03-02-2012 11:36

 
 
 
 
 
   
 

 
 

 
 

 
   
   
   
   
 

OPINIÃO

 

Edição nº 363 (Fevereiro) - Ano 31 - com 90 páginas!

   

ponto de vista

editorial

António Campos

 

 

Globalização

 

Nos últimos tempos tem-se assistido, através da comunicação social, a um fluxo de notícias que dão a conhecer o envolvimento de uma empresa americana de Las Vegas, designada por Competitor Group, nas organizações das Meias Maratonas de Lisboa e de Portugal, provas que até agora vinham sendo tuteladas, exclusivamente, pelo Maratona Clube de Portugal.
Na prática, está a assistir-se, também nesta área da organização de corridas, àquilo que é uma constante noutros sectores da vida económica, e que se pode designar por globalização, pois a referida empresa norte americana, que se assume como uma multinacional do sector, está envolvida em 33 organizações diferentes, desde maratonas a corridas de 10 km, passando por triatlos, 29 das quais nos Estados Unidos e 4 na Europa. Mas este não é o único caso de globalização, pois a ASO, outra empresa francesa que organiza a Maratona de Paris e a Volta a França em Bicicleta, entre outros eventos, adquiriu recentemente, em Espanha, a Maratona de Barcelona e, em Itália, a Stramilano, duas provas de largo historial nos seus países.
Toda esta movimentação a que se está a assistir tem a ver, seguramente, com o crescente peso económico que este tipo de organizações tem vindo a conhecer nos últimos tempos, particularmente no que diz respeito à vertente do turismo despotivo, já que se estima em mais de um milhão o número de corredores, só na Europa, que se deslocam habitualmente para participar em provas fora do seu país.
Ora o nosso País, quer pelas condições climatéricas que apresenta, quer pelo relativo baixo custo de vida, quer ainda pela qualidade das organizações, apresenta-se como um local de destino privilegiado para este tipo de actividades, havendo desde há muito tempo algumas organizações, como são casos das Maratonas de Lisboa e Porto e a Meia-maratona do Douro Vinhateiro, entre outras, que vêm investindo com os seus parcos recursos na promoção e divulgação das suas provas, além fronteiras. Tudo isto perante a indiferença das entidades oficiais cuja missão é incentivar este tipo de iniciativas, nomeadamente o Instituto do Turismo, que poderão encarar esta presente movimentação como uma oportunidade em tempo de crise.
Como santos da casa não fazem milagres, esperamos que, com o envolvimento destas empresas estrangeiras no meio, essas entidades fiquem mais despertas e olhem para o sector com outros olhos, pois até aqui todos os esforços que têm sido feitos nesse sentido não têm sido mais do que pregar no deserto...


 

 

 

 

 

António Manuel

Fernandes

 

Nacional para pensar

 

O que recentemente se passou no Nacional de Estrada, com apenas 96 tempos registados aos 679 concorrentes que terminaram os 15 Km de Benavente – não foi a clássica que se disputa naquela vila ribatejana -, não abona nada em favor da corrida e do atletismo.
As dificuldades encontradas pelos organizadores da prova, à última hora, junto da sua autarquia (que os incentivara a candidatar-se à organização do campeonato), levou a grandes indecisões e, sobretudo, a um orçamento bem mais reduzido.
Daí a opção por um enquadramento técnico baseado apenas na estrutura do clube e da Associação de Atletismo de Santarém que, presumimos, também se viu ultrapassada pelas necessidades.
Contudo, este campeonato coloca uma questão importante: de que serve ser campeonato nacional?
De facto, uma vez que a estrutura federada não consegue adaptar-se às competições de estrada, promove os seus campeonatos junto das organizações mais experientes, beneficiando bastante do trabalho que é feito para colocar em competição esta mediática competição.
Normalmente, os organizadores beneficiam do facto de ali reunirem os melhores atletas nacionais a baixo custo, o que não sucederia de outra forma.
Porém, em situações como a verificada, sinais dos tempos correntes, há que procurar outras soluções e a FPA deve promover o seu envolvimento nas organizações e aquilatar da sua capacidade, momento a momento.
Ou seja, pretende-se que a FPA seja mais interventiva em todas as competições, garantindo ou fazendo garantir que todos os concorrentes têm os mesmos direitos e oportunidades.
Ao se aperceber que não havia condições do organizador a estrutura federada tinha de responder para suprir as faltas. Afinal, era um campeonato nacional.
 

 

 

 
       
 
 
 
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