
António Campos
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Globalização
Nos últimos tempos
tem-se assistido, através da comunicação social, a um fluxo de
notícias que dão a conhecer o envolvimento de uma empresa americana de
Las Vegas, designada por Competitor Group, nas organizações das Meias
Maratonas de Lisboa e de Portugal, provas que até agora vinham sendo
tuteladas, exclusivamente, pelo Maratona Clube de Portugal.
Na prática, está a assistir-se, também nesta área da organização de
corridas, àquilo que é uma constante noutros sectores da vida
económica, e que se pode designar por globalização, pois a referida
empresa norte americana, que se assume como uma multinacional do
sector, está envolvida em 33 organizações diferentes, desde maratonas
a corridas de 10 km, passando por triatlos, 29 das quais nos Estados
Unidos e 4 na Europa. Mas este não é o único caso de globalização,
pois a ASO, outra empresa francesa que organiza a Maratona de Paris e
a Volta a França em Bicicleta, entre outros eventos, adquiriu
recentemente, em Espanha, a Maratona de Barcelona e, em Itália, a
Stramilano, duas provas de largo historial nos seus países.
Toda esta movimentação a que se está a assistir tem a ver,
seguramente, com o crescente peso económico que este tipo de
organizações tem vindo a conhecer nos últimos tempos, particularmente
no que diz respeito à vertente do turismo despotivo, já que se estima
em mais de um milhão o número de corredores, só na Europa, que se
deslocam habitualmente para participar em provas fora do seu país.
Ora o nosso País, quer pelas condições climatéricas que apresenta,
quer pelo relativo baixo custo de vida, quer ainda pela qualidade das
organizações, apresenta-se como um local de destino privilegiado para
este tipo de actividades, havendo desde há muito tempo algumas
organizações, como são casos das Maratonas de Lisboa e Porto e a
Meia-maratona do Douro Vinhateiro, entre outras, que vêm investindo
com os seus parcos recursos na promoção e divulgação das suas provas,
além fronteiras. Tudo isto perante a indiferença das entidades
oficiais cuja missão é incentivar este tipo de iniciativas,
nomeadamente o Instituto do Turismo, que poderão encarar esta presente
movimentação como uma oportunidade em tempo de crise.
Como santos da casa não fazem milagres, esperamos que, com o
envolvimento destas empresas estrangeiras no meio, essas entidades
fiquem mais despertas e olhem para o sector com outros olhos, pois até
aqui todos os esforços que têm sido feitos nesse sentido não têm sido
mais do que pregar no deserto...
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António Manuel
Fernandes
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Nacional para pensar
O que recentemente se passou no Nacional
de Estrada, com apenas 96 tempos registados aos 679 concorrentes que
terminaram os 15 Km de Benavente – não foi a clássica que se disputa
naquela vila ribatejana -, não abona nada em favor da corrida e do
atletismo.
As dificuldades encontradas pelos organizadores da prova, à última
hora, junto da sua autarquia (que os incentivara a candidatar-se à
organização do campeonato), levou a grandes indecisões e, sobretudo, a
um orçamento bem mais reduzido.
Daí a opção por um enquadramento técnico baseado apenas na estrutura
do clube e da Associação de Atletismo de Santarém que, presumimos,
também se viu ultrapassada pelas necessidades.
Contudo, este campeonato coloca uma questão importante: de que serve
ser campeonato nacional?
De facto, uma vez que a estrutura federada não consegue adaptar-se às
competições de estrada, promove os seus campeonatos junto das
organizações mais experientes, beneficiando bastante do trabalho que é
feito para colocar em competição esta mediática competição.
Normalmente, os organizadores beneficiam do facto de ali reunirem os
melhores atletas nacionais a baixo custo, o que não sucederia de outra
forma.
Porém, em situações como a verificada, sinais dos tempos correntes, há
que procurar outras soluções e a FPA deve promover o seu envolvimento
nas organizações e aquilatar da sua capacidade, momento a momento.
Ou seja, pretende-se que a FPA seja mais interventiva em todas as
competições, garantindo ou fazendo garantir que todos os concorrentes
têm os mesmos direitos e oportunidades.
Ao se aperceber que não havia condições do organizador a estrutura
federada tinha de responder para suprir as faltas. Afinal, era um
campeonato nacional.
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