| Dom maio 26 Corrida Comendador Joaquim Morão |
Quando, há cerca de ano e meio, vieram a lume os primeiros rumores sérios que confirmavam as suspeitas de há muito tempo, da existência de “doping” no atletismo espanhol, rumores estes que deram origem à “Operação Galgo”, houve logo quem admitisse que tudo iria morrer em águas de bacalhau.
Efetivamente, assim foi, pois, no passado dia 22 de Março, o Tribunal Provincial de Madrid, que julgava o caso, mandou arquivar o processo por considerar que as escutas telefónicas usadas para a instrução do processo eram consideradas anti-constitucionais. Assim, depois de uma enorme expectativa inicial, todo o falatório e aparato gerados em volta do processo e que conduziram mesmo à detenção de membros de uma rede com mais de uma dúzia de presumíveis implicados, entre médicos, treinadores, fisioterapeutas, empresários e atletas, acabaram em nada.
Tudo parece ter mudado de figura quando um dos suspeitos, o médico, Eufemiano Fuentes, elemento charneira em todo o processo e que há muito andava nas bocas do mundo por presumível envolvimento noutros casos, insinuou, num dos interrogatórios, que, se o processo fosse por diante, iriam ser postos em causa muitos dos mais recentes êxitos internacionais do desporto espanhol, nomeadamente o título mundial de futebol de 2010. Logo ai se percebeu que, de uma forma ou de outra, seria este o desfecho, pois no caso da investigação ir por diante outras coisas viriam a lume e isso iria mexer com muitos interesses.
Deste modo, os prevaricadores acabaram mais uma vez por sair vencedores, comprometendo novamente todos os princípios morais e éticos que devem nortear a prática desportiva. Enquanto a hipocrisia continuar a reinar em todo o processo de deteção e controlo do doping, a luta em torno da verdade desportiva não deve abrandar, pois mais tarde ou mais cedo a razão vai ter de triunfar…