filipa Martins foi viver para Sobreda, junto à pista de atletismo de Almada, onde agora treina. “Mas, na altura, nunca me passou pela cabeça vir a utilizá-la”, explica. Só anos mais tarde, quando já vivia no Pragal, se dedicou à modalidade.

Foi na escola que se iniciou no atletismo. Fazia ginástica rítmica, mas faltava-lhe a competição. Começou a correr (e a ganhar) provas de corta-mato e de velocidade. E, há dois anos, foi ao MegaSprint, chegando à final nacional. “Mas depois não cheguei à final, as outras treinavam em clubes e eu não…” Quem reparou nela foi António Sebastião, treinador por cujas mãos já passaram alguns dos melhores atletas nacionais. No início da época passada ingressou no JOMA, onde já estava a sua principal companheira de treinos, Carla Tavares. “Ela tem sido muito importante para mim”, salienta. “Puxa por mim, motiva-me…”

Filipa Martins não encontra explicação para tão rápidos progressos. Há um ano, ainda iniciada, correra os 100 m em 12,87 e saltara 4,92 em comprimento. “Mas tive que deixar de saltar, pois ficava com canelite, umas fortes dores nas canelas…” Foi então segunda nos 80 metros do Olímpico Jovem, atrás de Eva Vital, a quem este ano ganhou nos 100 m (juvenis). “Não sei explicar os meus progressos. Foi tudo tão rápido. Talvez a dedicação ao treino, o trabalho do prof. António Sebastião e do fisioterapeuta José Urbano, o incentivo da Carla Tavares…”

Aluna do 9º ano da Escola Fernão Mendes Pinto (quer seguir a área da saúde, provavelmente fisioterapia), Filipa Martins é uma aluna razoável. “Vou passando sem problemas. Mas é difícil ter grandes notas, com os treinos…”

Não sabe dizer qual a distância preferida. “São provas totalmente diferentes. A dos 100 m tem mais pressão, os 200 m faço-os mais descontraída. Mas gosto das duas…” Para esta época, tinha como objectivo alcançar os mínimos para o Mundial de Juniores (11,90 e 24,50). Para o futuro… “claro que gostaria de me tornar uma grande atleta. E qual o atleta que não tem como ambição máxima chegar aos Jogos Olímpicos? Mas ainda falta muito…”

 

QUEM É QUEM

 

Nome: FILIPA MARTINS

Local/data de nascimento: Ponta Delgada, 13-12-1992 (15 anos)

Clube: JOMA (desde 2007)

Treinador: António Sebastião

Marcas em 2007 (inic.): 80 m – 10,39; 100 m – 12,87; comprimento – 4,92

Marcas em 2008 (juv.): 100 m – 12,13; 200 m – 24,66 

Classificações em provas nacionais: Olímpico Jovem – 2ª em 2007 (80 m); 1ª em 2008 (100 m); Nacional de Juvenis – 6ª em 2007 (100 m); Nacional de Juniores – 1ª (200 m) e 5ª (100 m) em 2008.

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Abril 2008 - Alexander Zinchenko (Sporting)

 

Do andebol para o atletismo

para estudar nos «States»

 

Filho dos antigos lançadores olímpicos Vladimir Zinchenko e Valentina Fedyushina, começou a praticar atletismo na época passada (para obter uma bolsa numa universidade americana) e já chegou aos 18,02 com o peso de 6 kg

 

