| Dom maio 26 Corrida Comendador Joaquim Morão |
Londres 2012
Por: António Campos
Apesar do empenho colocado em toda a preparação olímpica, Londres 2012 foram uns Jogos cinzentos para as cores portuguesas. Afinal nada que já não se esperasse. Na sequência disso, tal como habitualmente, surgiram na opinião publica os mais diferentes comentários e explicações para justificar aquilo que nem sempre é justificável.
Entre as várias razões apresentadas aquela que pareceu reunir maior consenso é a de falta de apoio do Estado para a preparação dos atletas. Porém essa é apenas a ponta do iceberg, uma vez que até foram disponibilizados alguns recursos (cerca de 15 milhões de euros para o ciclo olímpico). O problema é que um campeão não se faz em apenas quatro anos.
Em nosso entender, as causas são bem mais profundas e prendem-se com aquilo que é a realidade desportiva do país. Por um lado temos a crise do associativismo, base de toda e qualquer dinamização desportiva, por outro os ataques que têm vindo a ser feitos ao desporto escolar e à própria educação física curricular com sucessivos cortes nas cargas horárias.
Assim, numa sociedade cada vez mais mecanizada e tendente ao sedentarismo, dificilmente se vai conseguir aumentar o modesto número de atletas federados que apresentamos, logo criar a massa crítica necessária para dar lugar ao aparecimento de campeões. Deste modo continuaremos dependentes do aparecimento pontual de um ou outro talento, como tem acontecido até aqui.
No contexto da União Europeia, que até teve um excelente comportamento global em Londres, ao obter 306 medalhas (92 de ouro) superando os Estados Unidos com 104 (46 de ouro) e a China com 88 (38 de ouro), Portugal com a medalha de prata de Fernando Pimenta e Emanuel Silva, apenas superou a Áustria, o Luxemburgo e Malta, o que nos parece manifestamente curto.
Em relação ao futuro, e atendendo aos parcos recursos existentes, há quem defenda que se faça um ranking de prioridades no apoio às modalidades de acordo com o seu histórico e palmarés, procurando com isto apoiar as modalidades que pelas mais diferentes razões ofereçam mais garantias de sucesso no confronto internacional.
De uma forma ou de outra, o importante é que se reflita a tempo sobre o assunto e que estes temas não venham apenas à baila, de quatro em quatro anos, e sob um pano de fundo de profunda frustração.