Alexander Zinchenko tem uma curta história como atleta. É filho de dois dos principais atletas olímpicos da Ucrânia: Vladimir Zinchenko, quinto nos Mundiais de 1987 e 1993, com 68,88 no disco (e 19,47 no peso); e Valentina Fedyushina, presente nos Jogos Olímpicos de 1988, 1992 e 1996 (nestas duas vezes chegando à final, sendo 12ª), medalha de bronze no Europeu de pista coberta de 1996, com 21,08 ao ar livre e 21,60 em pista coberta como melhor no peso. Hoje, ele é dono de uma oficina de automóveis e é treinador nos tempos livres e ela é empresária de atletismo. Curiosamente, depois de brincar ao atletismo ainda pequeno, foi o andebol que o jovem Alexander escolheu como modalidade. Durante cinco anos esteve nas camadas jovens do Sporting, chegando a vice-campeão nacional de juvenis e, com idade de juvenil, a integrar a equipa de juniores. Até que começou a sonhar com a possibilidade de conseguir uma bolsa de estudo numa universidade americana e resolveu dedicar-se ao atletismo. No ano passado, ainda não federado, apareceu no final da época a lançar 13,13 no peso e 44,74 no disco, em Leiria. Este ano, já filiado no Sporting, cedo começou a dar nas vistas, chegando aos 15,24 em Janeiro e aos 15,38 em Março. E, em Abril, na estreia com o peso de 6 kg, lançou logo 18,02, mínimo para o Mundial de Juniores. “Não esperava nada lançar tanto. Agora, o objectivo é chegar à final no Mundial, na Polónia”, afirma o atleta, de 18 anos, nascido na Ucrânia (então União Soviética) e que optou pela nacionalidade austríaca quando a mãe também se naturalizou. “Naturalizei-me para ter um passaporte da União Europeia”, explica. “Só conheço a Áustria por ter lá passado duas semanas de férias…”

Os progressos explica-os pela carga de treino que fez no primeiro ano. “Depois, com a técnica que aprendi, surgiram os resultados…” Resultados que, espera, serão determinantes na entrada na Universidade de Harvard. “Saberei se entro no final de Junho”, afirma o atleta, que terminou agora o 12º ano na Escola Alemã de Lisboa e quer estudar gestão e management.

Até lá, com mais tempo livre, intensifica os treinos. “Treino sob a orientação do meu pai no Estádio Nacional mas outras vezes faço-o ao pé de casa, onde tenho boas condições, desde ginásio a sauna”, explica. E tem como grande amigo e companheiro de treino nada menos que o recordista nacional Marco Fortes. “É uma sorte para mim, tão jovem, ter como colega de treino um atleta do nível dele. Sinto-me inspirado e ele dá-me grande apoio. Só lhe desejo toda a sorte para os Jogos de Pequim”, afirma Zinchenko, retribuindo assim as palavras de incitamento que Marco Fortes lhe dirigiu aquando da entrevista que deu a esta Revista em Março passado.

Amante da guitarra – chegou a ter aulas mas diz só tocar para os amigos em ocasiões especiais –, não perde a oportunidade de jogar “futebol de rua” sempre que pode. “Desde criança que gosto de jogar e tenho alguma habilidade”, afirma este jovem com… 1,97 m de altura e 112 kg de peso.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: ALEXANDER ZINCHENKO

Local/data de nascimento: Zaporizhya (Ucrânia), 8-9-1989 (naturalizado austríaco em 2000)

Altura/peso: 1,97 m /112 kg

Clube: Sporting (2008)

Treinador: Vladimir Zinchenko

Recordes pessoais: peso – 15,49 (2008); peso/6 kg – 18,02 (2008); disco – 45,46 (2008). Em 2007 (como individual): 13,13 e 44,74

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Março 2008 - Carlos Vicente (Individual)

 

«Só agora penso

em altos voos…»

 

Martelista das Caldas da Rainha, ex-júnior, é já o sétimo português de sempre mas só depois de ir ao Mundial de Juniores (em 2007) e à Taça da Europa de Lançamentos (este ano) começou a sonhar…

 

Ao lançar a 64,01 na recente Taça da Europa de Lançamentos, o martelista Carlos Vicente registou progressos superiores a seis metros relativamente aos 57,76 da época passada, sendo já o sétimo português de sempre na especialidade. Isto aos 19 anos (completa os 20 apenas no final do ano e por três dias não é ainda júnior). Tudo começou há uns sete anos, na Foz do Arelho, onde ainda reside. A autarquia colocou um técnico de atletismo (Júlio Vieira) para servir os jovens da zona. “Começámos todos por ir correr mas eu era um bocado pesado e não gostava muito. Por isso, comecei a fazer lançamentos com um martelo de 2 kg. Ajeitei-me logo…” A estreia numa competição de infantis foi nas Caldas da Rainha. “Fiz tudo nulos. Estava a chover e com o nervosismo à mistura…” Foi terceiro na segunda prova e não mais deixou de lançar, embora sem ser dos melhores. “Nunca liguei muito e não pensava em altos voos.”

Fora do martelo, Carlos Vicente apenas fazia lançamento do peso por brincadeira, em treinos. Chegou a praticar basquetebol (“era alto mas cansava-me muito depressa…”) e nunca gostou de jogar futebol.

Duas vezes vice-campeão nacional de juvenis em 2004 e 2005 (António Vital Silva, da mesma idade, tapou-lhe a visibilidade…), Carlos Vicente conseguiu os primeiros títulos nacionais como júnior, em 2005 e 2006, e como sub-23 em 2007 e estreou-se como internacional no Europeu de Juniores do ano passado, sendo 13º na qualificação, à beira da final. “A certa altura comecei a interessar-me mais e até treinava a técnica em casa, imitando o lançamento mas sem martelo. Agora já começo a pensar em altos voos. Quero ver se chego aos 67 metros esta época e, claro, gostaria muito de, um dia, ir a uns Jogos Olímpicos…”

Entretanto, estuda no 12º ano (ciências sociais e humanas) da Escola Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, não tendo ainda escolhido o curso que seguirá: administração pública, gestão bancária, solicitadoria, são meras hipóteses…

Atleta do Arneirense ao longo de três anos, deixou o clube no final da época passada (“não gostaria de falar nisso”, afirma), passando a individual. Foi viver para Leiria e passou a ser treinado por Paulo Reis, que enaltece o trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, Júlio Vieira. “Fez um excelente trabalho na Foz do Arelho e tem lá agora um novo valor, Ana Rita Henriques, já com 52,25 com o martelo de 3 kg”, refere o técnico nacional de lançamentos, que falou a seguir do seu novo atleta. “É uma pessoa de bom trato, empenhado naquilo que faz e que se integrou muito bem no grupo de trabalho, disso tendo beneficiado também a Vânia Silva. Como atleta surpreendeu-me. Tinha colocado como objectivo para esta época os 63 metros e ele já os passou. Vamos ver se é possível chegar os 66/67 m este ano… Não é um talento que salte à vista, mas é trabalhador e, tecnicamente, conseguiu encaixar bem aquilo que são as minhas ideias”, concluiu.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: CARLOS VICENTE

Local/data de nascimento: Caldas da Rainha, 28-12-1988 (19 anos)

Clubes: CSR Foz do Arelho (até 2004), ADCR Arneirense (2005 a 2007), individual (2008)

Treinadores: Júlio Vieira (até 2007), Paulo Reis (desde 2008)

 

EVOLUÇÃO

                        7,26kg    6kg       5kg         4kg

2003     inic.      -             -           -             45,91

2004     juv.       -             46,42    56,16      -

2005                 -             57,61    68,44      -

2006     jún.       51,19      60,18    -             -

2007                 57,76      66,95    -             -

2008     s23       64,01      -           -             -                

  

CLASSIFICAÇÕES NACIONAIS

             C.Port.  S-23       Jun.      Juv.         Ol.Jov.

2004     -           -             -           2º           3º

2005     -           -             1º         2º           -

2006     -           -             1º         -             -

2007     6º         1º           2º         -             -     

 

INTERNACIONALIZAÇÕES

- Campeonato da Europa de Juniores (2007): 13º (qualif.), com 65,91

- Taça da Europa de Lançamentos (2008): 8º sub-23, com 64,01

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Fevereiro 2008 - Diana Soares (Briosos Valboenses)

 

Sucessora de Carla Sacramento

como recordista juvenil

 

Fora a melhor iniciada da época de 2007 em 800 m (2.16,69) e 1500 m (4.47,40) e já dera nas vistas nas primeiras provas desta época. Mas foi no Campeonato de Portugal, no qual foi quinta nos 800  e 1500 m e bateu o recorde nacional de juvenis da primeira daquelas distâncias, que se revelou. O recorde era de Carla Sacramento (desde há 20 anos) e a marca, para uma jovem de 15 anos (2.11,70), promete. Trata-se de Diana Soares, atleta de um pequeno clube de Valbom (Gondomar), a Associação Recreativa Briosos Valboenses, agremiação que completará 75 anos em 2009, já teve atletismo com alguma projecção nas décadas de setenta e oitenta e há cinco anos regressou, por iniciativa de Manuel Silva, vice-presidente, treinador e, quando é necessário, também motorista e massagista (com curso).

Diana Soares iniciou-se no atletismo no Verão de 2003. Antes, ganhara umas provas na escola e Manuel Silva, seu vizinho, incentivou-a. Mas o facto de só poder regressar dos treinos à noite, levou à oposição dos pais. Tinha então apenas 11 anos. Entretanto, nas férias, por brincadeira, correu uma prova de estrada, foi segunda e lá conseguiu convencer os progenitores. Como infantil, correu os 1000 m em 3.08,07 (aos 12 anos) e 2.06,52 (aos 12 anos). Como iniciada, subiu duas vezes ao pódio (terceiros lugares) dos 800 m do Nacional de Juvenis (2006 e 2007). Mas nunca esteve no Olímpico Jovem…

Diana sabia que o recorde de 800 metros pertencia a Carla Sacramento e esse era um objectivo que tinha. “Corri os campeonatos como essa ideia em mente. Foi uma alegria para mim e para o meu treinador”, refere a atleta, que espera esta época, ao ar livre, chegar aos 2.08/2.07, inclusive 2.06. “Os 800 metros são a minha distância preferida, mas também gosto dos 1500 e dos 3000 m”, acrescenta. Estudante na Escola Carolina Michaelis, a atleta tem um horário bem preenchido. Levanta-se às seis e meia da manhã, sai às sete, está na escola até às 17.30 h, vai a uma explicação e segue para o treino, de onde apenas regressa pelas 21 horas. Os treinos são à volta do campo de futebol de Valbom, num terreno de terra batida que se assemelha a uma pista. Sem competições internacionais para a sua idade esta época, Diana Soares já pensa no Festival Olímpico da Juventude Europeia e no Mundial de Juvenis de 2009. E, claro, sonha com as grandes competições, a culminar nos Jogos Olímpicos.

Entretanto, é uma boa aluna (16/17 valores) do 10º ano, área de desporto. “Não quero ser professora, mas gostaria de ficar ligada à gestão desportiva ou ser treinadora”, refere a atleta, muito elogiada pelo seu treinador. “Para além de muito boa aluna, é bastante dedicada ao treino, cumprindo tudo à risca. Levanta-se e deita-se a pensar no atletismo…”, salienta Manuel Silva.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: DIANA Sofia Dias SOARES 

Local/data de nascimento: Porto, 2-8-1992 (15 anos)

Clube: AR Briosos Valboenses (desde 2003)

Treinador: Manuel Silva

 

Evolução:

2004 (inf.): 1000 m – 3.08,07

2005 (inf.): 1000 m – 3.06,52

2006 (inic.): 800 m – 2.20,00; 1500 m – 4.52,44

2007 (inic.): 800 m – 2.16,69; 1500 m – 4.47,40pc

2008 (juv.): 800 m – 2.11,70pc; 1500 m – 4.33,67pc; 3000 m – 9.58,72pc

 

Principais classificações:

-           3ª nos 800 m dos Nacionais de Juvenis (2006 e 2007)

-           5ª nos 800 e 1500 m dos Campeonatos de Portugal de pista coberta (2008)

-           Campeã nacional de corta-mato – juvenis (2008)

 

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JANEIRO 2008 - Joana Costa (SC Braga)

 

De Mangualde para Braga

e para o 6º lugar Europeu

 

O mês de Janeiro foi fraco em revelações e daí que tivéssemos optado por recuar a Dezembro para procurar os atletas que mais se distinguiram. E, entre esses, sem dúvida que Joana Costa esteve em foco, ao ser sexta no Europeu júnior de corta-mato, em Toro (Espanha). A atleta, que na época passada se revelou nos 800 metros pela Casa do Povo de Mangualde e que entretanto ingressou no SC Braga, sempre preferiu o crosse. Mas afirma que os 800 metros em pista lhe fazem subir a adrenalina…

O atletismo começou aos 11 anos, pela mão do seu treinador até ao início desta época, João Amaral, que na Casa do Povo de Mangualde também treina António Silva e Bruno Albuquerque. “Ele conhecia o meu pai e incentivou-o a que me mandasse para o atletismo. Experimentei, gostei e, embora não passasse do meio da tabela, fui continuando…”, recorda. Como iniciada chegou a estar na final nacional do Olímpico Jovem, sendo quarta nos 1500 m. Mas os primeiros títulos (corta-mato, 800 e 3000 m) e lugares de honra chegaram como juvenil. Na época passada, voltou a ser campeã nacional de corta-mato (já como júnior), desistiu no Mundial (disputado nas dificílimas condições de Nairobi, no Quénia) e acabou o ano sendo sexta no Europeu. “O sr. João sempre disse que eu tinha qualidades, mas era muito preguiçosa para treinar, não levava aquilo muito a sério”, confessa a atleta, agora com 19 anos. “Só no ano passado me convenci que podia ir longe. Estive lesionada, vi atletas a quem ganhava a fazer boas marcas e comecei a ter objectivos…” Para esta época, depois de uma lesão que hipotecou a época de pista coberta (depois de prometedores 2.12,47 aos 800 m a abrir), pretende melhorar os seus tempos, nomeadamente em distâncias superiores (“penso que serei corredora de 3000/5000 metros”). E, claro, sonha com os Jogos Olímpicos… de Londres’2012.

Joana Costa, aluna regular (“não gosto muito de ‘marrar’…”), ingressou este ano lectivo na Faculdade de Economia do Porto. Entretanto, ingressou no SC Braga e passou a ser treinada por Sameiro Araújo. Mas já não conseguiu transferência para a Universidade do Minho. Daí que ande numa roda vive entre Braga (onde faz treino específico duas vezes por semana), a Maia (onde estuda e onde treina com Sara Moreira e Pedro Ribeiro) e Mangualde (onde se desloca aos fins-de-semana quando não tem provas, para ver a família e os amigos). “Ela é muito empenhada e talentosa – será mesmo, de entre as atletas da nova geração, das que tem mais potencial”,afirma a sua nova treinadora, Sameiro Araújo, que não ficou surpreendida com o sexto lugar no Europeu. “Ela estava ao nível da Jessica, no primeiro ano desta no Europeu, quando foi oitava júnior. E a Joana até poderia ter arriscado um pouco mais”, acrescenta a treinadora minhota, que fez questão em salientar o excelente trabalho de iniciação que João Amaral lhe fez em Mangualde. “Este seu sexto lugar no Europeu também lhe é devido em boa parte”, acrescenta.

 

QUEM É QUEM

 

Nome: JOANA COSTA

Local/data de nascimento: Mangualde, 12-5-1988 (19 anos)

Clubes: CP Mangualde (2000 a 2007) e SC Braga (2008)

Treinadores: João Amaral (até 2007) e Sameiro Araújo (2008)

 

EVOLUÇÃO

                                               800 m     1500 m    3000 m

                2001        inf.         3.19,13*          -        -

                2002        inic.        2.25,61      5.00,22    -

                2003                      2.24,49      4.53,16    -

                2004        juv.         2.19,25      4.52,89    10.42,47

                2005                      2.13,32      4.42,46    10.15,77

                2006        jun.         2.15,34      4.40,18    -

                2007                      2.08,00      4.29,45    9.57,72  

                * em 1000 m

 

Classificações em competições nacionais:    

                             CMato   CNJuv.   CNJun.           CNs23     O.Jov.

2004        juv.         1ªjv     2ª (15)   -                   -            2ª (30)

2005                      2ªjv     2ª (15)   -                   -            1ª (8/30)

2006        jun.         4ªjn     -           2ª(15)/3ª(8)   -            -

2007                      1ªjn     -           1ª (8)           2ª (15)     -

 

Presenças em competições internacionais:

- Festival Olímpico da Juventude Europeia 2005 (5ª el. 800 m)

- Camp. Europa de Juniores  2007 (4ª el. 800 m)

- Camp. Mundo de Corta-Mato (jun.) 2007 (des.)

- Camp. Europa de Corta-Mato (jun.) 2007 (6ª)

 

 

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Uma fundista, 19 anos depois...

 

Portugal produziu, há cerca de dez anos, duas excelentes fundistas, Mónica Rosa e Inês Monteiro. Por uma ou outra circunstância, nenhuma delas foi eleita Revelação do Ano. Aconteceu agora, com Sara Moreira, que assim sucede a Tiago Rodrigues como Revelação do Ano, a 26ª desde a fundação da Revista. Curiosamente, a primeira foi Fernanda Ribeiro, completam-se agora 25 anos (!) – ela tinha na altura apenas 13 anos, tendo sido mesmo a mais jovem revelação de sempre. Seguiu-se-lhe Mónica Gama, em 1988, mas teve uma carreira bem mais curta. Foram precisos 19 anos para ser eleita uma terceira fundista, Sara Moreira, que teve este ano progressos sensacionais, em especial nos 3000 m obstáculos, que a conduziram ao terceiro lugar no Europeu de Sub-23, ao quarto nas Universíadas e a um lugar de finalista no Mundial de Osaca.

Foi apresentada como Revelação do Mês no nosso último número (estivera prestes a sê-lo em várias votações ao longo do ano, mas nunca calhou ser a mais votada) e, agora, é a Revelação do Ano, numa altura em que se apresta para participar no Europeu de Corta-Mato, sendo uma das candidatas ao pódio da prova de sub-23.

Refira-se ainda que, no sector masculino, apenas foram eleitos dois fundistas: João Junqueira em 1987 e José Ramos em 1994.

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Ganhou na Taça da Europa

e derrotou… Rui Silva

 

Revelação do Mês em Maio de 2005 (apresentado na Revista nº 284, de Julho desse ano), Tiago Rodrigues continuou a surpreender este ano. Voltou a ganhar em pista coberta mas foi ao ar livre que mais sensação causou, ao ganhar os 800 metros na Taça da Europa e ao sagrar-se, em Agosto, campeão de Portugal, à frente de… Rui Silva, a quem ganhou na recta final, embora seja justo reconhecer-se o esforço do medalhado olímpico ao longo de toda a corrida, tentando conduzir o seu adversário ao mínimo (1.47,00) para o Europeu de Gotemburgo. Tiago Rodrigues não chegou lá. Ficara muito próximo no Meeting de Madrid (1.47,14) e voltou a aproximar-se nessa prova de Seia (1.47,65). Este ano, com 21 anos acabados de fazer, melhorou mais de dois segundos (de 1.49,39 para 1.47,14), sendo já o décimo português de sempre. Daí a votação que alcançou para ser Revelação do Ano.

Com largo futuro à sua frente, tanto nos 800 m como (talvez, principalmente) nos 1500 metros, Tiago Rodrigues esteve nas cogitações de Sporting e Benfica mas acabou por renovar pelo F.C. Porto por dois anos. Nascido na Póvoa do Varzim, a 19 de Junho de 1985, o atleta, treinado por João Campos, iniciou-se no CD Póvoa em 2001, transferindo-se no final do ano seguinte para o FC Porto. A progressão tem sido rapidíssima… tal como a sua ponta final. Depois de Luís Feiteira (1995) e João Pires (1998), é o terceiro meio-fundista (curto) a ser eleito Revelação do Ano, iniciativa que esta Revista mantém desde o primeiro ano de existência, em 1981-82.  

 

EVOLUÇÃO

 

                                       800 M                   1500 M

2002    juv.                 -                  4.04,66

2003    jun.            1.56,04             3.52,91

2004                     1.55,36             3.57,16pc

2005    s23            1.49,39             3.45,46

2006               1.47,14 3.44,42

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Patrícia Mamona foi a primeira Revelação do Mês deste ano (ver Revista de Março passado) e confirmou-o ao longo da época, a ponto de ter sido votada Revelação do Ano. Sucede a Milton Dias, outro atleta do JOMA, clube de onde provêm três das Revelações dos últimos seis anos.

Com 16 anos há pouco completados (nasceu a 21 de Novembro de 1988), Patrícia Mamona, filha de angolanos mas nascida em Lisboa, fez uma excelente época. Apesar de ainda se manter como juvenil em 2005, bateu já os recordes nacionais de juvenis (cinco vezes) e juniores do triplo, com 12,71, e também liderou os rankings nacionais juvenis de 100 m barreiras/76 cm (14,62), 400 m barreiras (63,40) e comprimento (5,98), sendo ainda a segunda melhor na altura (1,69). Foi campeã nacional de juniores de triplo (12,80 ventosos), 100 m barreiras e comprimento mas lesionou-se no decorrer do Nacional de Juvenis, na semana seguinte (3 de Julho), depois das eliminatórias de 80 m barreiras e de ter conseguido 11,97, com vento, no triplo, marca que lhe permitiu ganhar a prova. Terminou aí a sua época.

Com excelentes notas na escola, Patrícia Mamona quer seguir medicina e, como todos os atletas, tem um sonho: ser olímpica. Vai no bom caminho...

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                                          António Fernandes © 2003 - Revista Atletismo